Super-Ronaldo coloca o Real nas meias-finais; Português consumou a remontada com um hattrick e já leva 16 golos (em 10 jogos) na Champions

Real Madrid 3-0 Wolfsburgo (Cristiano Ronaldo 16', 17', 77')

A lenda de Cristiano Ronaldo em Madrid continua. O português protagonizou uma noite mágica, ao marcar os 3 golos da vitória do Real Madrid por 3-0 frente ao Wolfsburgo, conseguindo assim os Merengues dar a volta à desvantagem de 2 golos trazida da Alemanha e marcar presença nas meias-finais da Champions. Num jogo que, salvo a parte final do primeiro tempo, foi de sentido único, CR7 foi altamente eficaz, marcando praticamente nas únicas chances que teve, sendo que também Carvajal (muito activo e com critério a subir, mostrando que está claramente à frente de Danilo) e Modric (sempre com qualidade em todas as acções) estiveram a alto nível. Do lado dos lobos, que não conseguiram um feito histórico, Benaglio fez vários defesas de elevada dificuldade, sendo que Vieirinha sofreu defensivamente.

Quanto ao encontro, começou com o Real Madrid claramente dominador, com o Wolfsburgo prescindindo de pressionar a equipa da casa em zonas muito subidas, preferindo esperar organizado em poucos metros atrás. A primeira situação surgiu logo aos 5 minutos, com Sérgio Ramos a cabecear à barra, mas tanto domínio merengue (na fase inicial o jogo decorria só no meio-campo alemão) acabou por dar frutos, com os espanhóis a igualarem a eliminatória em 2 minutos, pouco depois do primeiro quarto de hora: primeiro Carvajal subiu pela direita e cruzou rasteiro, com a defesa dos lobos a ver a bola passar e Ronaldo a aproveitar para rematar sozinho para o fundo das redes, e depois com o português a cabecear da melhor forma após um canto da direita, fazendo o 2-0 aos 17'. Depois dos golos, o desafio equilibrou-se, passando os visitantes a ter mais a bola e a aproximarem-se da baliza de Keylor Navas, mas foi Karim Benzema quem podia ter feito o terceiro, num remate à entrada da área que Benaglio defendeu. Logo a seguir, nova contrariedade para o Wolfsburgo, com Draxler a sair lesionado e a dar o seu lugar a Kruse. Mas mesmo assim os homens de Dietr Hecking continuavam a estar melhor (o Real tirou muito o pé do acelerador após chegar ao 2-0) e Luiz Gustavo desferiu uma bomba de longe para bela defesa de Navas, sendo que pouco depois Bruno Henrique, dentro da área, teve tudo para marcar, mas atrapalhou-se, perdeu tempo e permitiu a intercepção de Marcelo. Assim, o intervalo chegou com 2-0. No segundo tempo, a equipa da casa voltou a assumir as rédeas do jogo, conseguindo empurrar o rival para trás, conquistando muitos cantos mas criando poucas chances de golo. Aos 65', Ramos esteve muito perto de fazer o terceiro, mas o seu cabeceamento encontrou-se com o poste esquerdo da baliza. Até que aos 77' Cristiano Ronaldo voltou a aparecer, com um livre frontal que aproveitou uma abertura na barreira do Wolfsburgo para chegar à baliza de Benaglio sem hipóteses de defesa para o Suíço, fazendo o terceiro golo e consumando a "remontada". Até final, apesar de um golo garantir a passagem aos lobos, foram os blancos a estar mais perto do golo, mas quer Benzema quer Jesé encontraram-se com uma grande resposta da parte de Benaglio, que manteve a sua equipa viva até ao último instante, mas o golo não chegou e é o Real Madrid quem segue para as meias-finais.

Destaques:

Real Madrid - Apuramento absolutamente essencial, não só tendo em vista esta temporada (que tão atribulada está a ser mas ainda pode terminar em grande) mas também para a continuidade deste projecto desportivo, que seria seriamente colocado em dúvida se os merengues fossem eliminados por este Wolfsburgo. Na partida de hoje, tirando os últimos 15/20 minutos da primeira parte, em que a equipa tirou o pé do acelerador e poderia ter sofrido um golo, os homens de Zidane foram sempre superiores, apresentando períodos com boa intensidade e dinâmica ofensiva, ainda que se continue a pedir algo mais de organização, sobretudo na pressão (muitas vezes feita de forma algo individual, gerando desequilíbrios e fissuras no colectivo). Individualmente, Keylor respondeu sempre que foi chamado, ao passo que Carvajal é mesmo um dos grandes heróis da noite, tendo feito uma exibição monumental, sobretudo com bola, momento em que deu profundidade e levou muito perigo à baliza contrária, acabando por fazer uma assistência e por provocar o canto que gera o segundo golo. Mais à frente, Modric teve mais uma das noites que mostram o porquê de ser dos melhores do mundo na sua posição, sempre com acerto no passe, quebrando linhas do adversário em condução, com excelente tomada de decisão e ainda com boa capacidade na recuperação. Na frente, Bale tentou muito, nunca se escondeu, mas nem sempre foi feliz, Benzema também esteve muito em jogo mas alterou momentos de brilho com outros algo trapalhões, mas a estrela indiscutível da noite chama-se Cristiano Ronaldo: o português, que chegou aos 16 golos na prova (está só a um tento do record de 17 numa só edição da CL, estabelecido por ele mesmo em 2013/2014) foi absolutamente decisivo, com 3 golos que levam a equipa para a fase seguinte e permitem sonhar com a Undécima. Numa partida em que nem teve muitas chances para finalizar, conseguiu fazer golo praticamente nas primeiras vezes em que tocou na bola no último terço (o segundo golo é uma excelente cabeçada), tendo depois selado a passagem com um bom livre.

Wolfsburgo - O que teria sido um feito histórico ficou muito perto, mas a verdade é que este conjunto é bem inferior ao Real Madrid e grande parte da "culpa" de ter ficado tão perto das meias deve-se à incompetência dos merengues. Os alemães tentarem defender-se de forma compacta junto da sua baliza, mas as fragilidades da sua linha defensiva fizeram-se notar, sendo que com bola a lesão de Draxler condicionou muito a hipótese de criar perigo na transição, o que levou a que durante largos minutos a equipa não se conseguisse esticar. Do ponto de vista individual, Benaglio voltou a provar que é um excelente guarda-redes, com muitas intervenções de qualidade que foram adiando a decisão da partida, ao passo que Vieirinha, que com bola até teve ações interessantes, passou por muitas dificuldades perante Marcelo ou Benzema (foi várias vezes ultrapassado), tal como a dupla Naldo-Dante, que com bola condiciona muito o jogo dos lobos, obrigando quase sempre a bater na frente quando há um mínimo de pressão. Bruno Henrique não se destacou como há uma semana, evidenciando-se mesmo pela negativa pela forma como se atrapalhou quando podia ter marcado, já  Schurrle foi dos que mais tentou, mas sempre muito desacompanhado.

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