Sporting sufoca Belenenses e foge ao FC Porto; Leões, com Adrien, William, J. Mário e Ruiz em destaque, deram um recital no Restelo; Slimani massacrou a defesa azul; Teo bisou pela 2.ª jornada consecutiva; Semedo voltou a impressionar na defesa; Bruno César foi novamente lateral (Paulo Oliveira ficou no banco)

Belenenses 2-5 Sporting (Bakic 75' e Tiago Silva 88'; Slimani 23' e 32' g.p., Adrien 54' e Teo 58' e 78')

O Sporting não acusou a pressão e com uma exibição de grande nível goleou o Belenenses (5-2), resultado que mantém os leões a 2 pontos do Benfica e que praticamente segura pelo menos o 2.º lugar (são já 7 pontos de avanço para o FC Porto). E foram 5 golos, mas até podiam ter sido mais. O clube leonino, com uma pressão alta e uma grande dinâmica ofensiva, sufocou por completo os anfitriões e não fosse a ineficácia (até ao 1-0 já tinham desperdiçado 4 boas oportunidades) até podiam ter conseguido um resultado mais expressivo. Slimani, com um bis e sempre uma dor de cabeça para a defensiva contrária, voltou a destacar-se. Teo também marcou 2 (4 golos em 2 jogos), mas foi a pressão e qualidade do quarteto William, Adrien, Ruiz e João Mário a fazer a diferença: Na defesa Semedo esteve imperial, tendo tido mais uma vez a companhia de Bruno César do lado esquerdo, num jogo em que Adrien viu um amarelo que o tira da partida com o Marítimo e em que Marvin (ultrapassado por uma adaptação) e Paulo Oliveira (não consegue oferecer o mesmo que Semedo) ficaram de fora. Nos azuis, foi mais do mesmo com a equipa a confirmar o estatuto de pior defesa da Liga (são já 59 golos sofridos), tendo conseguido apenas atenuar a derrota numa fase em que o jogo já estava resolvido.

Quanto ao encontro, os primeiros minutos mostraram um Sporting a criar diversas situações de perigo para a baliza de Ventura, tomando partido das veleidades defensivas dos homens da casa. Com efeito, logo aos 2', Slimani ganha as costas da defesa da casa e remata forte para boa defesa de Ventura. Cerca de dez minutos depois, duas chances soberanas para os Leões, primeiro com Teo, em grande posição, a rematar por cima da baliza, e depois com William a recuperar a bola, a combinar com Slimani e a isolar-se, conseguindo fintar Ventura mas a perder o equilíbrio quando tinha a baliza à sua mercê e a falhar o alvo. A fechar os primeiros 20', novo bom momento ofensiva dos homens de JJ, com Ruiz a servir Teo que remata para boa defesa de Ventura. Tanto domínio só poderia levar ao golo inicial, e aos 22' Adrien solicita Slimani, que tira Gonçalo Silva da frente e remata cruzado de pé direito para o primeiro golo. Os Leões continuavam dominadores no jogo e chegaram ao segundo aos 32', quando Tiago Almeida comete penalty sobre Bryan Ruiz e, na transformação, Slimani aumentou a vantagem. A primeira situação de perigo do Belenenses surgiu à passagem dos 40 minutos, num bom lance de Carlos Martins que remata de forma violenta por cima da baliza de Rui Patrício, sendo que antes do intervalo Miguel Rosa, também de fora da área, disparou com algum perigo, mas o desafio foi mesmo para o descanso com os visitantes a vencerem com dois golos de vantagem. O segundo tempo voltou a apresentar um Sporting por cima da partida, com muitas facilidades para criar ocasiões de perigo (a defesa do Belenenses era um autêntico buraco) e foi sem surpresa que o marcador se foi avolumando: aos 54', Adrien recolhe uma bola à entrada da área e remata muito forte para o terceiro, e logo a seguir Teo aproveita um ressalto dentro da área para fazer o quarto. Os Leões tiraram depois o pé do acelerador, JJ foi fazendo poupanças (saíram Adrien - que forçou o amarelo para "limpar" na próxima jornada frente ao Marítimo - e Bryan Ruiz) e os locais aproveitaram para subir no terreno e ter mais a bola, chegando mesmo ao golo aos 75', com Bakic a desviar de cabeça para o fundo da baliza um livre lateral de Tiago Silva. No entanto, logo a seguir, o conjunto do Restelo viria a sofrer novo golo, com Mané a romper na esquerda e a cruzar para Teo, que solto ao segundo poste fez o quinto da sua equipa e o bis pessoal. Até final, houve ainda tempo para novo golo dos da casa, com Rubén Semedo a cortar um cruzamento para os pés de Tiago Silva que, de fora da área, finaliza com muita qualidade sem hipóteses de defesa para Rui Patrício, fixando assim o resultado final.

Belenenses - À semelhança do que acontecera com o Benfica, os azuis voltam a encaixar 5 golos em casa, numa exibição repleta de falhas, com muito espaço no seu meio-campo e a permitir combinações entre ala/lateral, médio interior/avançado com muita facilidade. O espaço nas costas da última linha é facilmente explorado, assim como atrás dos médios de cobertura, com João Mário e Ruiz a intrometerem-se com facilidade e a permitirem à equipa circular com qualidade, criando imensas oportunidades (o resultado estava 0-0 e os leões já tinham desperdiçado 4 ocasiões claras). E se esta menor qualidade defensiva pode ser explicada por uma postura diferente, uma postura de colocação de vários homens à frente da linha da bola, com um futebol positivo e envolvente, hoje não o podemos dizer. O Belenenses só incomodou o Sporting numa fase de descompressão em que a equipa de Jesus procurava gerir o jogo com bola a um menor ritmo e os golos surgiram já na recta final. Como nota positiva na equipa da casa, destaque para as boas exibições de Tiago Silva (excelente golo, estando ainda na assistência e em livres laterais perigosos), Bakić (o melhor na linha média) e Miguel Rosa que teve algumas iniciativas perigosas a partir da esquerda. Aquém do esperado esteve Carlos Martins, que não conseguiu assumir o papel de craque da equipa, ao contrário do que aconteceu noutras partidas.

Sporting - Exibição demolidora dos leões, a roçar a perfeição e que permitiu a vários elementos subir os níveis de confiança. A equipa de Jesus continua a criar oportunidades a um ritmo alucinante, mas a eficácia persiste como um dos pontos negativos, esta que não se relaciona directamente com o trabalho do treinador, mas antes com a incompetência de quem finaliza. Como colectivo a facilidade que os jogadores encontram em se relacionarem é de realçar: todas as unidades estão muito próximas, os laterais envolvem-se com os seus alas, combinando muito bem com os elementos mais adiantados. Hoje as individualidades também contribuíram para o colectivo e quase todas elas estiveram a um bom plano, desde William (excelente exibição, hoje mais interventivo na frente, desperdiçando inclusive uma situação de golo depois de sentar Ventura), passando por Adrien (mais um golo) e João Mário, até Ruiz e a dupla de avançados que bisou e está numa das melhores fases da temporada. Quem continua a impressionar é Semedo (fantástico desde que assumiu a titularidade, a bater claramente às portas da selecção A) que relega continuamente Paulo Oliveira para o banco (o período da lesão já passou há bastante tempo) e compõe juntamente com Coates uma dupla que permite ao Sporting jogar mais adiantado no terreno.

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