Escândalo no Dragão: FC Porto derrotado pelo último; Tondela voltou a tramar um "grande"; Cláudio Ramos destacou-se na baliza; Luís Alberto marcou um golaço; Danilo Pereira foi o único "a remar contra a maré"

FC Porto 0-1 Tondela (Luís Alberto 59')

Adeus título? O FC Porto somou mais um escândalo (o Dragão deixou mesmo de ser uma fortaleza) ao perder em casa frente ao lanterna vermelha Tondela, e de uma assentada pode ter comprometido 2 objectivos: campeonato e ficar pelo menos na 2.ª posição. Os dragões, que agora estão agora a 9 pontos do Benfica (e a 7 do Sporting), acumularam várias oportunidades mas nunca conseguiram superar Cláudio Ramos e com o golaço de Luís Alberto aos 59 minutos revelaram alguma inércia para dar a volta aos acontecimentos. Mérito do conjunto de Petit, que depois de ter empatado em Alvalade volta a surpreender um grande, apesar da vitória (apenas a 4.ª na Liga) não mudar muito o panorama: os beirões continuam no fundo da tabela a 6 pontos da Académica e a 8 do Boavista.

No que toca ao encontro, o FC Porto entrou forte e esteve perto de inaugurar o marcador num cabeceamento de Danilo que Cláudio Ramos sacudiu. Os dragões mandavam no jogo e, numa jogada entre Corona (excelente pormenor) e Maxi, podiam ter chegado ao 1-0, mas o uruguaio não conseguiu servir nenhum colega. Pouco depois, a melhor oportunidade do primeiro tempo, com Aboubakar a cabecear ao poste. No entanto, com o passar dos minutos o Tondela foi ganhando confiança, subindo as suas linhas, e, embora não tenha conseguido criar ocasiões de golo (o lance mais perigoso foi um remate de fora da área de Luís Alberto), conseguiu controlar a partida e chegar ao descanso sem passar por grandes sobressaltos. A segunda parte começou com uma boa oportunidade para o Tondela, mas Nathan Jr rematou por cima, quando se encontrava em boa posição (não costuma perdoar), em mais um lance onde ficaram evidentes as lacunas defensivas dos homens da casa. Os visitantes continuavam confortáveis na partida, com o FC Porto a demonstrar alguma inércia para criar jogadas de perigo (nesta fase dependiam muito de Brahimi). Os pupilos de Petit conseguiram mesmo chegar à vantagem, com Luís Alberto a aproveitar a apatia defensiva dos azuis e brancos e a marcar um golaço, num remate em jeito ao ângulo. Em desvantagem, Peseiro arriscou e tirou Sérgio Oliveira de campo, lançando Suk. Logo de seguida, grande oportunidade para o FC Porto, mas Corona, após bela jogada, não conseguiu desfeitear (tinha tudo para fazer o golo) Cláudio Ramos. A formação nortenha começou a pressionar, com os forasteiros a remeterem-se ao seu reduto, mas sem nunca descurar as saídas para o contra-ataque. Já depois de um cabeceamento por cima de Martins Indi e um remate perigoso de Wagner, Peseiro voltou a mexer, substituindo Layún por Varela. Suk esteve perto de empatar num canto, mas mais uma vez Cláudio Ramos opôs-se bem, enquanto que, depois de Danilo ter cortado um contra-ataque de 3 para 1 (e já com Marega em campo, saindo Brahimi), Aboubakar esteve perto de ser feliz, mas o guardião do Tondela fez mais uma excelente defesa e segurou os 3 pontos.

FC Porto - Nada de novo nesta versão 2016: desde que Peseiro assumiu o comando da equipa os jogos têm sido um suplício, quase todos ganhos na adversidade e dificuldade, mas que, de uma forma ou outra, culminavam com os 3 pontos e com o manter da crença em relação ao título. Hoje o desfecho foi diferente e a incapacidade da equipa em aproveitar as ocasiões criadas foi notória, com destaque negativo para Aboubakar (completamente falhada a exibição do Camaronês), Brahimi (saiu assobiado) e quase todos os elementos do meio-campo para a frente. Herrera e Sérgio Oliveira foram uma nulidade, sendo que Danilo continua a evidenciar-se na letargia que são os dragões. O médio tem sido preponderante com e sem bola, interceptando grande parte do fluxo ofensivo dos rivais, não se inibindo de subir no terreno e somar boas decisões (na 1.ª parte isolada Aboubakar que, ao falhar uma recepção orientada, desperdiça o lance). Peseiro, que não teve prenda em dia de aniversário, ainda tentou mudar o rumo dos acontecimentos com as entradas de Marega, Suk e Varela (não actuava há 1 mês), mas sem sucesso. Com esta derrota os lugares da frente ficam ainda mais complicados e a taça de Portugal parece ser a possível salvação da época.

Tondela - Os beirões estão praticamente condenados à despromoção, mas a forma como têm incomodado os grandes, em especial fora do seu reduto, é de destacar e não é ao acaso que esta vitória acontece, já que a equipa de Petit, a par de Arouca e Moreirense, é uma das 3 que conseguiu marcar no terreno dos três grandes. Depois de um início pouco prometedor, o Tondela reorganizou-se e conseguiu impedir as iniciativas que vinham sendo frequentes nos primeiros minutos, chegando ao momento da transição onde não conseguiu ser devidamente eficaz para explorar uma das fraquezas deste Porto. Com Lucas Souza (imensas recuperações), Cláudio Ramos (impediu o golo várias vezes, com destaque para algumas manchas) e Luís Alberto (um golo que vale três pontos) em bom plano, ficaram claras, ainda assim, algumas fragilidades desta equipa, fruto de individualidades pouco criativas e assertivas no último terço, que desperdiçam inúmeras situações de superioridade numérica em função de más decisões que acumulam. Em suma, uma vitória justa, mas que dificilmente será suficiente para assegurar a manutenção (veremos se funciona como estímulo para um milagre).

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