O 11 combinado de FC Porto e Sporting

O último Clássico da temporada será disputado em circunstâncias pouco habituais nos últimos anos. O FC Porto está fora da corrida pelos dois primeiros lugares, enquanto que o Sporting se encontra a dois pontos do primeiro posto, numa altura em que faltam disputar apenas três jornadas. Deste modo, o desafio do Dragão possui um carácter decisivo para o lado dos verde e brancos, que não poderão deslizar na Invicta. Os leões vêm de seis vitórias consecutivas, tendo a última derrota sido obtida numa partida desta dimensão, diante do rival Benfica, pelo que entrarão em campo, no próximo Sábado, com a moral em alta. Por outro lado, a formação de José Peseiro tem passado por alguns sobressaltos nos últimos tempos e acaba por ser uma incógnita aquilo que fará diante dos pupilos de Jorge Jesus. Existem algumas dúvidas em torno do 11 dos portistas, mas o factor casa e o orgulho ferido poderão ser aliados preponderantes na busca da vitória. Resta acrescentar que, apesar do Sporting ser um colectivo mais consolidado neste momento, os leões e Jorge Jesus têm passado por momentos muito complicados naquele estádio na última década. Assim, como vem sendo hábito, o VM projecta aquele que seria o 11 combinado de ambas as equipas:

