30: Sofrido

Na 30ª jornada da Liga, em tempos a última do campeonato, o Sporting enfrentava o Moreirense num terreno pouco cómodo para as equipas grandes. Mesmo não contando com 4 titulares, sendo Iuri Medeiros a baixa de maior peso, o jogo foi complicado para os leões, que perante um bloco recuado voltaram a apresentar dificuldades em criar situações de golo. Valeu o golo de Slimani, um tento que tem provocado alguma polémica na opinião pública nos últimos dias, mas que mantém a turma de Jorge Jesus na corrida pelo título. Numa partida sem grandes destaques e onde os criativos leoninos estiveram em claro défice, sobressaiu o esforçado Schelotto, bem como o espírito combativo de Adrien. Do lado do Moreirense, o conjunto de Miguel Leal só nos últimos 15 minutos quis discutir o resultado, tendo em Boateng o elemento mais irreverente. Rafael Martins lutou muito, mas saiu esgotado e não teve possibilidades de visar a baliza de Patricio, que apenas foi incomodado em situações de bola parada, algo em que o Sporting cresceu muito com Jorge Jesus. Por outro lado, o Benfica tinha em mão um desafio que, teoricamente, era acessível, visto que o adversário é uma das três piores equipas do campeonato. No entanto, tal como acontecera com Boavista e Académica, as águias voltaram a proporcionar uma exibição irregular, cinzenta por vezes, mas onde uma meia hora endiabrada acabou por fazer a diferença. O Vitória fez tremer a Luz no início e no fim, mas Arnold não conseguiu ser tão feliz como André Claro e acabou a chorar. Já Jonas somou mais um golo na corrida pela Bota de Ouro, enquanto que Mitroglou não teve a mesma eficácia das últimas rondas. Na verdade, os heróis acabaram por ser Jardel, que, numa excelente exibição, garantiu os três pontos, e Ederson, ao impor a sua lei no último lance do encontro. Já Nélson Semedo não soube aproveitar a oportunidade concedida por Rui Vitória. Por fim, o FC Porto, depois do pesadelo das últimas duas jornadas e no primeiro desafio do novo mandato de Pinto da Costa, garantiu um triunfo fácil diante do Nacional da Madeira. Aos 9’ a turma de José Peseiro já vencia por 2-0 e, em contraste com o que se verificou com o União da Madeira, a capacidade de gestão da partida foi outra, tendo Danilo (central desta vez) e Aboubakar alimentado o ego azul e branco. Por outro lado, Peseiro voltou a utilizar um 11 surpreendente, apostando em Ángel, Rúben Neves e no miúdo André Silva, que realizou uma boa exibição. Já Layún e Chidozie ficaram no banco de suplentes, enquanto que Varela agradeceu a aposta do treinador com um golaço. 

Na luta pela Europa, Arouca e Rio Ave enfrentavam-se com o objectivo 5º lugar. No entanto, o duelo terminaria sem golos, sendo que o estado do relvado não proporcionou um grande espectáculo. Bracalli e Cássio foram dois obstáculos inultrapassáveis para os avançados, tendo Kuca sido o principal desequilibrador do encontro alinhando numa zona mais central. Mais acima e praticamente já sem objectivos nesta Liga, o Sp. Braga levou a melhor diante do lanterna vermelha, distribuindo os golos pelos seus avançados. Já o Estoril teve dificuldades em destronar o Boavista, mas Marion deu alguma justiça ao marcador aos 87 minutos, enquanto que o Paços de Ferreira, que há duas rondas parecia fora da corrida, conseguiu triunfar na Madeira graças a um tento de Diogo Jota também nos minutos finais. A turma de Norton de Matos esteve a vencer por 2-0, permitiu a reviravolta no marcador e, após alcançar o empate, parecia que o resultado estava feito, mas a verdade é que o jovem prodígio dos pacenses tinha mais um truque na manga. Nos Barreiros, num encontro entre equipas já sem objectivos, o Marítimo aplicou um esclarecedor 3-0 ao V. Guimarães, beneficiando da expulsão de Dalbert e de uma tarde inspirada de Fransérgio. Por fim, destaque para o empate da Académica no Restelo, um ponto que poderá ser importante na luta pela manutenção no principal escalão do futebol português. Todavia, os Estudantes continuam sem vencer fora de portas e continuam dois pontos abaixo da linha de água.

Equipa da Jornada: FC Porto – Após duas derrotas inesperadas, perante Tondela e Paços de Ferreira, os dragões não tremeram diante do Nacional da Madeira, um clube que nos últimos anos criou alguns dissabores no Dragão, e aplicaram uma goleada. Aos 10 minutos a partida ficou resolvida, sendo que a capacidade para gerir o resultado foi outra quando comparada com os desafios anteriores com José Peseiro no comando. Estando os dois primeiros lugares praticamente entregues, resta aos azuis e brancos lutarem pela honra e prepararem-se o melhor possível para a final da Taça de Portugal.

Equipa Desilusão: V. Guimarães – A turma de Sérgio Conceição não vence há 10 jornadas e por aquilo que se tem assistido fica a ideia de que a época já terminou na cabeça dos jogadores do Vitória. Uma equipa descrente, que continua a cometer erros primários (desta vez foram Dalbert e João Afonso a entregar o ouro) e com pouca capacidade para importunar os adversários. A expulsão e o penalty duvidoso não ajudaram à recuperação dos vimaranenses, mas aquilo a que se tem assistido é demasiado pobre e nem os “castigos” do treinador tem proporcionado melhorias naquele que será o pior plantel dos últimos anos.

Melhor 11 da 30.ª jornada da I Liga: Mika (Boavista), Schelotto (Sporting), Diego Carlos (Estoril), Jardel (Benfica), José Ángel (FC Porto), Herrera (FC Porto), Fransérgio (Marítimo), Rafa (Sp. Braga), Varela (FC Porto), Diogo Jota (Paços de Ferreira), Stojiljković (Sp. Braga)

Jogador da Jornada: Fransérgio (Marítimo) – Uma exibição em cheio do brasileiro. Nelo Vingada manteve a aposta no mesmo 11 de Alvalade e deu-se bem, tendo Fransérgio apontado os dois primeiros golos da formação madeirense. Partindo originariamente da posição de médio ofensivo, o centrocampista de 25 anos aproveitou da melhor maneira as movimentações de Djoussé, que também marcou, para as alas, criando inúmeros desequilíbrios na defensiva vitoriana. Além dos golos, foi o responsável pela expulsão de Dalbert.

Jogador Desilusão: Pizzi (Benfica) – Prestação discreta do internacional português e que poderia ter terminado em drama. Muito se falou da ascensão de Renato Sanches e da melhoria que esse factor trouxe à equipa, mas a verdade é que o melhor Benfica da época foi sinónimo do melhor Pizzi e com o apagão do criativo nos últimos encontros as águias tem evidenciado uma maior irregularidade nas suas exibições.

Jogador a Seguir: Toni Gorupec (V. Setúbal) – Vindo do Astra Giurgiu, da Roménia, o croata não tem sido uma aposta regular de Quim Machado (apenas 602 minutos na Liga), mas conseguiu das nas vistas no Estádio da Luz. Tirando um cruzamento perigoso de Gaitán no primeiro tempo, o lateral de 22 anos conseguiu lidar bem com o argentino e, além disso, esteve na assistência para o golo de André Claro.

Rodrigo Ferreira

Etiquetas: