Quem ri por último, ri melhor; Benfica de Vitória quebra jejum nos Clássicos e já é líder; Sporting dominou na 2.ª parte mas vai ficar a chorar o desperdício de Ruiz; Lindelof esteve imperial na defesa; Ausência de Júlio César não se fez sentir; Slimani voltou a estar escondido; Patrício quase não foi testado; Jonas (que fez a diferença na 1.ª parte) vai terminar a época sem marcar aos grandes

Sporting 0-1 Benfica (Mitroglou 20')

À sexta foi de vez. O Benfica, de Rui Vitória venceu finalmente um Clássico, e logo na altura certa, já que estes 3 pontos frente ao Sporting permitem subir à liderança da Liga, com mais 2 pontos que o rival, numa fase em que o calendário, na teoria, até é acessível até final. Um dérbi intenso, mas nem sempre bem jogado - muitas perdas de bolas e más decisões de parte a parte -, com o equilíbrio a predominar no 1.º tempo, e que teve um Sporting, até pelo recúo do Benfica, a ser claramente superior na 2.ª parte e a ter duas oportunidades claras para marcar (Ruiz fez o impossível), mas no final o que contou foi o golo de Mitroglou aos 20 minutos. O duelo até começou com uma novidade, a presença de Ederson no 11 de Vitória no lugar do lesionado Júlio César, mas quem se destacou foi o jovem Lindelof, que com uma exibição imperial limpou praticamente tudo o que apareceu na área encarnada; Na frente Jonas ficou em branco (mais um ano sem marcar aos grandes) mas Mitroglou não desaproveitou a única oportunidade que as águias tiveram; No Sporting, William cresceu na 2.ª parte e com isso a equipa melhorou mas vão ser os falhanços de Ruiz a marcar a história deste dérbi e quem sabe do campeonato.

No que diz respeito à partida, o início foi intenso e equilibrado, tendo sido o Benfica a primeira equipa a criar perigo, num lance em Rui Patrício sai da baliza e larga a bola (deixando a baliza aberta), mas que não foi aproveitado pelos visitantes (valeu Jefferson). No entanto, nos primeiros 20 minutos o encontro estava algo confuso, com muita luta a meio campo e principalmente muitas perdas de bola, até que surge o golo dos encarnados, num lance fortuito. Jogada de insistência, com Samaris a rematar e a bola a bater em William Carvalho, deixando Mitroglou (que também aproveitou a escorregadela de William Carvalho) na cara de Rui Patrício e o grego a não perdoar (o único a marcar em clássicos esta época). A vantagem deu alguma tranquilidade às aguias, numa altura em que Jonas fazia a diferença com a sua técnica e capacidade de movimentação, enquanto que o Sporting ia falhando nos capítulos da definição e execução no último terço. Com o aproximar do intervalo, os leões cresceram no jogo e estiveram muito perto de marcar, não fosse a “bomba” de Jefferson bater na barra. Os verde e brancos pressionaram até ao intervalo, conseguindo conquistar cantos e faltas à beira da área, mas sem resultados práticos. Para o segundo tempo, ambos os conjuntos surgiram sem alterações e entraram com um ritmo alto. A primeira ameaça foi dos forasteiros, com Renato Sanches a rematar ao lado, tendo na resposta Éderson sacudido (quando Ruiz se preparava para encostar) uma iniciativa de Jefferson (péssima abordagem de Pizzi). Jorge Jesus realizou a primeira alteração, lançando Téo Gutiérrez para o lugar de Bruno César (com Ruiz a descair para o flanco) e pouco depois quase chegava ao empate, com Ruiz a desperdiçar quando tinha tudo para fazer o golo. O Sporting tinha mais bola, com os encarnados a assumirem uma postura mais expectante e apostando num bloco mais baixo. Rui Vitória trocou de pontas-de-lança, lançando Raúl Jiménez para o lugar de Mitroglou, mas foi novamente a formação da casa a estar perto do golo, mas novamente Ruiz, após lance de Slimani, com um falhanço escandaloso (de baliza aberta e a 1 metro da linha de golo) a levar os adeptos da casa à loucura. Rui Vitória meteu mais músculo no jogo (trocou Fejsa por Pizzi), mas pouco depois foi Éderson a brilhar com uma excelente defesa a uma tentativa de chapéu de Ruiz. Jorge Jesus arriscou tudo, colocando em campo Gelson e Schelotto (saíram João Pereira e Adrien), enquanto que na resposta o técnico das águias lançou Salvio para o lugar de Jonas. João Mário esteve perto de marcar num remate de fora da área, mas com o passar dos minutos o Sporting foi perdendo gás e demonstrando algum nervosismo (Adrien foi expulso no banco), com o Benfica a conseguir gerir a vantagem e a assegurar a liderança do campeonato.

