Sporting vence no Dragão e mantém distância para o Benfica; Clássico recheado de oportunidades de golo, mas foi o bis de Slimani a desequilibrar; Ruiz e João Mário (o MVP) também brilharam; Schelotto esteve igualmente em destaque; FC Porto criou muitas dificuldades à defensiva leonina (Herrera e Aboubakar exploraram bem o espaço) mas pecou na finalização; Casillas esteve mal no 1-3

FC Porto 1-3 Sporting (Herrera 35' g.p.; Slimani 23' e 44' e Bruno César 85')

O Sporting conseguiu a 2.ª vitória na sua história no Estádio do Dragão, para o campeonato resultado que permite manter a pressão sobre o Benfica. Um clássico que foi quase um festival de mal defender e atacar, com as equipas a disporem de muito espaço na zona defensiva contrária mas a pecarem na finalização e decisão. Mas esteve melhor o Sporting que teve capacidade para aproveitar o que criou e, apesar das fragilidades que evidenciou na defesa (Patrício foi obrigado a brilhar), a nível individual foi superior, com Slimani a bisar e João Mário (o melhor em campo) e Ruiz a fazerem a diferença. Já o FC Porto, que dividiu sempre o encontro, voltou a revelar alguma falta de harmonia (a equipa é pouco compacta) mas vai ficar a lamentar a finalização, já que criou oportunidades suficientes para alcançar pelo menos o empate. Aboubakar desequilibrou na frente, Danilo encheu o campo mas a nível defensivo nunca houve tranquilidade (os centrais deram muito espaço e Casillas, que antes até tinha feito uma defesa monumental, falhou no 1-3).

Quanto ao encontro, começou praticamente com uma bela oportunidade para o Sporting, com João Mário, em grande posição, a rematar por cima (seria depois assinalado fora-de-jogo inexistente). Mas pouco depois, aos 7', são os dragões a estarem muito perto do golo, num excelente cruzamento de Angel que Herrera remata para o poste, acabando depois a bola nas mãos de Rui Patrício. Os visitantes tinham mais posse, mas eram os homens da casa que voltavam a criar perigo antes dos 20', com Aboubakar, na sequência de um lançamento de linha lateral, a desviar por cima perante Patrício. Até que aos 23' os leões abriram mesmo o marcador: abertura de William na direita em João Mário, que passa por Angel com um túnel e serve Slimani, sozinho no coração da área, para o 1-0. O conjunto de Jorge Jesus poderia ter feito em seguida o segundo ( Slimani aparece novamente solto na cara de Casillas, mas o guardião espanhol consegue impedir o golo), mas foi o FC Porto a conseguir o empate aos 34', altura em que o árbitro considera que Coates comete falta dentro da área sobre Brahimi e, na conversão, Herrera não falha e estabelece o 1-1. A turma de Peseiro ganhou alento com o golo e numa transição rápida o mesmo Herrera surge em bela posição mas remata ao lado, mas foram mesmo os verde e brancos a irem para o descanso em vantagem, graças a um cruzamento da esquerda de Ruiz que Slimani cabeceia para o fundo das redes. O segundo tempo começou com o FC Porto por cima, em busca do empate, mas Maxi primeiro (defesa de Rui Patrício quando o uruguaio estava já dentro da área) e Sérgio Oliveira depois (livre que bateu com estrondo na barra) não conseguiram marcar. O desafio entrou depois numa fase em que os dragões tinham mais bola, mas eram os leões que dispunham de algumas transições para sentenciar, tendo mesmo numa delas João Mário ficado isolado perante Casillas, mas o recém-entrado André André tirou "o pão da boca" ao médio, sendo depois Slimani a rematar de cabeça para excelente defesa do espanhol. Na entrada para a reta final, Herrera ainda assustou de livre mas foi a equipa de JJ a fazer o terceiro aos 85, com João Mário a servir Bruno César e este a rematar de pé esquerdo, tendo Casillas enrolado-se com a bola e permitido o fixar do resultado final em 1-3.

FC Porto - A consistência do conjunto de Peseiro voltou a mostrar pouco de equipa grande - é rara a partida em que os adversários não conseguem criar oportunidades - e o jogo de hoje não foi excepção. Muitas debilidades sem bola, sobretudo pela falta de coordenação entre os elementos de cada sector e a sua relação com a linha média, algo que não beneficia da incapacidade individual da dupla de centrais para lidar com os avançados contrários. Apesar disso, o caudal ofensivo da equipa foi suficiente para fazer vários golos (factor a que Peseiro se tem agarrado após os jogos, defendendo que os resultados dos dragões são consequência de incompetência individual na finalização) onde Herrera e Aboubakar assumiram especial destaque ao explorar o espaço. A título individual, além de Danilo, são poucos os destaques positivos, já que quase todas as exibições foram irregulares, descontínuas, aparecendo raramente a espaços Aboubakar, Herrera e Corona. Sendo que Casillas, que até tinha adiado o 1-3 com uma bela defesa acaba por ficar ligado ao jogo da pior maneira com um erro no golo de Bruno César.

Sporting - Os leões não desarmam da luta pelo título e vão acabar a época com duas vitórias sobre o FC Porto, algo raro nas últimas décadas e 4 vitórias em 5 clássicos (a única derrota foi com o Benfica em Alvalade, que até poderá o ser o resultado que marca esta Liga 2015-16). Isto numa partida em que se esperava um Sporting mais competente defensivamente, na senda do que o treinador consegue fazer, algo que não foi visível. As dificuldades foram claras em ambas as linhas defensivas, com pouca apetência para controlar a profundidade e os movimentos dos avançados, o que foi escondido pelas deficiências dos executantes do Porto, tanto na decisão como na finalização. Individualmente, menção para um super jogo de João Mário (mandou no jogo, geriu os ritmos da partida, mostrando ser um dos melhores médios do campeonato), para além das boas exibições de Slimani (terrível pelo ar, com várias oportunidades em frente a Casillas, estando na origem de um golo) e Ruiz (o costa-riquenho criou imensas situações de desequilíbrio, consubstanciando essa exibição na assistência para o 2-1. Hoje foi, talvez, a sua melhor exibição numa 2.º volta em que está ligado à perda de pontos dos leões). Na defesa, os centrais tiveram muitas dificuldades frente a Aboubakar, enquanto que Marvin foi várias vezes ultrapassado por Corona, valeu aos leões um excelente Patrício e um Schelotto a justificar a renovação, com vários cortes providenciais e sempre a dar muita profundidade no seu corredor.

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