Portugal atropela os campeões olímpicos; Jota, Rúben Neves, Gelson e Horta marcaram; Ilori e Ié destacaram-se na defesa

Portugal 4-0 México (Jota 12', Rúben Neves 37', Gelson Martins 49', Ricardo Horta 74' g.p)


No primeiro ensaio rumo aos Jogos Olímpicos do Rio, Portugal voltou a dar boas indicações, na linha do que tem acontecido nos sub-21, ao golear o México, em Angra do Heroísmo, por 4-0. A equipa Lusitana entrou em campo com um onze formado por José Sá; Nélson Semedo, Tiago Ilori, Edgar Ié e Ricardo Esgaio; Rúben Neves, Francisco Ramos, Bruno Fernandes e Jota; Ricardo Pereira e Iuri Medeiros, e o teste foi altamente satisfatório, apesar da natural quebra de ritmo e qualidade quando na segunda parte foram realizadas diversas substituições, tendo os sub-23 dominado quase por completo a actual campeã olímpica.

Quanto ao encontro, começou com Portugal a dominar, tendo a bola e circulando-a com boa fluidez, sendo que no momento da perda se agrupava bem e era capaz de roubar por diversas vezes em zonas subidas, o que fez com que os Mexicanos raras vezes chegassem ao último terço do terreno. E quando ainda nenhuma das equipas se havia aproximado da baliza rival, foi justamente numa perda de bola da equipa do continente americano que os homens de Rui Jorge, aos 12 minutos, chegou ao golo: mau atraso de Salcedo e Diogo Jota aproveita para chegar primeiro do que Gudiño e abrir o marcador. Depois do tento inicial, os Lusos continuaram por cima e a criar diversos lances de perigo, com remates muito perigosos de Rúben Neves (grande tiro de longe), de Iuri Medeiros (disparo a rasar o poste direito, já dentro da área) e de Nelson Semedo (remate cruzado, também para fora). E tanto domínio só podia levar ao segundo golo da equipa das Quinas, que chegou aos 37', quando Iuri bate um canto da direita, Ilori desvia para o poste e na recarga Rubén Neves, de cabeça, faz o 2-0, resultado com que o desafio foi para o descanso. O segundo tempo começou com a mesma tónica, e ainda não estavam cumpridos 5 minutos e já Portugal conseguiu uma recuperação ainda no meio-campo rival, com a bola a chegar a Horta que solta em Gelson (dois homens recém-entrados) e o homem do Sporting finaliza bem para o terceiro golo. A segunda parte foi marcada por diversas alterações, com elementos como João Miguel Silva (em estreia absoluta nas seleções), Tobias, Hugo Basto, Afonso Figueiredo, Leandro Silva, João Carlos, Guedes, Lucas João ou os já referidos Gelson e Horta a entrarem para o campo, e, naturalmente, o jogo descaraterizou-se, com a formação da casa a baixar um pouco o ritmo, o que proporcionou três oportunidades para os Aztecas, no entanto a pontaria nunca foi a melhor (Sá também respondeu bem quando foi testado). Quem chegou ao quarto foi mesmo Portugal, com Ricardo Horta a marcar de grande penalidade aos 74'. Nos últimos minutos o conjunto de Rui Jorge ainda podia ter feito o quinto, primeiro com Gelson a servir Lucas João, mas o remate do avançado foi interceptado por um defesa, e depois com o jogador do Sheffield a trabalhar muito bem dentro da área e a soltar para Horta, que rematou para boa defesa de Gudiño, terminado mesmo o jogo 4-0.

Destaques:

Portugal - No primeiro 11 olímpico de Rui Jorge, o seleccionador optou por um ataque sem uma referência fixa (à semelhança do que fez no europeu da República Checa), juntando Iuri Medeiros, Jota e Ricardo num ataque móvel, com os dois últimos a jogarem à frente do criativo formado no Sporting. A selecção nacional fez da pressão alta grande parte do seu jogo, levando o adversário ao erro e à perda de bola ainda dentro do seu meio-campo, tudo isto ao utilizar um bloco compacto, com muita proximidade entre os sectores, beneficiando da conhecida capacidade de Ilori e Ié para jogar na antecipação e com vários metros na costas. Os centrais tiveram uma exibição de encher o olho - sendo que para esta posição  há abundância e a opção por Ié é discutível (ainda nem se estreou pela equipa principal do Villarreal), quando há Vezo a bom nível no Valência, Semedo a titular no Sporting e o próprio Tobias que tem mais jogos a nível profissional - e deixam a sensação que poderiam ser úteis a várias equipas da primeira liga. A bom nível estiveram também Bruno Fernandes (um dos jogadores mais importantes deste grupo e do qual Rui Jorge não deve abdicar), Rúben Neves que somou um golo e Ricardo Esgaio (apesar de estar numa posição que não é sua, cumpriu e até se envolveu mais que Nélson Semedo). Até final do jogo, muitas mudanças, desde à baliza até à frente, ficando a certeza de que a escolha dos 18 por parte de Rui Jorge não será fácil, já que o leque de opções é alargado havendo ainda a dúvida quanto à opção pelos 3 jogadores acima dos 23 anos.

México - Péssima imagem de uma equipa que irá ao Brasil com o estatuto de campeã olímpica (embora esse estatuto neste escalão valha pouco, uma vez que a renovação é quase total), tendo raramente incomodado a selecção nacional. A forma como se agarrou às suas ideias - relutância em jogar longo, construir apoiado mesmo com a pressão do adversário - acabou por trair a equipa, já que vários dos golos que sofreu foram após erros neste tipo de saída apoiada. Como nota, destaque para a titularidade de Gudiño que pouco pôde fazer e para a desilusão que foram alguns dos elementos mais cotados como Fierro ou Salcedo.

Etiquetas: ,