As 10 desilusões da época a nível internacional

Chegados ao fim de (mais) uma grande temporada futebolística, é hora de analisar o desempenho dos principais intervenientes: os jogadores. Num ano marcado por revelações e confirmações, também houve espaço para as deceções. Sendo apenas considerados os atletas que já estavam no clube no final da temporada passada mas que, por diversos motivos, não renderam o esperado, estas são as 10 maiores desilusões de 2015-16:

Felipe Anderson: Manteve-se na Lazio a custo (foi pretendido por várias potências, nomeadamente pelo Manchester United) mas não foi capaz de corresponder às expetativas que sobre ele recaíam. Na ressaca de uma temporada brutal, quer a nível individual, quer a nível coletivo, na qual foi o grande destaque dos laziale, o brasileiro apresentou-se a anos-luz do que lograra previamente. Talvez influenciado pela cobiça de outros emblemas (o presidente do emblema romano afirmou que o vendera por 60M€), a verdade é que Anderson pareceu quase sempre alheado, distante e, apesar de ter realizado mais jogos que na época passada (37 para 47), marcou menos (11 para 9) e, principalmente, diminuiu imenso a sua preponderância na manobra da equipa (também por isso se explica a quebra coletiva).
Nabil Bentaleb: Foi um belo ano em White Hart Lane. Além da excelente campanha na Premier League (3º lugar, atrás de um mágico Leicester e do Arsenal), com exibições claramente convincentes, Pochettino foi capaz de fazer crescer vários jovens que, finda a temporada, apresentam uma hiper valorização. Eric Dier e Harry Kane confirmaram as boas indicações deixadas no ano anterior enquanto Delle Alli segurou a titularidade, assumindo-se como um dos mais valiosos centrocampistas em Inglaterra. Contudo, um nome desiludiu: Nabil Bentaleb. Após os 35 jogos disputados em 2014/15, a esmagadora maioria dos quais entrando de início, este ano o internacional pela Argélia não foi além dos 11 (somente 5 a titular), sendo sempre uma opção muito secundária. Uma situação paradoxal, a do médio: num ano em que tanto se apostou na juventude, um dos mais promissores jogadores teve parcas oportunidades.
Wilfried Bony: Obrigou a um investimento considerável em janeiro de 2015 (35 M€) mas ainda não confirmou os pergaminhos que o apontavam como avançado ideal para o Manchester City. Depois de alguns meses de adaptação ao Etihad (só 2 golos na segunda metade do ano transato), esperava-se que o costa-marfinense, embora não fosse opção número 1 (essa é Agüero), explodisse em 2015/16, beneficiando dos constantes problemas físicos de “Kun”. Sem a concorrência de Edin Džeko, entretanto transferido para Roma, a expetativa era de que o ex-Swansea terminasse a época com números portentosos. No entanto, embora tenha tido oportunidades (esteve 17 jogos no onze inicial, saltando do banco noutros 17), Bony esteve sempre longe de encantar Manchester, apontando apenas 8 golos e estando em branco desde dezembro, sendo que até se viu ultrapassado nas escolhas de Pellegrini pelo “desconhecido” Iheanacho.
Bas Dost: 2 meses a nível “extraterrestre” e tudo o resto abaixo do esperado: assim se pode resumir a carreira do atacante holandês no Wolfsburgo. Entre 30 de janeiro e 1 de março de 2015 apontou 13 golos em 8 jogos, registo inacreditável e, até, inatingível para a maioria dos futebolistas pelo que, apesar da quebra visível na parte final da época passada, as expetativas estavam em alta para 2015/16. Porém, o camisa 12 chega a maio com números modestos. Após um início prometedor (até 21 de outubro somou 8 tentos em 14 partidas), o ponta de lança eclipsou-se e esqueceu os caminhos da baliza, marcando apenas por duas ocasiões desde então, atingindo, no cômputo da temporada, os 10 golos.