Rui Patrício (Sporting) - José Peseiro declarou que, nos poucos desafios que restam até ao final da temporada, fará rotação na baliza, sendo que Casillas, à excepção do Clássico da Luz, não tem realizado exibições ao nível daquilo que muitos esperavam. Por outro lado, em Alvalade mora um guardião incostestável para os adeptos leoninos. Aos 28 anos, Patrício vive a sua melhor fase da carreira e tem lidado bem com o estatuto de guarda-redes de equipa que luta pelo título, respondendo quase de forma perfeita aos momentos em que é chamado a intervir. No desafio da primeira volta, foi crucial ao evitar que Aboubakar fizesse o gosto ao pé.
Maxi Pereira (FC Porto) - Após uma excelente exibição em Coimbra, o uruguaio será uma das peças nucleares e mais experientes do lado dos dragões neste confronto. Competente a defender, conhecedor perfeito do ambiente e da pressão destes jogos e capaz de oferecer grande profundidade ao corredor direito, Maxi é uma escolha consensual. Do outro lado, fica a dúvida se Jorge Jesus continuará a apostar em Schelotto, que vem de duas excelentes exibições, ou se preferirá colocar João Pereira do lado direito da defesa.
Coates e Rúben Semedo (Sporting) - O eixo defensivo de ambas as formações tem passado por muitas convulsões nesta temporada. Nos dragões, sobretudo desde que Maicon abandonou a Invicta, Peseiro viu-se obrigado a apostar, em primeiro lugar, em Chidozie e, posteriormente, a recuar Danilo. Indi tem sido o indiscutível do ano, mas continua sem convencer e os sobressaltos têm sido muitos durante quase todos os encontros. Por outro lado, Jorge Jesus reformulou todo o sector em Janeiro e o eixo da defesa ganhou outra dimensão. Coates é o patrão que não havia em Alvalade, acrescentando a sua experiência, força nos duelos e qualidade na saída de bola, enquanto que Semedo, o jovem que tinha ficado na retina de JJ na pré-época, também possui qualidade na construção e uma força física e uma velocidade que tornam esta dupla bastante complementar.
Miguel Layún (FC Porto) - O defesa/ala emprestado pelo Watford aos azuis e brancos conta com 15 assistências na Liga, tendo sido um dos principais municiadores do ataque da formação nortenha na primeira metade da temporada. No entanto, nos últimos jogos tem vindo a perder protagonismo e a aposta tem recaído em José Ángel. Todavia, é bastante provável que o mexicano regresse ao 11 neste Clássico, acrescentando a sua capacidade nas bolas paradas e oferecendo profundidade ao lado esquerdo portista, enquanto que, do outro lado, Jesus tem alternado a sua opção para o lado esquerdo da defesa, mas, desde que Jefferson começou a ter problemas físicos, nem Zeegelaar, nem Bruno César tem dado totais garantias.
Danilo Pereira (FC Porto) - Foi central nos últimos dois jogos, mas é no meio-campo onde mais pode render neste jogo. Tem sido o elemento mais regular do plantel portista nesta temporada e, possivelmente, o melhor médio defensivo da Liga, sendo que a sua capacidade capacidade física e de pressão, poder de recuperação de bola, velocidade e qualidade na primeira fase de construção poderão ser cruciais para combater o coeso meio-campo leonino. Do outro lado, William Carvalho tem vindo a subir de forma, mas não tem sido tão consistente como o médio defensivo dos dragões.
Adrien Silva (Sporting) - Um dos elementos que mais cresceu com Jorge Jesus. Nesta temporada, Adrien tem sido o melhor médio centro da Liga e a sua presença no 11 é vital para a formação verde e branca. Agressivo na recuperação de bola, cada vez mais lúcido e mais preciso no passe e com uma qualidade no transporte e no drible que até há bem pouco tempo não eram conhecidas, o capitão dos leões terá de estar no seu melhor para o objectivo no Dragão ser alcançado. Por outro lado, esta a posição 8 tem sido das mais inconstantes no FC Porto, sendo que ninguém se tem conseguido destacar.
Héctor Herrera (FC Porto) - O mexicano não é um dos jogadores mais valorizados pelos adeptos, mas tem sido o líder em campo nesta fase difícil e os seus 8 golos na Liga foram fundamentais em alguns triunfos. Nesta temporada tem actuado numa posição mais ofensiva, sendo-lhe permitida uma maior mobilidade em campo, algo que vai de encontro ao que fazia no México e que lhe possibilita apresentar um melhor rendimento. É um médio de ruptura e não de posse, muito inteligente nas movimentações que faz, que sabe atacar os espaços certos e que tecnicamente consegue fazer coisas muito interessantes.
João Mário (Sporting) - Uma das chaves da supremacia do meio-campo leonino na maioria das partidas nesta temporada. Não sendo um extremo, João Mário foi colocado por Jesus na meia direita e tem realizado uma excelente temporada. É o activo mais valioso do Sporting neste momento, possui uma qualidade técnica brutal, decide quase sempre bem e ao nível da finalização, aquele que lhe era apontado como o seu maior defeito, tem apresentado melhorias nesta segunda volta do campeonato. Já nos dragões, a faixa direita tem sido ocupada, maioritariamente, por Corona, que, após um grande arranque, se tem vindo a eclipsar durante a época.
Brahimi (FC Porto) - Tem feito uma temporada abaixo das expectativas, até porque dele muito se espera, mas continua a ser o principal desequilibrador dos dragões. Tecnicamente é o melhor jogador da Liga, mas muitas vezes abusa dessa qualidade técnica e torna-se pouco objectivo, privilegiando o individual em detrimento do colectivo. Nos últimos desafios foi suplente de Varela, mas a equipa melhorou sempre com a sua entrada e parece claro que o melhor FC Porto passa muito pelo melhor Brahimi. Deste modo, será uma surpresa se não for titular no Clássico, até porque o argelino tem uma especial apetência para brilhar nestes jogos grandes. Por outro lado, Bryan Ruiz seria o concorrente nesta posição, mas, possivelmente pelo desgaste, o nível do costa-riquenho baixou muito nesta segunda volta, algo que até levou Jesus a deixá-lo no banco no último desafio.
Slimani (Sporting) - O homem golo da turma de Jorge Jesus e que, nesta temporada, aumentou exponencialmente o seu rendimento. Leva 24 golos na Liga (28 na época, quase o dobro da época passada) e tem marcado em praticamente todos os jogos grandes da época, acrescentando ainda a sua habitual combatividade, capacidade para dar profundidade à equipa e força nas bolas paradas defensivas. Conseguiu evitar o cartão amarelo nestas últimas rondas e entrará no Dragão na máxima força. Do outro lado, há a curiosidade para perceber se José Peseiro manterá a aposta no jovem André Silva, que foi titular nas duas últimas rondas, ou se preferirá lançar Aboubakar ou Suk, elementos mais habituados a este tipo de desafios. 

Rodrigo Ferreira



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