29: Até ao fim

A jornada 29 da I Liga trouxe novo capítulo no mano-a-mano entre Benfica e Sporting, numa luta que, apesar de envolver dois gigantes do nosso panorama desportivo, não tem sido muito vulgar nos últimos anos. Na ressaca da viagem a Munique, os encarnados foram a Coimbra defrontar a aflita Académica, mas apesar da má classificação do adversário o desafio foi bastante difícil, com os estudantes, fechados junto da sua baliza, a dificultarem muito a tarefa dos homens de Rui Vitória. Depois do antigo jogador das camadas jovens do Benfica Pedro Nuno ter dado vantagem aos estudantes começou a desenhar-se um cenário de dificuldades para o líder da liga, o qual foi apenas atenuado pelo golo do empate de Mitroglou. Muitos nervos, muita tensão e uma muralha defensiva iam abrindo a possibilidade de haver uma surpresa que permitisse ao Sporting colar-se ao eterno rival no topo da tabela. Mas este campeonato parece mesmo ser propícios a finais perto do fim, e tal como no Bessa o Benfica chegou à vitória muito perto do apito do árbitro, desta feita com Jiménez, que não marca muito mas sempre que o faz é em momentos importantes (Moreirense na Luz, Astana no Cazaquistão ou Nacional para a Taça da Liga), a dar a vitória por 2-1. Este triunfo significa que continuam dois pontos a separar os rivais da Segunda Circular, já que também o Sporting saiu vitorioso na receção ao Marítimo, por 3-1. Apesar da boa resposta dos Insulares, o conjunto de Jorge Jesus voltou a revelar uma boa dinâmica ofensiva, sobretudo no segundo tempo, chegando aos 13 golos nas últimas 3 jornadas. Nesta fase, 3 nomes destacam-se claramente no elenco verde e branco: Teo Gutiérrez, que após muitas polémicas está na melhor fase da temporada, com 5 golos nas últimas 3 partidas; William Carvalho, que também está em franca subida de rendimento (com mais critério e eficácia com bola e mais agressivo e pressionaste sem ela) e culminou a exibição com um belo tento; e, claro, Slimani, que voltou a marcar (são já 27 golos pelo Sporting esta temporada). Assim, cumpriu-se mais uma jornada em que a única alteração na corrida ao título de campeão nacional é que agora já só faltam 5 partidas para o final.

Cada vez mais afastado destas contas do topo da tabela está o FC Porto. Depois de uma semana conturbada, com Pinto da Costa, na ressaca da estrondosa derrota frente ao Tondela, a vir a público dizer que "a época acabou", os jogadores levaram a mensagem do presidente à letra, encarando a deslocação a Paços de Ferreira como um jogo de pré-época. Um golo de Jota (grande época) chegou para derrotar os Dragões, que terão de começar a dar uma resposta mais positiva para não tornar este final de época em algo de muito penoso (não esquecendo que há ainda uma final da taça - que não só pode permitir voltar aos títulos quase 3 anos depois como pode significar a oportunidade de abrir a época seguinte com a conquista da Supertaça - e que se a equipa continua nesta dinâmica chegará ao Jamor num péssimo momento anímico). A sorte dos azuis e brancos é que o Braga nas últimas 7 jornadas obteve somente 2 vitórias, já que se os Gverreiros tivessem mantido o rendimento das anteriores jornadas estariam agora bem perto dos Portistas. Num encontro no meio da eliminatória frente ao Shakhtar na Liga Europa, a turma de Fonseca empatou em casa frente ao Moreirense, não tendo perdido graças a um golo de Boly perto do fim, que evitou que a equipa de Miguel Leal praticamente carimbasse a manutenção. Na luta pela Liga Europa, Arouca (que empatou com o Boavista, que assim ganhou um ponto ponto à Académica) e Rio Ave (que bateu o Vitória de Guimarães que disse adeus às competições da UEFA) estão agora empatados no quinto lugar e começam a construir uma boa almofada para os perseguidores, já que estão com mais 6 pontos do que Paços e Estoril. A equipa da Linha, na semana da renovação de Fabiano, foi goleada frente a um Nacional em grande forma (5 vitórias nas derradeiras 6 jornadas) que passou de lutar pela descida para estar já dentro do top-10. Mais abaixo, o Vitória de Setúbal continua sem conseguir garantir que jogará na I Liga em 2016/2017, seguindo em crise de resultados (é a pior equipa da segunda volta) e tendo sido vergado em casa pelo Belenenses. Quem não quer deitar a toalha ao chão e promete lutar até ao fim por ficar no principal escalão do futebol nacional é o Tondela, que depois de ir vencer ao Dragão voltou a vencer, desta feita um rival directo (o União da Madeira) e quererá aproveitar esta boa dinâmica para tentar continuar a diminuir a distância para as equipas que estão acima na tabela (de momento, a Académica tem mais 3 pontos e o Boavista e o União da Madeira mais 6).

