31: Xeque

O xadrez é um jogo que tem como princípios basilares o raciocínio, a concentração e a estratégia. O objectivo passa por derrubar o adversário peça a peça, num caminho lento para a glória. Pois bem, é possível replicar tal metodologia no futebol. A vitória é possível de alcançar de diversas formas, mas muitas vezes a persistência é a chave do sucesso. Foi isso que aconteceu em Vila do Conde. O Benfica entrava em campo com a mesma meta de sempre. Por outro lado, os vilacondenses eram vistos como a última grande barreira das águias para alcançarem o tricampeonato. Deste modo, a partida foi, tal como se esperava, bem disputada, equilibrada até certa altura, mas, na segunda parte, os encarnados assumiram o seu favoritismo e acabaram por chegar ao golo. Jardel e Fejsa empurravam os companheiros para mais três pontos, não concedendo quaisquer facilidades ao opositor, que não conseguiu incomodar Ederson. Em face do apagão de Pizzi e Mitroglou e da desinspiração de Jonas e Gaitán na hora de atirar à baliza, o herói voltou a sair do banco. Tratava-se de uma peça conhecida por todos no tabuleiro, pois não foi a primeira vez que Jiménez carimbou os três pontos para a turma de Rui Vitória. Na verdade, o mexicano está com faro de golo e os adeptos agradecem. Olhando a outra face da moeda, André Villas-Boas acabou por ser o réu da jogada, aniquilando completamente as aspirações do conjunto de Pedro Martins. Assim, estava consumado o xeque ao título, restando confirmar tal vantagem nos últimos três desafios do campeonato. Em Lisboa, o Sporting recebia um frágil União, uma formação que se apresentava em Alvalade sem vários titulares. Tendo em conta o carácter decisivo do confronto com a Académica na próxima ronda e a dificuldade deste duelo, Norton de Matos deixou de fora Paulo Monteiro, Gian, Élio Martins e Paulinho e o desfecho acabou por ser o esperado. Gudiño deu uma “ajuda” a Teo Gutiérrez no primeiro golo, enquanto que o tento de João Mário nos minutos seguintes sentenciou uma partida que não teve grande história. O ritmo por parte dos leões nunca foi elevado, mas, à excepção de uma ou outra falha dos elementos verde e brancos, a vitória nunca pareceu estar em causa. Bryan Ruiz foi o grande ausente do 11, embora seja notório o seu desgaste nesta fase da temporada, enquanto que Schelotto e Adrien foram os dois motores principais da turma de Jorge Jesus. Destaque ainda para Zeegelaar, que bisou nas assistências. Por fim, o FC Porto enfrentava a aflita Académica, em Coimbra, tendo Pedro Nuno voltado a facturar perante um grande do futebol português. Contudo, os dragões, apesar do ritmo baixo, possuem um elenco manifestamente superior em termos qualitativos e acabaram por conseguir dar a volta ao texto. André Silva foi de novo titular, ao contrário de Brahimi, que saltou do banco para oferecer o triunfo. Por outro lado, Danilo manteve-se a central e Rúben Neves aproveitou a oportunidade para deixar a sua marca com um golaço. Ainda assim, o maior destaque esteve na baliza, onde não se viu Casillas pela primeira vez nesta Liga. 

Em relação aos restantes desafios, o Sp. Braga foi derrotado em Paços de Ferreira, tendo Diogo Jota (12 golos e 8 assistências na Liga) sido o protagonista novamente. Ainda na luta pela Europa, o Arouca aumentou a vantagem no 5º lugar, ao vencer nos Barreiros, enquanto que o Estoril não foi além de um empate no D. Afonso Henriques. Já na luta pela manutenção, o Moreirense carimbou a permanência na Choupana, graças a um golo madrugador de Vítor Gomes, enquanto que o Tondela, que reentrou na luta com mais um tento de Pica, e o Boavista somaram importantes triunfos nesta jornada.

Equipa da Jornada: Boavista – Os axadrezados somaram uma vitória que se poderá revelar decisiva na luta pela manutenção. Zé Manuel foi novamente o atirador de serviço, mas o conjunto de Sánchez voltou a rubricar uma boa exibição no Bessa, tendo em Rúben Ribeiro (grande reforço, sem dúvida) o maestro de uma equipa que tem subido progressivamente de produção.

Equipa Desilusão: V. Setúbal - Depois de uma primeira volta bem conseguida e com um futebol atractivo, os sadinos caíram muito de produção e somam apenas 5 pontos nesta segunda volta. A saída de Suk provocou um terramoto na equipa, tal era a dependência dos movimentos e dos golos do sul-coreano, sendo que as deficiências e inexperiência do plantel em alguns sectores têm vindo à tona nestas últimas jornadas. Ainda assim, o conjunto de Quim Machado mantém-se 5 pontos acima da linha de água, embora a manutenção não esteja garantida.

Melhor 11 da 31ª Jornada da I Liga: Ricardo Ribeiro (Belenenses), Maxi Pereira (FC Porto), Pica (Tondela), Jardel (Benfica), Zeegelaar (Sporting), Fejsa (Benfica), Tahar (Boavista) Vítor Gomes (Moreirense), Rúben Ribeiro (Boavista), Diogo Jota (Paços de Ferreira), Zé Manuel (Boavista)

Melhor Jogador: Diogo Jota (Paços de Ferreira) – O criativo dos pacenses tem sido uma das maiores revelações da temporada e voltou a apresentar um nível bastante elevado diante do Sp. Braga. Possui uma capacidade de aceleração fora do comum, dribla com facilidade os opositores, é extremamente inteligente na forma como percorre o terreno de jogo e tem conseguido acrescentar golos às suas exibições. Veremos é se o ingresso no Atl. Madrid será um passo em frente ou um obstáculo à sua evolução.

Jogador Desilusão: Bruno Moreira (Paços de Ferreira) – No polo oposto, outro jogador do Paços. Depois de uma primeira volta muito bem conseguida ao nível da finalização, o dianteiro dos pacenses conta apenas com três golos na segunda volta e não marca há mais de dois meses. Nesta ronda teve duas possibilidades claras para facturar, mas não teve êxito, sendo que, se alguns ainda pensavam que teria possibilidades de marcar presença no Europeu, as palavras de Fernando Santos e estas prestações recentes terão acabado com o sonho do avançado da turma de Jorge Simão.

Jogador a Seguir: André Silva (FC Porto) – José Peseiro voltou a apostar no avançado formado nos dragões nesta jornada, em detrimento de Aboubakar e Suk, e o jovem de 20 anos realizou uma boa exibição em termos gerais. Na verdade, fica a curiosidade em perceber se permanecerá no 11 diante do Sporting e se esta se trata de uma aposta por convicção ou por necessidade, mas parece claro que a bancada gosta desta opção do treinador dos dragões.

Rodrigo Ferreira

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