Noite de atropelo e redenções: Teo e Ruiz fazem pazes com adeptos leoninos; João Mário também bisou; Adrien encheu o campo; Bruno César destacou-se a lateral esquerdo; Arouca chegou aos 542 minutos sem sofrer golos mas depois encaixou 5

Sporting 5-1 Arouca (Teo Gutiérrez 16' e 45, João Mário 18' e 32', Ruiz 60'; Gegé 67')

O Sporting goleou o Arouca, resultado que permite subir, à condição, ao 1.º lugar, e assim pressionar o Benfica. Os leões realizaram uma 1.ª parte de grande nível, ao intervalo já venciam por 4-0, e, com uma pressão intensa a juntar a um futebol ofensivo de qualidade, não deram hipóteses a um Arouca que vinha de 526 minutos consecutivos sem sofrer golos (chegaram aos 542, o que é um recorde em Portugal esta época) e já não perdia há quase 2 meses. Teo, que não marcava há 3 meses, destacou-se com 2 golos e uma assistência, João Mário também bisou (2 belos golos), Ruiz interrompeu uma fase negativa também com um golo; Adrien esteve igualmente em grande, num jogo em que Bruno César jogou a lateral esquerdo, tendo dado uma boa resposta, e Slimani foi substituído a minuto 60, o que irritou o argelino. Já o 5.º classificado da I Liga, acumulou algumas oportunidades mas só por uma vez conseguiu ultrapassar Patrício, tendo, apesar do recorde de imbatibilidade, denota fragilidades na defesa.

No que diz respeito à partida, o Arouca entrou bem, mas foi o Sporting a ter a primeira oportunidade de golo, com Ruiz a cabecear ao lado após cruzamento de Bruno César. Os arouquenses entraram sem receios, envolvendo vários homens no processo ofensivo e na chegada à área, e num desses lances Ivo Rodrigues esteve perto de inaugurar o marcador. No entanto, foi a formação da casa a chegar ao golo, num canto de Bruno César desviado por Coates e depois ficando a dúvida se Téo Gutiérrez (hoje, o Guterres) chegou a tocar na bola ou não (Bracali fica mal na fotografia). A resposta dos visitantes foi pronta, com Ivo Rodrigues (com pouco ângulo) a testar Rui Patrício numa jogada de contra-ataque. A postura da turma de Lito Vidigal permitiu que o Sporting pudesse pôr em prática as suas transições rápidas e chegou ao segundo num desses lances, desenvolvido por Téo Gutiérrez (após bela ação de Bruno César), que serviu João Mário em zona frontal, com o internacional português a não perdoar. Os forasteiros sentiram o segundo tento e o Sporting passou a dominar a partida, exercendo uma pressão efectiva e mostrando boa dinâmica. Essa pressão quase teve efeitos práticos após uma perda de bola da defesa arouquense, mas com João Mário, já dentro da área, rematou por cima. O 3-0 viria mesmo a surgir pouco depois, após uma bela jogada individual de Adrien, que assistiu João Mário, com este a finalizar com categoria e a bisar na partida. O ritmo de jogo acalmou, mas já perto do apito para o intervalo surgiu mais um golo dos leões, este a papel químico do primeiro e sem dúvidas de que Téo Gutiérrez desviou mesmo para o fundo das redes (Bracali voltou a ter uma abordagem deficiente). A segunda parte começou numa toada mais morna, mas foram novamente os visitantes os primeiros a criar perigo, num contra-ataque com vantagem numérica, mas mal definido e com Rui Patrício a travar o remate de Lucas Lima. Mas, tal como no primeiro tempo, na resposta os leões voltaram a marcar, com Ruiz a concluir uma boa jogada de envolvimento com um golo de belo efeito. Jorge Jesus aproveitou para poupar os jogadores em risco de exclusão para a próxima jornada (Slimani e Adrien), lançando Barcos e Aquilani, numa fase em que os verde e brancos tentavam gerir a posse de bola. No entanto, Ivo Rodrigues (sempre ele) voltou a pôr o guardião sportinguista à prova (defesa complicada) e, na sequência do canto, Gégé reduziu o marcador, correspondendo bem a um cruzamento de Lucas Lima. A formação nortenha ganhou alguma confiança com o golo e pouco depois mais uma vez Ivo Rodrigues, com um remate forte, a encontrar oposição em Rui Patrício. Jorge Jesus realizou a última alteração, trocando Bryan Ruiz por Gelson Martins, e o jovem leonino esteve perto de marcar (o remate saiu por cima da baliza), após excelente jogada entre Téo Gutiérrez e Aquilani. Até ao fim, os homens da casa controlaram a partida mas, à excepção de uma ocasião de William Carvalho, não houve lugar a mais lances de relevo.

Sporting - o leão versão contrafeita fez ao 5.º classificado algo que não conseguiu fazer a Tondela ou Académica, impôr a sua natural superioridade e resolver o jogo com facilidade. O início até foi semelhante ao que tem sido em Alvalade, com alguns passes errados, dificuldade em ter bola e permissividade atrás, mas ao contrário de outros jogos, a eficácia foi quase total, o que permitiu alcançar a vantagem de dois golos e deitar por terra a estratégia dos visitantes. Os lances de bola parada foram determinantes (cada vez mais é imperativo marcar golos após livres e cantos), com Teo a bisar em duas jogadas idênticas. Após o segundo tento, o Sporting geriu a primeira parte como quis, mas sem nunca deixar de procurar a tranquilidade absoluta (também algo que não fez em outras ocasiões). Com a diferença cifrada em quatro golos, os leões levantaram o pé, voltaram a facilitar atrás, foram displicentes em diversas ocasiões, mas depois do golo de Gegé voltaram a ter uma postura mais agressiva, acabando a partida em cima do adversário, e perto da meia dúzia. Individualmente, foi noite de redenção para Teo Gutierrez, com dois golos plenos de oportunidade, um assistência, e muitas intervenções de valor no jogo ofensivo. Outro perdoado foi Ruiz, que finalmente acabou com a malapata, assinando um belo golo de pé esquerdo, ele que desperdiçou a primeira oportunidade de golo do Sporting. A figura central voltou a ser João Mário, que para além dos dois golos pautou todo o ataque leonino. Adrien foi importante nas recuperações, aparecendo diversas vezes perto da área do Arouca, enquanto que Patrício disse presente em mais que uma ocasião. A dupla de centrais voltou a estar em bom estilo, não só a defender mas também a relançar o ataque após recuperações de bola; o lateral Bruno César esteve contido enquanto que Schelotto voltou a ser voluntarioso mas demasiado trapalhão em algumas ocasiões.

Arouca - o quinto classificado mostrou demasiadas lacunas e fragilidades. O conjunto de Lito até entrou bem no jogo, esticando-se até à área contrária, mas após os dois golos mostrou total inoperância para dar a volta ao jogo. As debilidades defensivas foram evidentes, em especial na zona central, juntando-se a isso muita incapacidade no momento ofensivo, de que é prova uma jogada de 4 contra 1 terminada com um remate de longe. Bracalli nem foi muito testado, mas também poucas hipóteses teve nos golos, a defesa teve em Lucas Lima o melhor elemento (deu profundidade ao ataque, e apenas sofreu na parte final). Gegé valeu pelo golo e pouco mais,  Mateus ainda tentou na frente mas também decidiu quase sempre mal, enquanto que Walter passou ao lado da partida. Nuno Coelho e Nuno Valente começaram bem, mas depressa foram atropelados pela linha média do Sporting, sem capacidade de ocupar os espaços e reter a bola.

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