Portugal mais forte que o líder do Ranking Mundial; Ronaldo e Nani marcaram; André Gomes e João Mário assistiram; Guerreiro esteve muito em jogo; Danilo e Adrien também somaram pontos; Selecção deu espectáculo na 1.ª parte mas foi inferior no 2.º tempo (Sanches e Bernardo estiveram discretos)

Imagem: Agência Lusa
Portugal 2-1 Bélgica (Nani 20' e Ronaldo 40'; Lukaku 62')

Nota positiva para a selecção nacional no último teste antes da convocatória para o Euro'2016. Portugal, que no 1.º tempo até podia ter construído um resultado expressivo (Courtois brilhou), foi superior à Bélgica e de maneira justa somou um triunfo frente a uma selecção que neste momento lidera o Ranking FIFA e pode ser rival logo nos oitavos-de-final no torneio francês. Nani e Ronaldo, ao contrário do que tinha acontecido frente à Bulgária, desta vez foram mais eficazes e valorizaram uma 1.ª parte de grande nível, que teve João Mário e André Gomes também em destaque. Pela negativa, a falta de criatividade/capacidade nos segundos 45 minutos, já a que a equipa com as saídas de Adrien e João Mário, numa 1.ª fase, e depois de Nani e Ronaldo, para as entradas de Sanches, Bernardo, Éder e Quaresma, perdeu qualidade no momento com bola, tendo passado a ver os Diabos Vermelhos a mandar no jogo.

No que diz respeito ao encontro, os minutos iniciais tiveram um ritmo morno, com a Bélgica a assumir a posse de bola e Portugal (hoje com um equipamento novo) a jogar mais na expectativa. No entanto, foi a selecção nacional a criar a primeira ocasião de golo (e logo em dose dupla), com Courtois a opor-se bem aos remates fortes de João Mário e Adrien (depois de um belo trabalho de Ronaldo junto à linha). Pouco depois, nova dupla oportunidade e desta vez ainda mais flagrante: primeiro foi Nani, de cabeça (após bom cruzamento de Cédric), a obrigar o guardião belga a uma grande defesa e depois, na sequência do canto, Ronaldo a cabecear à barra (Courtois ainda desviou). Os pupilos de Fernando Santos ganharam confiança e viriam mesmo a chegar ao golo à passagem do minuto 20, com Nani, bem servido por André Gomes, a não perdoar perante o gigante belga. Nesta altura Portugal controlava e dominava o encontro, impondo velocidade e dinâmica nos processos ofensivos. O 2-0 esteve perto de surgir num contra-ataque de três para dois, mas João Mário (Ronaldo não foi “guloso”), quando estava frente-a-frente com Courtois, não se conseguiu enquadrar da melhor maneira (a receção também não ajudou) e acabou por nem sequer rematar. No entanto, a selecção das Quinas viria mesmo a ampliar o marcador, aproveitando um livre de forma rápida, com João Mário a cruzar bem e Ronaldo a aparecer de forma imponente e a cabecear para o fundo das redes. Pouco antes do descanso, quase que surgia o terceiro, mas André Gomes, após mais um contra-ataque conduzido de forma exemplar e após mais uma assistência de João Mário, disparou por cima, quando estava em excelente posição. Ao intervalo, Fernando Santos realizou duas alterações, lançando Renato Sanches e Bernardo Silva para os lugares de Adrien e João Mário. O segundo tempo começou com a formação portuguesa a circular a bola, estando perto de marcar num lance em que Ronaldo aproveitou um erro da defesa belga, mas finalizando mal. A resposta da turma de Wilmots surgiu pouco depois, em dois lances: primeiro foi Mertens a surgir solto na área e a cabecear (sim, isso mesmo) ao lado e de seguida foi Nainggolan a pôr à prova Rui Patrício na cobrança de um livre (remate fortíssimo). Fernando Santos voltou a mexer na equipa, trocando Nani e Ronaldo por Quaresma e Éder (passando a jogar em 4-3-3), mas minutos depois veria a Bélgica a reduzir a desvantagem, com Jordan Lukaku (acabado de entrar também) a cruzar para o seu irmão Romelu, que à vontade não teve problemas para encostar de cabeça. Os visitantes passaram a tomar conta da partida, jogando mais sobre o meio-campo português, e para responder a isso o seleccionador nacional colocou em campo William Carvalho (saiu André Gomes), de forma a colocar um “tampão” no miolo. Essa substituição surtiu efeito, com Portugal a conseguir fechar melhor os espaços e até foi a equipa que esteve novamente perto de marcar, depois de uma bela jogada colectiva, mas em que Quaresma, com tudo para fazer o golo, tentou uma trivela que saiu muito mal. Ainda houve tempo para Danny entrar para o lugar de Danilo, mas o resultado estava feito.