José Gayá: Uma escola de laterais esquerdos, assim se pode descrever o Valencia. Depois de Jordi Alba (transferido para o Barcelona) e Juan Bernat (para o Bayern de Munique), Gayá era visto pela “afición” valenciana como o próximo grande defesa da equipa. Depois de ser uma das revelações de 2014/15 (motivando, inclusivamente, o interesse do Real Madrid e uma renovação choruda), acaba por ser uma das desilusões desta época. Más decisões, permeabilidade defensiva, incapacidade de desequilibrar ofensivamente, enfim, nada correu de feição ao jovem que se foi “afundando” lado a lado com o conjunto “ché”, tendo mesmo obrigado estes a uma incursão ao mercado em janeiro para reforçar a posição (empréstimo de Siqueira, que conquistou o lugar). 
Eden Hazard: Como da noite para o dia. O belga passou, no espaço de 10 meses, de melhor jogador da Premier League para um dos 11 piores. Retrato fiel de um Chelsea sofrível, o ex-Lille acaba a temporada com 6 golos, tendo balanceado as redes da baliza adversária pela primeira vez apenas em janeiro e na BPL somente em abril, registos tremendamente fracos face aos de 2014/15: foram 21 tentos, aos quais adicionou uma capacidade de desequilíbrio ímpar e de levar a sua equipa “ás costas”. Num curtíssimo período de tempo, passou de um dos maiores candidatos à conquista da Bola de Ouro no pós-Messi/Ronaldo para um elemento quase dispensável nos “blues”. Continua a ter potencialidades brutais (como demonstrou nesta reta final), mas será tarefa árdua esquecer uma época tão insatisfatória. 
Diego López: Sem desprimor para com Gianluigi Donnarumma (que tem todas as condições para ser o nº1 da Itália na próxima década) não é, de todo, usual um guarda-redes experiente perder o lugar para um adolescente de 17 anos. Mas foi o que sucedeu a Diego López e não surpreende. Além da qualidade do jovem previamente mencionado, o antigo “portero” do Real Madrid nunca ofereceu segurança à sua defesa, sendo um foco de instabilidade. López até começou a temporada a titular, mas as más exibições (14 golos sofridos em 9 partidas, destacando-se um 0-4 ante o Napoli em San Siro) não deixaram outra opção a Siniša Mihajlović senão substituir o espanhol que, desde então, nunca mais ocupou as “redes” rossoneri. Pouquíssimo para o jogador que “sentou” um dos mais titulados guarda-redes do século.
Nemanja Matić: O contexto não era o melhor (pior Chelsea da década), e a maioria dos atletas de Stamford Bridge ficaram aquém do esperado (talvez só William e Zouma se valorizaram), mas exigia-se mais a um jogador que há menos de um ano era visto como top-3 mundial na sua posição. Apesar de ter participado em 43 jogos esta época (somente menos 6 que em igual momento do ano transato), o sérvio apresentou um nível exibicional aquém, cometendo erros impensáveis e dominando o seu espaço de modo periclitante, perdendo inclusivamente preponderância para John Obi Mikel, entretanto recuperado por Guus Hiddink.
James Rodríguez: Causou uma das contratações mais polémicas de 2014/15 (criticou-se unanimamente a substituição de Di María pelo colombiano) mas respondeu adequadamente e de imediato, com exibições poderosas e enquadrando-se muito bem com os seus colegas “galáticos”, apontando 17 golos na sua estreia no Santiago Bernabéu em 46 partidas. Porém, esta temporada é para esquecer. Além de toda a controvérsia que se formou em torno de si, o camisa 10 “merengue” foi incapaz de ser uma mais valia, quer para Rafa Benítez, quer para Zidane, tendo-se tornado habitual a sua presença no banco. Contas feitas, só por 8 ocasiões somou os 90 minutos, num total de 32 partidas disputadas. Numa equipa rotativa como o Real Madrid, tinha obrigação de merecer mais minutos.
Martin Škrtel: Foi fustigado por uma lesão que o deixou 6 semanas de fora mas, quando a sofreu, há muito que não merecia a titularidade. Apesar de ser um dos centrais mais experientes do Liverpool e aquele que melhor conhece o clube, o eslovaco acumulou vários erros no decurso da temporada, ficando associado à pior fase dos “reds”. Após duas épocas nas quais revelou habilidades importantes, sendo um dos elementos-chave da turma de Brendan Rodgers (nesse período somou 87 jogos), este ano desportivo foi de regressão, não ultrapassando as 26 partidas. A poucos dias do Europeu, a Eslováquia sonha com o retorno da melhor versão de Škrtel que, qual D. Sebastião, tarda em aparecer.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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