Sporting - Foi apenas a segunda derrota neste campeonato, e a primeira em casa, mas surgiu na pior altura e frente ao mais directo adversário. Os leões bem podem queixar-se da falta de eficácia - ou melhor, da falta de eficácia de Ruiz -, já que o domínio demonstrado na 2.ª parte foi mais do que suficiente para, pelo menos, sair do encontro com 1 ponto. A superioridade foi clara, as oportunidades também, mas o que fica é o resultado e esse deixa o Sporting, em caso de vitória do Porto frente ao Braga, mais perto do 3.º do que do 1.º posto.

Benfica - Rir no fim e quem sabe de maneira decisiva. Finalmente Rui Vitória conseguiu vencer um dos seus principais oponentes numa exibição que fica distante do brilhantismo . Os segundos 45 minutos dos encarnados foram de contenção e protecção da sua baliza, expondo-se àquilo que o Sporting criou e que por alguma felicidade conduziram à vitória. Noutro pólo esteve a primeira parte em que a equipa dividiu o comando das operações e conseguiu chegar ao último terço com outro acerto. Certo é que este triunfo atira os encarnados para o 1.º lugar, dando uma margem de segurança confortável para o resto do campeonato, uma vez que os seus rivais ainda terão que se enfrentar e, em teoria, têm um calendário mais exigente.

Ederson - Estreia a titular pelo Benfica no campeonato, ainda para mais num contexto difícil em que provavelmente não teve preparação, mas que nem assim impediu o brasileiro de rubricar uma boa exibição. Não fez intervenções de encher o olho, muito menos saídas à Júlio César, porém não mostrou insegurança em momento algum e a sua presença pouco foi notada, o que num jogador da sua posição é positivo.

Lindelof/Jardel/Eliseu/André Almeida - Um dos homens da partida foi o Lindelof, campeão europeu de sub.21 na posição de lateral direito, que apareceu na equipa principal do Benfica com a missão de substituir Lisandro/Luisão. O jogo de hoje evidenciou as qualidades do jovem, em particular de concentração e presença física, ganhando quase todos os duelos em que esteve envolvido, em particular contra Slimani que naturalmente não é presa fácil. O seu companheiro de sector esteve mais discreto, ainda que sem erros de grande destaque. Nas laterais os internacionais Portugueses tiveram exibições em cascata, alternando bons com maus pormenores.

Samaris/Pizzi/Renato Sanches - Exibição para esquecer do Grego que dá continuidade a um mau momento nesta temporada: passes falhados, discreto nas recuperações e a não conseguir fazer esquecer Fejsa. Por outro turno, Sanches esteve um patamar acima, com uma entrega ao jogo que já é habitual, algo que foi essencial numa luta que muitas das vezes é desigual na sua zona, já que o adversário faz facilmente superioridade numérica. O transmontano não conseguiu ter impacto ofensivamente, ao passo que sem bola foi peça importante no apoio ao seu lateral.

Jonas/Mitroglou/Gaitán - Mais um clássico, mais um golo para Mitroglou. O avançado continua a ser decisivo com a sua presença entre centrais, mas o prato principal é mesmo o golo. Hoje rubricou o 18.º na temporada que tem substancial importância para o desfecho do campeonato. No seu apoio esteve Jonas que não marcou - uma pecha que lhe é apontada nestes encontros -, mas que juntamente com Gaitán conseguiram produzir algum jogo ofensivo, em especial na 1.ª parte.

Rui Patrício - Actuação discreta, sem nada de relevante a apontar. Raramente foi chamado a intervir e quando o foi não conseguiu impedir o golo dos encarnados.

João Pereira/Coates/Ewerton/Jefferson - Duas partes distintas para este sector. No 1.º tempo os laterais tiveram uma actuação de baixo nível, com pouca intervenção ofensiva, algo que prejudicou a equipa nas jogadas de envolvimento (a excepção é um remate do brasileiro que surge duma situação de bola parada). A dupla de centrais foi talvez o melhor sector da equipa, ainda que Coates tenha perdido alguns duelos com Jonas em especial nos corredores.

Adrien/William/João Mário - 2.º jogo a bom nível de William Carvalho (apesar de, maneira involuntária, ficar na imagem do golo do Benfica) a marcar a sua presença no meio-campo e a servir de referência para a equipa orientar os timings e zonas de pressão. Os seus movimentos foram sempre o estímulo que a equipa sentia para subir/baixar o seu bloco. João Mário, algo apagado no primeiro tempo, subiu de produção numa 2.ª parte dominada pelos Leões, mas tal como Adrien não conseguiu o nível de outras partidas.

Slimani/Ruiz/ Bruno César - Exibição para esquecer do Costa-Riquenho com duas perdidas absolutamente ridículas na linha do que desperdiçou em Guimarães. Para além disso não conseguiu desequilibrar o seu rival, à semelhança do que aconteceu com Bruno César e que, naturalmente, viria a precipitar a sua saída dando lugar a Teo. Quem também não apareceu foi o Argelino, já que nesta partida foram raros os cruzamentos bem direccionados e, dessa forma, o avançado perde muita da sua influência (as limitações técnicas são claras e impedem-no de definir os lances de outra forma, em especial no 1 para 1).

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