Benfica segura liderança; Encarnados sofreram aos 14 segundos mas responderam com 25 minutos avassaladores; Gaitán, Jonas e Jardel fizeram a diferença; Semedo desperdiçou a oportunidade; Pizzi esteve desastrado; Vit. Setúbal não conseguiu aproveitar a apatia das águias na 2.ª parte (Arnold falhou isolado no minuto 92)

Benfica 2-1 Vit. Setúbal (Jonas 19' e Jardel 24'; André Claro 1')

O Benfica cumpriu frente ao Vit. Setúbal e com o triunfo, por 2-1, manteve o 1.º lugar na Liga quando faltam apenas 4 jornadas. Uma vitória mais complicada do que se previa, com os encarnados a sofrerem um golo logo aos 14 segundos na bola de saída do Vit. Setúbal e depois a rubricarem uma exibição de altos e baixos, com 25 minutos avassaladores, talvez os melhores da época, em que criaram praticamente uma defesa de oportunidades de golo, e uma 2.ª parte completamente apática, em que deu a ideia que vários jogadores "ficaram no balneário". Jonas, que chegou aos 31 golos, e Gaitán (duas assistências), estiveram em grande no 1.º tempo, mas também foram os primeiros a acusar o desgaste na 2.ª parte; Quem esteve sempre num nível alto foi Jardel, que fez a diferença na defesa e no ataque; Já os Sadinos, que tiveram algumas oportunidades na 2.ª parte para surpreender, tiveram em Arnold o elemento em maior destaque, mas o ex-Chaves desperdiçou a oportunidade de ser herói ao falhar na cara de Ederson no minuto 92.

Quanto ao encontro, começou praticamente com o golo do Vitória (logo aos 14 segundos), que aproveitou a desconcentração da defesa encarnada num jogada pela direita, com Gorupec a cruzar e André Claro a facturar. Na resposta, o Benfica esteve perto de chegar ao empate, com Pizzi a ganhar espaço (belo passe de Lindelof) e a cruzar para Jonas, mas Frederico Venâncio a estar no caminho da bola e a evitar o golo. Pouco depois, nova oportunidade para as águias, mas Mitroglou cabeceou ao lado após grande cruzamento de Gaitán. As ocasiões sucediam-se e os encarnados estiveram perto do 1-1 na sequência de dois cantos: primeiro foi Jardel a colocar à prova Ricardo e depois foi Mitroglou a obrigar o guardião visitante a uma grande intervenção. Já depois de Jonas ter chegado atrasado a um cruzamento de Gaitán, os sadinos estiveram perto de dilatar a vantagem, mas o cabeceamento de André Claro saiu perto do poste. No entanto, era o Benfica quem mandava no jogo, a pressionar muito os forasteiros, e conseguiu mesmo chegar à igualdade, com Jonas a finalizar um cruzamento de Eliseu (com um ligeiro desvio de Gaitán). A avalanche ofensiva encarnada continuava, com muitos cantos a serem conquistados, e num deles consumaram a reviravolta, com Jardel a impor-se nas alturas e a cabecear para o fundo das redes. A partir daí o ritmo de jogo acalmou e só perto de intervalo houve mais um momento de relevo, com Pizzi, isolado por Fejsa (grande passe), a fazer um chapéu sobre Ricardo, mas com Venâncio a tirar em cima da linha. A segunda parte começou na mesma toada, com o Benfica a dominar, mas num ritmo morno. O Vitória ia acreditando com o passar dos minutos e criou perigo em duas ocasiões, primeiro por André Claro e depois por Ruca, com Éderson a anular o lance com uma boa mancha. Insatisfeito com o que estava a ver, Rui Vitória mexeu na equipa, lançando Carcela para o lugar de Gaitán. Logo de seguida o Benfica respondeu numa bola parada estudada, mas Ricardo voltou a estar em evidência com uma óptima defesa a cabeceamento de Fejsa. O técnico das águias voltou a mexer, trocando Fejsa por Samaris, mas o encontro continuava na mesma. Jardel teve mais um cabeceamento perigoso, mas a turma de Quim Machado ia subindo cada vez mais no terreno e Rui Vitória lançou o seu jogador talismã Raúl Jiménez (saiu Mitroglou). Já no período de descontos, o Vitória teve uma oportunidade de ouro para empatar, com Pizzi a errar e a isolar Arnold, mas com o avançado dos visitantes a atrapalhar-se e a permitir que Éderson anulasse o lance com uma saída corajosa. No entanto, o resultado não se alterou e o Benfica garantiu mesmo os três pontos, que o colocam de novo na liderança.

Destaques:

Benfica - Bem mais difícil do que seria de esperar (o Vitória é a pior equipa da segunda volta - somou 8 pontos nas últimas 15 jornadas), mas mais uma “final” foi superada e as águias conseguem o mais importante, que é passar mais uma jornada na liderança. A equipa viu-se a perder muito cedo, mas reagiu muito bem, com um primeiro tempo com minutos de verdadeiro vendaval ofensivo, em que podiam ter feito muito mais do que dois golos. Depois, na segunda parte, talvez por cansaço ou pela sensação de que o mais difícil (dar a volta ao marcador) estava feito, a equipa de Rui Vitória praticamente “não entrou” no jogo, com um futebol passivo, adormecido, sem dinâmica ofensiva e tendo mesmo corrido o sério risco de sofrer o empate em cima do fim. Individualmente, Ederson voltou a dizer presente num momento importante, com uma saída rápida e destemida aos pés de Arnold no lance que poderia ter dado o empate aos sadinos, ao passo que Semedo, que hoje foi lançado em detrimento de Almeida, não aproveitou para ganhar pontos, apresentando-se desastrado com bola, somando diversas perdas (ainda não voltou ao nível antes da lesão). Renato Sanches esteve ao nível habitual, sempre com muita energia na recuperação e com bola tentando levar a equipa para a frente, ainda que tal como toda a equipa tenha caído no segundo tempo, e Gaitán fez uma das melhores exibições dos últimos tempos, somando duas assistências que até poderiam ter sido mais não fosse o desperdício dos companheiros. Já Pizzi, que em toda a noite esteve muito abaixo do que é pedido, poderia mesmo ter sido o vilão do jogo (e quem sabe do campeonato), ao fazer um mau atraso nos descontos que isolou Arnold. Na frente, Jonas voltou a marcar e na fase de assédio, com a sua técnica e critério, ajudou a criar desequilíbrios, ao passo que Mitroglou não foi eficaz na finalização.

Vitória de Setúbal - Sensações melhores que nas últimas jornadas, com a equipa de Quim Machado a conseguir competir na casa do líder do campeonato, mas mais uma derrota que agrava uma segunda volta de pesadelo (são já 11 jogos sem vencer). Os sadinos entraram no jogo a ganhar, e depois sofreram imenso com a enorme pressão ofensiva do Benfica, não encontrando argumentos para a contrariar. Na segunda parte, o Vitória conseguiu ser melhor no jogo, e acabou por ficar muito perto de levar para Setúbal 1 ponto. No plano individual, Ricardo fez inúmeras defesas de bom nível, mantendo a equipa ligada ao jogo, ao passo que os centrais nunca conseguiram dar resposta aos problemas colocados pelos avançados do Benfica (são das duplas mais fracas da liga). Na frente, André Claro fez um golo e esteve perto do bis, enquanto que Arnold não aproveitou o brinde de Pizzi.

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