Barcelona eliminado; Grande Atlético evita que os catalães façam história; Messi e Neymar não estiveram ao nível de Griezmann

Atlético de Madrid 2-0 Barcelona (Griezmann 36', 88' gp)

Ainda não é desta que uma equipa revalida o título na Liga dos Campeões. O Atlético de Madrid agravou o mau momento do Barcelona e eliminou os Culés, vencendo por 2-0 no Vicente Calderón. Numa grande partida dos homens de Simeone (sempre com uma organização defensiva impecável e conseguindo criar vários lances de perigo no ataque), Griezmann, com um bis, foi o herói da noite e demonstrou que é um nome a ter em conta para a Bola de Ouro (está a realizar uma época de sonho e pode ser a estrela do Euro'2016). Já o conjunto de Luis Enrique não voltará a conquistar o triplete, sendo que o trio MSN teve outra noite sem inspiração.

Quanto ao encontro, começou com o Atlético a pressionar de forma muito intensa a saída de bola do Barcelona, conseguindo assim recuperar o esférico em zonas muito adiantadas e criar algum perigo. Com efeito, nos primeiros minutos, Gabi e Griezmann tiveram boas chances para marcar, mas a pontaria não foi a melhor. Com o passar do tempo, os culés foram tendo a bola por períodos mais prolongados, conseguindo quebrar o ímpeto dos colchoneros, e por um grande período o jogo foi disputado longe das balizas, com muitas cautelas de ambas as partes. Até que, quando o jogo estava neste impasse, chegou o primeiro: cruzamento de trivela de Saúl da direita que encontra Griezmann e o francês de cabeça bate Ter Stegen, dando vantagem à equipa da casa aos 36', resultado com que chegou o desafio ao intervalo. No segundo tempo, os catalães continuaram com muitas dificuldades, sem conseguir penetrar no bloco rival, que sempre que se juntava atrás fechava todos os espaços. As primeiras chances da etapa complementar foram mesmo dos homens de Simeone, primeiro com um par de transições perigosas (Carrasco deixava a defesa contrário em sentido) e depois com Saúl, aos 54', a cabecear à barra. A partir deste lance, o Barça melhorou, voltando a dominar os acontecimentos, conseguindo chegar perto da baliza de Oblak mas ainda assim criando pouco perigo, enquanto os locais não deixavam de procurar o segundo no contra-ataque (Griezmann em boa posição rematou para defesa de Ter Stegen). Com o aproximar do final do jogo, os visitantes foram encostando cada vez mais os locais à sua baliza, mas estes tapavam todos os caminhos e, apesar de um ou outro susto, os blaugrana raramente dispuseram de oportunidades para rematar em posição privilegiada (as duas melhores foram de Suárez, mas para as mãos de Oblak). Até que já em cima do final Felipe Luís cavalga dezenas de metros e, já dentro da área, solta para Griezmann mas Iniesta corta com a mão, cometendo uma grande penalidade que o francês não desperdiçou, bisando e colocando o Atlético de Madrid nas meias-finais da Champions League.

Atlético de Madrid - Os homens de Simeone continuam a fazer história. Os colchoneros voltaram a presentear a sua magnífica "Afición" com uma noite mágica  (são já vários nos últimos 4 anos) e estão nas meias-finas da mais importante prova de clubes do mundo pela segunda vez em 3 anos. Uma vez mais, a equipa foi cem por cento fiel ao seu plano de jogo, começando por pressionar alto para tentar forçar o erro e criar ocasiões de perigo, recuando depois para junto da sua baliza e aplicar a sua bestial defesa nos últimos 30 metros (é impressionante a forma como os rojiblancos fecham todos os caminhos para o golo, com uma concentração, abnegação e solidariedade notáveis). Os dois golos acabam por ser um prémio justo para o conjunto que, de longe, mais perigo criou (há ainda um remate de Saúl à barra e várias transições muito perigosas). Individualmente, Oblak tem cada vez mais de ser considerado para melhor guarda-redes do mundo, já que dá uma segurança brutal a quem está à sua frente, estando sempre bem colocado e surpreendendo pela facilidade com que agarra remate que outros deixam "vivos", ao passo que toda a linha defensiva teve nota altíssima, sobretudo Juanfran (levou Neymar, literalmente, ao desespero) e Filipe Luís (fundamental no segundo golo). No meio-campo, Gabi voltou à forma de há 2 anos (é a extensão de Simeone dentro de campo) e Saúl está, definitivamente, a viver a sua plena afirmação como jogador de elite: imensa capacidade de trabalho, muita capacidade física e capacidade com bola, fazendo uma assistência deliciosa para o primeiro golo do encontro. Na frente, Carrasco foi essencial a esticar o jogo e Griezmann é o homem da noite, com 2 golos que carimbam o apuramento da equipa, revelando que na finalização é um jogador de excelência.

Barcelona - Há um mês os culés pareciam a caminho de nova temporada gloriosa, mas em pouco tempo tudo mudou. Após os tropeços na liga, o conjunto de Luis Enrique teve nova exibição muito abaixo do exigível, sem ter uma circulação de bola fluída, com enorme dificuldade para criar perigo e dando muitas veleidades defensivas. O pior de tudo é mesmo a sensação de que só com um rasgo individual de um dos homens da frente os culés poderia ter dado a volta ao texto, o que reflete bem o que é, neste momento, um colectivo com poucas ideias. Individualmente, Ter Stegen acabou por ser dos melhores, já que fez algumas boas intervenções, sendo que a defesa leva nota negativa, pela dificuldade em lidar com a velocidade de Carrasco e as movimentações de Griezmann. No meio-campo, Iniesta foi dos que mais tentou remar contra a maré, mas nunca foi bem acompanhado pelos homens da frente, que segue desaparecidos: Neymar nunca conseguiu superar Juanfran, pecou muitas vezes na decisão e revelou mesmo falta de controlo emocional pela forma como agrediu o lateral já perto do fim, Suárez, que ainda assim foi o melhor do tridente (deu trabalho aos centrais), teve pouco espaço e em duas situações deveria ter finalizado melhor (rematou demasiado ao centro da baliza) e Messi, que vai em 5 jogos pelo Barça sem marcar, também não fez a diferença, perdendo-se na teia defensiva do adversário. Veremos que consequências terá esta eliminação para o final de temporada, sendo certo que se este mau momento se prolongar o que parecia ser uma temporada de sonho pode virar um pesadelo.

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