Jonas chega aos 28 golos e assume a liderança da Bota de Ouro; Mitroglou e Jardel também marcaram mas falham Boavista devido à acumulação de amarelos; Gaitán (que saiu lesionado) bisou nas assistências

Benfica 4-1 Tondela (Jardel 11' e Jonas 24' e 68' e Mitroglou 87'; Nathan 90'+2)

O Benfica cumpriu frente ao Tondela, segurando assim a liderança na Liga. Os encarnados foram eficazes no 1. tempo (os 2 primeiros remates resultaram em 2 golos), e na 2.ª parte, principalmente com a entrada de Salvio, perante um conjunto de Petit que até tinha equilibrado o jogo durante os primeiros 55 minutos, demonstraram que são superiores, tendo, sem surpresa, ampliado o marcador. Um triunfo tranquilo mas numa noite com história, já que Jonas, ao bisar, voltou a assumir a liderança da Bota de Ouro, com 28 golos (ultrapassou Ronaldo), e a nível interno reforçou o seu estatuto no futebol português: há mais de 25 anos, desde Magnusson (o último encarnado que passou a barreira dos 30 golos) em 89-90, que o Benfica não tinha um avançado a marcar 28 golos no campeonato só numa época. Por outro lado, desde Mário Jardel, em 01-02, que um avançado em Portugal não chegava a esta marca (mesmo no total das 34 jornadas). 

No que toca ao encontro, o Benfica entrou a tentar mandar no jogo, mas encontrou um Tondela subido no terreno, conseguindo lançar vários ataques (num desses lances Jardel fez falta, levando um amarelo que o deixa fora da próxima jornada). No entanto, os encarnados chegaram mesmo ao golo na fase inicial, com Jardel (primeiro tento esta época no campeonato) a corresponder com uma bela cabeçada a um canto de Gaitán (Cláudio Ramos ainda tocou na bola). Apesar do golo, a toada manteve-se, com os pupilos de Petit a jogarem no meio-campo adversário e a colocarem problemas aos homens da casa, que não conseguiam ligar as suas jogadas de ataque. Mas foi novamente o Benfica a conseguir mais um golo, na segunda oportunidade criada. Excelente jogada das águias (quase sempre ao primeiro toque), com Gaitán a assistir (mais uma) Jonas, que no coração da área, finalizou de pé esquerdo. O 2-0 trouxe tranquilidade à turma da Luz, que passou a gerir melhor o encontro até ao intervalo (os visitantes sentiram bastante esse golo). Na segunda parte o Tondela voltou a entrar bem e foi a primeira equipa a criar perigo, em duas ocasiões: primeiro numa “bomba” de Nathan Jr por cima da baliza e depois numa má finalização de Menga, já dentro da área. Sem surpresa, Rui Vitória mexeu na equipa, lançando Salvio para o lugar de Talisca (Pizzi passou para o meio), com o argentino a ter impacto imediato no desafio, com um “lance à Salvio”, servindo Mitroglou, que não conseguiu marcar de calcanhar. Pouco depois, Gaitán lesionou-se, entrando Gonçalo Guedes para o seu lugar, numa altura em que o Benfica passou a estar melhor, conseguindo imprimir velocidade e dinâmica nos processos ofensivos. Já depois de um remate perto do poste de Guedes (a bola ainda desviou em Tikito) e de Mitroglou ter obrigado Cláudio Ramos a duas excelentes paradas, surgiu o terceiro dos encarnados. Lançamento longo de Eliseu, Jardel ganha nas alturas a 1ª bola e Jonas, também de cabeça, a juntar mais um à sua conta pessoal. O técnico dos encarnados voltou a mexer, poupando Fejsa (entrou Samaris) e pouco depois quase que Jardel e Jonas voltavam a construir mais um golo. O jogo estava resolvido (entretanto Guedes e Moreno estiveram perto de facturar), mas ainda havia tempo para mais dois golos. Primeiro, o 4-0, com Mitroglou a aproveitar a desatenção da defesa visitante numa bola longa e a não perdoar perante o guardião contrário (nos festejos o grego viria a receber o cartão amarelo, deixando-o fora da partida no Bessa). Já nos descontos, o golo de honra do Tondela (e merecido), com Nathar Jr, após bela arrancada de Luís Alberto, a marcar num dos últimos lances do encontro.

Benfica - Mais uma vitória, novamente por números expressivos, que coroa uma semana perfeita para os Encarnados. Frente ao último classificado da Liga, a exibição não foi brilhante, tendo mesmo a equipa de Rui Vitória experimentado algumas dificuldades nos primeiros 55 minutos (o Tondela pressionava bem, o que dificultava a circulação de bola, não se vendo o sufoco que muitas vezes sucede na Luz frente a este tipo de equipas). No entanto, com a entrada de Salvio e o desgaste nos homens de Petit, o avolumar do resultado foi natural. No plano individual, Ederson, na estreia para a Liga na Luz, voltou a estar impecável sempre que foi chamado, sendo que Eliseu, uma vez mais, protagonizou uma exibição isenta de erros e com uma participação positiva no ataque. Os centrais tiveram algumas dificuldades na saída da bola no primeiro tempo mas controlaram bem as investidas dos avançados dos Beirões, sendo que Jardel, que viu amarelo e falhará a partida no Bessa, teve o mérito de inaugurar o marcador. Talisca não aproveitou a oportunidade para ganhar pontos, tendo a sua saída coincidido com a melhoria da equipa (Pizzi também voltou a não estar brilhante), sendo que Gaitan somou mais duas assistências para a sua conta pessoal. mas saiu lesionado (veremos se é grave). Jonas bisou e promete lutar até ao fim pela Bola de Ouro (é um grande finalizador), ao passo que Mitroglou, apesar do golo, deveria levar um “Puxão de orelhas”, por ter visto um amarelo de forma absolutamente desnecessária (tirou a camisola para festejar um golo com tudo decidido) que o tira do embate frente ao Boavista. Do banco saltou bem Salvio, que agitou o jogo (Guedes também teve uma participação positiva, estando por duas vezes perto do golo).

Tondela - A tarefa está cada vez mais difícil para os Beirões, já que com 24 pontos por disputar estão já a 11 pontos do Boavista. Apesar disto, a turma de Petit saí da Luz com uma boa imagem, conseguindo competir bem com o Benfica, tendo mesmo feito uma hora inicial de bom nível, sem “autocarro”, pressionando os Encarnados e tendo bola no meio-campo rival, mas faltou qualidade e critério na definição dos lances para assustar mais. Individualmente, Claudio Ramos fez uma ou outra boa defesa (sobretudo a disparos de Mitroglou) mas nos golos, sobretudo no terceiro, um guardião com outra qualidade teria feito mais. Na defesa, os centrais Bruno Nascimento e Tikito sofreram com Jonas (as equipas deste nível apresentam sempre muitas dificuldades para acompanhar as movimentações do Brasileiro). Os homens da frente, para lá de muito terem perturbado a saída de bola adversária, apresentaram uma mobilidade interessante mas não tiveram discernimento para definir bem os lances, sobretudo Menga e Wagner, ao passo que Nathan Júnior voltou a marcar e chegou aos 10 golos na Liga, o que numa equipa que está em último e soma 22 tentos apontados é um registo bastante positivo.

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