Reis do desperdício

Portugal 0-1 Bulgária (Marcelinho 19')

Portugal foi vergado pela Bulgária, em Leiria, por 1-0, num encontro em que a equipa de Fernando Santos evidenciou-se pelas dificuldades na finalização, já que foram inúmeras as oportunidades desperdiçadas pelos Lusitanos, sobretudo por Ronaldo, que até uma grande penalidade falhou. A Selecção apostou por uma espécie de 4-4-2, com William, Adrien, João Mário, Rafa, Nani e Ronaldo de início, mas não conseguiu vencer uma das mais frágeis equipas do Continente Europeu (não chega a uma fase final desde o Euro 2004), consumando a terceira derrota frente a adversários pouco cotados, em casa, no espaço de menos de 2 anos (depois da Albânia e de Cabo Verde).

No que diz respeito ao jogo, Portugal apresentou-se num 4-4-2 (William e Adrien formavam a dupla no miolo, com Rafa e João Mário nas faixas), embora com muita mobilidade dos quatro homens mais adiantados. Logo nos minutos iniciais a seleção portuguesa dispôs de uma grande oportunidade, com Nani, isolado por um excelente passe de Pepe, a não conseguir bater Stoyanov (grande intervenção). Nesta fase do encontro, a Bulgária sentia muitas dificuldades em sair do seu reduto, com Portugal a conseguir visar a baliza por diversas vezes, mas sempre encontrando a oposição do guarda-redes contrário. Os pupilos de Fernando Santos iam conseguindo encontrar espaços e estiveram novamente perto de marcar, mas Ronaldo, após Stoyanov desviar um cruzamento de Nani, rematou por cima quando tinha tempo e espaço para fazer melhor. O primeiro lance de perigo dos visitantes ocorreu num livre que Anthony Lopes resolveu bem, mas logo de seguida os búlgaros chegaram ao golo, numa desatenção da defesa portuguesa, com Vieirinha e Pepe (de forma até algo ridícula) a não conseguirem ganhar o lance, aproveitando Marcelinho para, aos trambolhões, rematar para o fundo das redes. Pouco depois Ronaldo esteve perto de empatar numa “bomba” de livre, mas mais uma vez Stoyanov correspondeu da melhor maneira. A seleção das Quinas ia tendo bola, com boa dinâmica a nível de movimentos, mas com pouca presença na área, o que facilitava a tarefa dos forasteiros. João Mário esteve perto do 1-1 num remate perto do poste (a bola ainda sofreu um desvio), enquanto que momentos depois, num lance confuso, Pepe, Nani e Rafa não conseguiram fazer balançar as redes (com calma, o golo poderia ter surgido). Até ao intervalo foi a Bulgária a estar perto do 0-2, mas Pepe, com um grande corte, evitou-o, numa jogada onde mais uma vez foi dado muito espaço aos jogadores búlgaros. O segundo tempo iniciou-se numa toada mais morna, mas foi a formação búlgara a ter a primeira ocasião, com Aleksandrov (com muito espaço dentro da área) a disparar por cima. Ronaldo voltou a testar Stoyanov na cobrança de um livre e depois foi Rafa a rematar à figura do mesmo. Insatisfeito com o que estava a ver, Fernando Santos mexeu na equipa, lançando Danny e Quaresma para os lugares de Adrien e Rafa (João Mário passou a actuar numa zona mais central). Momentos depois surgiu uma grande penalidade para a seleção nacional por mão na bola, mas Ronaldo permitiu a defesa a Stoyanov (que se adiantou antes do apito do árbitro), não conseguindo também aproveitar a recarga. O guarda-redes do Ludogorets estava a ter uma noite de sonho e voltou a negar o golo ao craque português pouco depois, com uma excelente mancha. Portugal apresentava nesta altura um futebol desligado e o selecionador nacional voltou a fazer alterações, substituindo William Carvalho e João Mário por Danilo e Renato Sanches (uma estreia). A formação lusa voltou a estar muito perto da igualdade, mas Nani finalizou muito mal um cruzamento de Eliseu, sendo essa a última intervenção de ambos os jogadores, que viriam a ser substituídos por Guerreiro e Éder. Até ao fim, Ronaldo (de cabeça) voltou a obrigar Stoyanov a mais uma grande parada e já em cima do apito final, Éder ficou a centímetros de concluir um belo cruzamento de Vieirinha. No entanto, o resultado não se alterou e a Bulgária saiu de Leiria com o triunfo.

Portugal - Mais uma partida na linha de Fernando Santos - ainda que desta vez tenha assumido o jogo durante os 90 minutos -, mas com um desfecho diferente. A selecção nacional cedo deu a ideia de que o encontro seria acessível, mas o desperdício de Ronaldo e Nani, associado a uma incapacidade clara em criar jogo, foi suficiente para a Bulgária sair de Leiria com uma vitória. O engenheiro apostou no meio-campo do Sporting (William, Adrien e João Mário) numa espécie de mescla entre experiência e juventude (4 dos titulares com mais de 50 internacionalizações, outros tantos com menos de 10) e a resposta não foi positiva, tanto na referida capacidade para ser competente na fase de criação/finalização como após a perda da bola, onde os desequilíbrios não eram devidamente compensados. A título individual, e por consequência do resultado, as notas de realce são poucas e quase todas no sentido negativo: Cristiano Ronaldo esteve a um nível miserável, falhando em toda a linha (2 penaltys consecutivos desperdiçados), Nani não lhe ficou atrás e somou mais uma exibição para esquecer, William e Adrien não conseguiram ter impacto e justificar a aposta num meio-campo "entrosado" e, mais atrás, os motivos também não foram para sorrir. Ciente da inércia da equipa e da falta de resposta aos problemas, Santos lançou Danny, Guerreiro, Renato (estreia absoluta nos AA), Quaresma e Éder, mas pouco mudou no jogo da equipa das Quinas. Quem pode beneficiar deste sub-rendimento de vários elementos são os nomes que hoje estiveram no banco e terão, certamente, uma oportunidade frente à número 1 do ranking FIFA.

Bulgária - Os Búlgaros tiveram uma entrada que induzia um jogo fácil para Portugal, deixando a selecção nacional criar, sem dificuldades, várias oportunidades junto da baliza de Stoyanov, mas depois do golo apontado por Marcelinho conseguiram estabilizar defensivamente e estancar o jogo ofensivo do adversário. A partir daí, o jogo foi quase sempre de sentido único, com a equipa de Petev a assumir a inferioridade individual, baixando linhas, juntando o bloco e com isso explorando as dificuldades do adversário em organização ofensiva. O segundo tempo dos eslavos ficou marcado por uma mão cheia de defesas de Stoyanov (claramente o homem do jogo que também beneficiou de incompetência de quem finalizava) e pelo aproveitar da instabilidade emocional de Portugal (desde o minuto 60 que começou a tentar apressar o processo ofensivo, despejando inúmeras bolas na área sem qualquer critério). Quem também merece destaque é Marcelinho (pelo golo) e Slavchev (ligado contratualmente ao Sporting) que ainda foi a tempo de somar uma internacionalização.

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