Portugal - Bom jogo de preparação, que deu para tirar ilações quanto ao elenco que deverá seguir para França, e que também serviu para testar sistemas alternativos. A primeira parte foi de elevada qualidade, depois dos minutos iniciais com dificuldade em ter bola e sair com esta jogável. O 4x4x2 funcionou em pleno nos primeiros 45 minutos, com o sexteto da frente (Danilo, Adrien, João Mário, André Gomes, Nani e Ronaldo) em bom plano na posse e nos movimentos sem bola, contando também com bom envolvimento dos laterais. O segundo tempo, já num 4x3x3, foi menos conseguido, com a Bélgica a encostar Portugal atrás e a explorar bem o flanco esquerdo, situação apenas corrigida com a entrada de William, passando então a equipa de Fernando Santos a apresentar-se com um duplo pivot. No geral, houve notas individuais muito positivas (se calhar inspiradas pela presença do Prof. Marcelo na bancada), com a dupla da frente a facturar, e os quatro médios iniciais a justificarem a aposta, e colectivamente o entrosamento foi bastante aceitável. Note-se no entanto que, para Sábado, a grande diferença também esteve na eficácia na hora da concretização. Individualmente, Patrício pouco foi testado, mostrando atenção no pouco que fez, enquanto que os centrais nada facilitaram (Fonte demonstrou ser pelo menos o 3.º na hierarquia), sendo apenas batidos no lance do golo. Cedric e Guerreiro marcaram pontos, ambos tiveram influência no ataque (o lateral do Lorient esteve muito em jogo) e fecharam bem na defesa. Danilo impôs-se na linha média, com apoio de Adrien, em recuperações em zonas mais adiantadas (a equipa sentiu a saída do médio leonino ao intervalo). André Gomes e João Mário mostraram ser opções com que contar, ambos fizeram uma assistência, falhando apenas (ambos) na finalização. Ronaldo marcou um golo ao seu estilo, e esteve mais interventivo, e menos individualista, enquanto que Nani também se mostrou activo na frente. Eder foi o que menos capacidade mostrou, Sanches esteve tímido (pouco arriscou), Quaresma agitou, mas nem sempre com critério, já Bernardo Silva foi útil a fechar, mas não conseguiu desequilibrar na frente.

Bélgica - Uma equipa algo longe daquela que actuará em França (sem Hazard e DeBruyne, por exemplo), que mostrou fundamentos colectivos fortes, mas pouca capacidade de desequilíbrio na frente. A defesa mostrou-se algo permeável, em especial na exploração das faixas (as laterais são de longe o ponto fraco dos belgas), valendo um enorme Courtois, que voltou a mostrar o porquê de ser dos melhores do Mundo. O guardião adiou o golo português com um punhado de defesas demonstrativas de uma capacidade de colocação na baliza e de uma elasticidade acima da média. No ataque Mertens foi o principal dinamizador, sendo o único a conseguir atacar o último reduto português com bola no pé. Lukaku fez uma partida quase toda de costas para a baliza, impondo o seu poder físico e técnico nos duelos, e na única oportunidade de concretização que teve (excelente movimento sem bola) não perdoou. Jordan Lukaku foi um dos dínamos do segundo tempo belga, explorando a linha lateral vindo de trás, enquanto que Nainggolan assustou com os seus remates de longe. Witsel e Fellaini formaram uma dupla consistente, mas pouco dinâmica.

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