34: Mate

Ao cabo de 34 jornadas, apurou-se finalmente o campeão. O Benfica, após uma vitória contundente sobre o Nacional da Madeira, alcançou o tricampeonato, algo que não se via na Luz desde 1977. É o 35.º título nacional das águias, o primeiro de Rui Vitória e o quinto do presidente Luís Filipe Vieira. Em campo, os encarnados demonstraram a sua supremacia, tendo Gaitán (excelente exibição) e Jonas resolvido o problema ainda na primeira parte. Os insulares até conseguiram dar uma boa réplica, sobretudo no segundo tempo, mas o triunfo estava destinado a pertencer aos da casa. Por outro lado, o Sporting deslocava-se a Braga, uma deslocação tradicionalmente difícil para Jorge Jesus, na esperança de vencer e esperar que o rival da 2.ª circular tropeçasse. Tendo a Taça de Portugal como objectivo, Paulo Fonseca, que manteve alguns titulares, deu oportunidade a elementos como Arghus e Alef, mas a superioridade da turma verde e branca foi evidente desde o primeiro minuto. A primeira parte dos leões foi de grande nível, do melhor que se viu esta temporada, tendo Teo Gutiérrez colocado o conjunto leonino com uma mão na Taça por três minutos. Por outro lado, não havia Adrien, mas João Mário deu conta do recado no miolo do terreno juntamente com William, enquanto que Schelotto e Bruno César voltaram a ser determinantes na manobra ofensiva dos leões. Já Ruiz, outrora perdulário, marcou dois golos de belo efeito, enquanto que Slimani, que poderá ter feito o último jogo de leão ao peito, terminou a temporada com 27 golos na Liga. Por fim, o FC Porto, no último teste antes da final da Taça, não teve problemas em derrotar um já tranquilo Boavista. André Silva estreou-se a marcar e voltou a somar pontos juntos dos adeptos com uma boa exibição, Layún voltou a facturar e Danilo, a melhor unidade dos dragões esta época, chegou aos seis golos na Liga. 
Na luta pela Europa, o Rio Ave triunfou na Ribeira Brava e juntou-se a Arouca e Sp. Braga nos lugares de acesso às competições europeias. Em sentido contrário, os insulares não foram felizes neste regresso à I Liga e farão companhia à Académica na despromoção ao 2.º escalão. Melhor sorte teve o V. Setúbal, que se salvou com um empate em casa diante do Paços de Ferreira, tendo os pacenses voltado a falhar o apuramento para a Liga Europa na última jornada. Quem também terminou com um sorriso foi o Tondela, que conseguiu derrotar a já condenada Académica e salvar-se sobre o risco de meta. Trabalho notável de Petit, que conseguiu unir uma equipa dada como fora das contas há muito tempo e garantir a permanência de forma surpreendente. Por fim, o Estoril também falhou a possibilidade de acesso à Europa na última ronda ao perder no Restelo, o V. Guimarães desperdiçou uma vantagem de dois golos em Arouca e Miguel Leal despediu-se de Moreira de Cónegos com um triunfo sobre o Marítimo, que sonhará agora com uma noite de sonho, diante do campeão nacional, na final da Taça da Liga. 

Equipa da Jornada: Sporting – Os leões sabiam que não dependiam de si para alcançarem o título, mas fizeram a sua parte nesta última jornada. Em Braga, a turma de Jorge Jesus dominou desde o apito inicial e alcançou uma goleada que não surpreendeu quem assistiu ao encontro. É notório que o conjunto de Jorge Jesus termina a temporada numa super forma, sendo visível a subida de rendimento de diversos jogadores (Schelotto, João Mário, William ou Teo), mas a verdade é que os 86 pontos (um recorde) não chegaram para a conquista do objectivo principal da época. 
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Equipa Desilusão: União da Madeira – Os madeirenses até estiveram em vantagem, fruto de um golo de Amilton (o melhor jogador do União esta época), mas a expulsão de Paulo Monteiro e um novo erro de Gudiño deitaram tudo a perder. O futebol apresentado durante a temporada não foi o melhor, mas fica a sensação que com André Moreira o conjunto de Norton de Matos não tinha descido. 

Melhor 11 da 34.ª Jornada da I Liga: Cláudio Ramos (Tondela), Schelotto (Sporting), Pica (Tondela), Rúben Semedo (Sporting), Layún (FC Porto), William Carvalho (Sporting), Luis Alberto (Tondela), Gaitán (Benfica), Bryan Ruiz (Sporting), Rafael Martins (Moreirense), André Silva (FC Porto)

Melhor Jogador: Gaitán (Benfica) – O argentino regressou à equipa nesta última jornada e, após algumas rondas de menor fulgor, apareceu no momento certo. Exibição de mão cheia diante dos insulares (foi claramente o melhor em campo), coroada com dois golos e uma assistência. Um craque. 

Jogador Desilusão: Alef (Sp. Braga) – Chegou a Portugal com estatuto, fruto de ser internacional sub-20 pelo Brasil, mas só se estreou na última jornada da Liga e pouco mostrou. Muitos passes errados, problemas na transição defensiva e alguma dureza excessiva nos duelos. Acabou por sair em inferioridade física, numa primeira aparição pouco feliz. 

Jogador a Seguir: Grimaldo (Benfica) – Eliseu continua sem renovar e, apesar da boa temporada do internacional português, o ex Barcelona tem dado bons apontamentos nas vezes em que foi chamado. Nesta jornada, voltou a demonstrar a sua apetência ofensiva, sendo claramente um lateral com uma técnica acima da média, que se destaca pela profundidade que oferece e que poderá acrescentar qualidade no cruzamento. 

Rodrigo Ferreira

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