Ninguém está satisfeito...Mas qual é a solução?

É inegável que o chamado "futebol de selecções" é um dos mais importantes componentes do desporto-rei, dando um sentido de identidade e orgulho ao jogo. Com efeito, numa época de mercantilização da modalidade, de competição pelo dinheiro e de jogadores que mudam constantemente de clube, as equipas Nacionais são uma espécie de bastião de estabilidade, de manutenção de algumas referências de um "tempo antigo" que são mais fáceis  de encontrar e identificar quando jogam Nações do que quando o fazem os diferentes emblemas de clube. No entanto, há vários anos que uma larga sombra se alastra por cima destes compromissos internacionais, sobretudo quando os mesmos possuem um caracter particular.

Neste momento, a juntar aos grandes certames continentais ou mundiais que são realizados (Mundial, Europeu, Copa América, etc), e às respectivas fases de qualificação, existem várias vezes por ano "datas FIFA" utilizadas para jogos amigáveis. Ora, é um ponto assente que a teórica preparação  ou valorização dos activos (somar internacionalizações é sempre motivo de prestígio) que estes desafios poderiam proporcionar são, quase sempre, substituídas por polémica, discórdia e incómodo. Os principais clubes (aqueles que mais atletas forneçam às selecções) pagam fortunas aos seus jogadores e olham com muito maus olhos para a sua utilização nestas datas. O desgaste das viagens (por exemplo o trio MSN do Barça teve de cruzar o Atlântico antes do "El Clássico"), a possibilidade de ocorrência de lesões (o Real Madrid perdeu, em épocas consecutivas, Khedira e Modric por problemas ocorridos ao serviço, respectivamente, da Alemanha e da Croácia) e a perda de foco competitivo nos objectivos desportivos do clube são as queixas mais recorrentes, sobretudo nesta fase em que as Ligas se decidem e as competições Europeias entram na sua fase decisiva. Ora, isto leva a uma série de esquemas utilizados para tentar que "o meu jogador não se desgaste mais que o teu", desde a existência de (pertinentes) lesões até ao uso da diplomacia para convencer as Federações a dispensar os atletas ou a usá-los com "moderação".

É então consensual que a situação actual não é satisfatória. Mas qual é a solução? Muitas são as vozes que já se levantaram com as mais diversas alternativas, mas nenhuma delas foi consensual. Desde opções mais radicais, como terminar com os amigáveis (ainda que neste momento praticamente só as selecções europeias estejam a disputar este tipo de compromissos, já que noutras zonas do globo estão a decorrer fases de qualificação, portanto esta hipótese não é cem por cento eficaz), passando por uma reorganização dos calendários, terminado com as pausas para selecções e concluindo as épocas dos clubes mais cedo, "empurrando" assim as partidas internacionais para cerca de um mês e meio de competição contínua, havendo ainda aqueles que consideram que apesar do ponto de situação actual não ser positivo qualquer alteração só ajudaria a piorar ainda mais o estado de coisas. 

Este é um tema sensível, que mexe com imenso dinheiro, e portanto é natural que cause debate e polémica, mas certo é que urge pensar e encontrar as formas de terminar com este motivo de discórdia no futebol Internacional, sob pena de tornar algo tão maravilhoso como o futebol de Selecções num "cancro" dentro do jogo.

Pedro Barata

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