Slimani pressiona Benfica

Estoril 1-2 Sporting (Bonatini 79'; Slimani 5' e 45')

Com o "desaparecido" Islam Slimani em grande destaque o Sporting, que manteve a tendência de 2016 em ser melhor fora de casa, derrotou o Estoril voltando a assumir, ainda que à condição, a liderança da Liga com mais 1 ponto que o Benfica. Os leões, apesar de terem terminado o jogo a sofrer, foram quase sempre melhores mas foi Slimani, que vinha de uma série de 5 jogos sem marcar, a fazer a diferença, com 2 golos (o 1.º foi um tiraço), bis que lhe permitiu chegar aos 20 tentos no campeonato. Patrício, com uma defesa importante no arranque da 2.ª parte, também se destacou. William deu igualmente continuidade ao bom momento que tem apresentado nas últimas partidas. Num jogo em que Jesus voltou a mudar 75% do sector defensivo, com SemedoSchelotto e Zeegelaar a regressarem ao 11. Nos estorilistas, o inevitável Bonatini, que chegou aos 15 golos na Liga, foi o jogador em foco.

Em relação ao encontro, o Sporting entrou a dominar desde o início, tendo em Schelotto o primeiro dinamizador do ataque leonino. Aos 5 minutos, após um lançamento longo do italo-argentino, Yohan Tavares corta de forma incompleta e Slimani, após tirar um adversário do caminho, mete um tiraço no ângulo. O conjunto de Jorge Jesus entrava assim praticamente a vencer. Do outro lado, Gerso tentava agitar (bom cruzamento aos 8 minutos, cortado exemplarmente por Semedo), mas sem grande sucesso. Pouco depois, João Mário isolou Teo, mas o colombiano, já quase sem ângulo, atirou à figura. Depois foi Schelotto a disparar por cima, enquanto que Ruiz, após um brilhante calcanhar de Slimani, voltou a vacilar na finalização, disparando ao lado quando se encontrava em posição frontal. A partida tornou-se mais equilibrada com o decorrer dos minutos, mas, em cima do final da 1.ª parte, Teo combinou com Ruiz na extrema esquerda e o costa-riquenho cruzou com qualidade para a cabeça de Slimani que, aproveitando a apatia de Kieszek na baliza estorilista, não teve dificuldade em se superiorizar nas alturas a Babanco e em fazer o segundo da formação de Jorge Jesus na Amoreira. No 2.º tempo, o Estoril trouxe outra atitude e, sobretudo, foi mais directo. Mendy, isolado, teve nos pés a hipótese de reduzir, mas Patrício disse presente. Pouco depois foi Gerso a rematar para as mãos do guarda-redes leonino, enquanto que do outro lado Slimani não conseguiu voltar a marcar na cara de Kieszek. A melhor oportunidade viria a ser de João Mário que, completamente isolado e com espaço, atirou de forma displicente ao lado. Após tanto desperdício, aproveitou o Estoril que, num canto, viu Bonatini reduzir o marcador, após um primeiro cabeceamento de Yohan (Schelotto demorou a subir). Até final, os Canarinhos tentaram o golo do empate, apostando muito no jogo directo (Fabiano Soares lançou Michael Morais, ficando com 3 avançados), mas, apesar da intranquilidade dos leões nos minutos finais (uma perda de bola desnecessária de Ruiz e um cabeceamento de Mendy em cima do apito final) o conjunto de Jorge Jesus conseguiu manter o triunfo, voltando assim a vencer num terreno onde não somava os 3 pontos desde 2004.

Estoril - Os canarinhos, que vinham da melhor fase da época, deram uma imagem frouxa e pouco capaz de fazer frente a um Sporting ferido da derrota no derby. Fabiano Soares operou algumas mudanças no 11, com particular destaque para a titularidade de Esiti por vez de Afonso Taira, mas a equipa foi dominada no 1.º tempo, em toda a linha. Prova disso foi o momento em que conseguiu o primeiro remate enquadrado com Patrício, já nos segundos 45 minutos. Apesar dessa incapacidade em incomodar a baliza do Sporting, a segunda parte da equipa da linha foi diferente, não por qualquer alteração vinda do banco, mas antes pelo relaxar da equipa de Jesus que permitiu o subir de linhas da equipa, explorando a velocidade dos seus alas e o jogo que Bonatini conseguiu criar ao cair em zonas fora do seu conforto. Individualmente a grande figura da equipa continua a ser o jovem brasileiro que leva 52% dos golos do Estoril na liga (o avançado com mais influência directa nos golos apontados pela equipa), tendo mostrado mais valências que até hoje não havia conseguido exibir (assistiu colegas, caiu nas alas, criou espaços para os seus companheiros), ao contrário dos seus colegas que tiveram uma noite para esquecer, em especial Matheus e Gerso (o elemento que mais agitou a 1.ª parte). Quem também sai com culpa directa nos golos é Kieszek, em particular no 2.º de Slimani, onde tem uma abordagem deficiente ao cruzamento de Ruiz.

Sporting - Jogo peculiar do conjunto de Jorge Jesus: Entrada forte e determinada que culminou em 2 golos logo na 1-ª parte, dando sentido ao controlo total de operações,  e oportunidades suficientes para conseguir até um resultado expressivo, mas que com o passar do tempo foi sinal de intranquilidade, terminando o jogo com imensas dificuldades. O homem da partida foi, sem qualquer dúvida, Slimani que esteve letal com dois excelentes golos, o primeiro após um trabalho individual e, o segundo, no seu habitat natural, com uma bela cabeçada. Crucial foi, de igual modo, Rui Patrício que apesar do pouco trabalho teve uma parada decisiva no frente a frente com Mendy, para além de não ter tremido num final de partida atribulado. Ainda assim, e num sector defensivo em permanente alteração, destaque para a profundidade de Schelotto (muito interventivo, apesar de algumas lacunas técnicas) e a qualidade de Semedo/Coates no momento ofensivo, ainda que tenham revelado alguma intranquilidade na fase de maior aperto. Pela negativa o mau jogo de Bryan Ruiz, que,apesar de ter feito uma assistência, falhou uma boa oportunidade e perdeu algumas bolas, uma de maneira displicente já numa fase crítica da partida.

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