Jonas segura liderança no minuto 93; Boavista dividiu o jogo mas os encarnados, que quase não testaram Mika, resolveram no fim; Salvio e Semedo não justificaram a titularidade; Samaris voltou a destacar-se a central

Boavista 0-1 Benfica (Jonas 90'+3)

Estrelinha de campeão. O Benfica não fez muito por isso, quase nem testou Mika, mas saiu do Bessa com os 3 pontos fruto de um golo de Jonas já no minuto 93 e segurou a liderança na Liga. O Boavista anulou o campeão durante praticamente 90 minutos (na 2.ª parte nem consentiram oportunidades), teve mesmo alguns lances para incomodar Éderson, mas acabou por cair nos descontos num lance de pontapé para a frente. Para a história fica o 29.º golo do campeonato, tento que pode ser decisivo nas contas finais, num jogo em que Salvio no regresso à titularidade pouco acrescentou, sendo que o seu companheiro de lateral, Nélson Semedo, também voltou a ter uma prestação aquém do esperado; Nos axadrezados Vínicius esteve imperial na defesa.

Em relação ao encontro, começou dividido, sendo que a primeira ocasião de golo surgiu na sequência de uma bola parada, onde Jiménez, de forma acrobática, testou os reflexos de Mika, tendo Lindelof disparado por cima na recarga. Do outro lado, a pressão do Boavista funcionava, impedindo o Benfica de trocar a bola com serenidade, sendo que o irrequieto Zé Manuel foi o primeiro a tentar a sorte, mas o remate saiu ao lado. O encontro desenrolava-se numa toada de futebol directo, muitas faltas, mas, na melhor jogada do primeiro tempo, Jiménez colocou bem em Pizzi, que após tirar Idris do caminho, não fez melhor do que rematar ao lado. Nos axadrezados, Renato Santos disparou fraco para as mãos de Ederson e o guarda-redes brasileiro viria a ser importante numa saída rápida aos pés de Zé Manuel, que minutos antes chegara atrasado a um cruzamento bem medido de Mario Martinez. Na 2.ª parte, o Benfica tentou encostar os axadrezados, mas a equipa da casa respondeu bem e Renato Santos deixou o aviso num remate cruzado. Vitória tentava agitar com Carcela e Talisca, mas a equipa raramente conseguiu ultrapassar a última linha do conjunto de Sánchez, que com um Rúben Ribeiro endiabrado ia criando cada vez mais perigo junto da baliza de Ederson. Luisinho também trouxe outra frescura ao ataque, mas foi Rúben a desperdiçar a melhor ocasião, depois de driblar Eliseu. Do outro lado, Jiménez tentou de bicicleta, mas sem sucesso e, à excepção de um remate de Pizzi que Vinicius cortou, as águias não conseguiram criar perigo. No entanto, o jogo não terminaria assim, pois Jonas tinha uma palavra a dizer. Aos 93 minutos, Eliseu bombeia na frente, Carcela dá um pequeno toque de cabeça e o melhor marcador da Liga, com um toque subtil, deu os três pontos ao líder, num dos triunfos mais suados deste campeonato.

Boavista - Os Axadrezados têm colocado imensas dificuldades aos grandes e hoje não foi excepção. A equipa mostrou-se super competitiva, com duas linhas muito juntas não deixando o adversário fazer as habituais combinações Jonas/Pizzi/Gaitán (hoje jogou Salvio), o que retirou uma das grandes armas ao Benfica. A pressão sobre os jogadores mais criativos levou os centrais encarnados a apostar no jogo directo, já que tanto Renato como os laterais estiveram condicionados pela pressão dos seus oponentes. Por outro lado, isto é, nas saídas para o ataque, a equipa revelou mais dificuldades, não tantas como esperado, já que Rúben Ribeiro foi essencial para segurar a bola e esperar pela equipa, consumando uma grande exibição (provavelmente o melhor em campo). A bom nível esteve também o reforço Tahar (pelo menos enquanto duraram as pilhas), sendo crucial ao impedir o miolo do Benfica de progredir com bola (tanto ele como Rúben Ribeiro não deixaram Renato jogar). Mais atrás, destaque para Paulo Vinícius que, num contexto próprio de bloco baixo, conseguiu secar Jonas. Ainda assim, e quando tudo indicava um desfecho diferente, a equipa sofreu e foi traída num lance que curiosamente não teve qualquer impacto durante o jogo (jogo directo). Apesar deste resultado as panteras continuam acima da linha de água, fruto da derrota da Académica.

Benfica - Estrelinha de campeão para Rui Vitória: num encontro em que praticamente não teve oportunidades conseguiu o triunfo já nos descontos, numa fase em que o próprio Boavista estava a conseguir sair para o ataque com mais perigo que os encarnados (Rúben Ribeiro tem um lance de superioridade numérica que preferiu levar). O ribatejano voltou a dar a titularidade a Nélson Semedo, lançou Salvio para colmatar a ausência de Gaitán e repetiu a dupla de centrais de São Petersburgo, mas tanto o lateral como o Argentino não corresponderam. Quanto ao jogo propriamente dito, o resultado acaba por ser o ponto mais positivo, uma vez que a exibição foi cinzenta e a falta de criatividade foi gritante (Pizzi teve dificuldades no 1vs1, Renato assumiu pouco o jogo e Jonas foi anulado até ao momento do golo). Em termos individuais, destaque para Samaris (mais uma grande exibição a central, tanto defensivamente como ofensivamente criando alguns desequilíbrios com passes verticais), Ederson (voltou a dizer presente) e Carcela, que embora não tenha tido grande impacto, está directamente ligado ao golo. Quem não aproveitou para ganhar mais margem foi Jiménez (deu-se pouco à marcação dos centrais, pisando os mesmos terrenos que o Brasileiro). 

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