Equipa da Jornada: Nacional - O conjunto insular despachou o Estoril, que em 2016, na Liga, só tinha perdido com os quatro da frente, com um expressivo 4-1, aproximando-se da equipa da Linha na tabela classificativa. Os madeirenses somam 5 vitórias nos últimos 6 desafios, estando a realizar uma segunda volta muito mais competente, algo já habitual nas equipas de Manuel Machado. Ainda assim, a Europa já está a 7 pontos de distância.

Equipa Desilusão: FC Porto - Pinto da Costa pediu uma reacção mas, na Mata Real, assistiu-se novamente a uma equipa sem brilho e, à excepção dos minutos finais, sem grande capacidade para incomodar o adversário. A derrota acaba por ser demasiado penalizadora, mas este é um daqueles casos em que tudo aquilo que pode correr mal corre mesmo. Os lugares da frente estão cada vez mais distantes, sendo o play-off da Champions uma realidade cada vez mais presente no pensamento da próxima temporada, mas parece claro que só a vitória da Taça poderá maquilhar uma época bastante negativa até à data. 

Melhor 11 da 29ª jornada da I Liga: Bracalli (Arouca), Lionn (Rio Ave), Pica (Tondela), Boly (Sp. Braga), Evaldo (Moreirense), William Carvalho (Sporting), Nenê Bonilha (Nacional), Salvador Agra (Nacional), Witi (Nacional), Diogo Jota (Paços de Ferreira), Soares (Nacional)

Melhor jogador: William Carvalho (Sporting) - O médio defensivo dos leões parece apostado em realizar um final de época de melhor nível, tendo sido o melhor em campo no duelo diante do Marítimo. Autor de um dos golos (um belo drible seguido de um potente remate com o pior pé) e com influência noutro, William parece mais solto, mais disponível até em missões ofensivas e com outra presença no miolo do terreno. Veremos se o nível é para manter, pois o Sporting e a Selecção precisam deste William. 

Jogador Desilusão: Cafú (V. Guimarães) - A estrutura e o plantel vimaranense desmentiram há algumas semanas o hipotético atrito entre os jogadores e Sérgio Conceição, bem como o caso de indisciplina que envolveria Cafú, mas a verdade é que o rendimento da equipa tem baixado de jornada para jornada, o futebol praticado é pobre e o capitão do Vitória, que naquela forma anterior seria um indiscutível entre os convocados da Selecção Olímpica, acaba por ser um dos rostos dessa quebra dos minhotos. Nesta ronda foi substituído e, estando os lugares europeus a uma distância já de 10 pontos, parece evidente que o Castelo passará mais uma época sem Europa.

Jogador a Seguir: Pedro Nuno (Académica) - Leandro encontrava-se castigado e o jovem formado na Académica assumiu as rédeas do meio-campo ofensivo da Briosa. Os Estudantes raramente ultrapassaram a linha do meio-campo, mas o jovem de 21 anos, que já tinha marcado em Arouca, voltou a facturar, tendo dado esperanças em relação à possível conquista de pelo menos um ponto durante uma grande parte do encontro. Parece claro que consigo em campo o meio-campo da turma de Gouveia ganha uma maior qualidade, sendo que, numa equipa com tanta dificuldade para ter a bola, a presença de Pedro Nuno pode ser importante nestes últimos desafios na luta pela permanência.

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