FC Porto vê título por um canudo; Dragões perderam em Braga e já estão a 6 pontos do Benfica; Djavan esteve em 2 golos; Rafa garantiu os 3 pontos; Marcano falhou no 1-0; Casillas precipitou-se no 3-1; André André e Rúben Neves voltaram a acrescentar pouco

Sp. Braga 3-1 FC Porto (Hassan 70', Rafa 89' e Alan 90'+4; Maxi 86')

O FC Porto voltou a vacilar num momento importante, algo que nos últimos 3 anos tem sido habitual, e ao ser derrotado em Braga não só ficou mais longe do título (está a 6 pontos do Benfica) como perdeu a hipótese de pressionar  o Sporting na luta pelo 2.º lugar (menos 4 pontos). Num duelo equilibrado, sem um conjunto a conseguir superiorizar-se de maneira clara, os gverreiros, com os desequilíbrios que criaram, na transição e através das investidas de Djavan, acabaram por justificar o triunfo; Já o FC Porto, além da inércia no momento ofensivo pecou quando não podia na defesa, com 3 erros importantes, sendo que Marcano e Casillas não ficaram bem na fotografia. Fonseca, talvez com a intenção de marcar uma posição para a final da Taça, ao contrário do que se previa, optou por utilizar os melhores; Já Peseiro surpreendeu com a titularidade de Neves no meio campo, mas o médio, à semelhança de André André, voltou a acrescentar pouco.

Quanto ao encontro, assistimos a uma óptima primeira parte, disputada com um ritmo bastante intenso e disputado. Os dragões entraram melhor e conseguiram a primeira oportunidade do jogo, com Suk a desviar um cruzamento de André André e Marafona a opor-se com uma excelente estirada. O Porto dominava territorialmente, com uma pressão bem exercida, enquanto que nesta fase o Braga preocupava-se em fechar bem atrás. A segunda grande ocasião surgiu num livre frontal, com Brahimi a acertar no poste. O primeiro lance de perigo dos homens da casa surgiu perto da meia-hora numa bela iniciativa de Rafa, mas o remate do “Hazard português” passou por cima da baliza. Esse lance acordou os arsenalistas, que conseguiram equilibrar o desafio e estiveram muito perto de inaugura o marcador, com Hassan a aparecer isolado e a picar a bola sobre Casillas, com a bola a bater no poste, tendo na recarga Rafa e novamente Hassan não conseguido furar a muralha defensiva portista (na sequência do lance, Peseiro recebeu ordem de expulsão). O jogo estava partido nesta altura, mas chegou-se ao descaso com o marcador a zeros. No segundo tempo o ritmo manteve-se, embora sem nenhuma das equipas a sobrepor-se ou a criar chances de golo. O Porto foi a primeira equipa a mexer, com Aboubakar a entrar para o lugar de Suk. No entanto, essa substituição não teve efeitos práticos e pouco depois os bracarenses chegaram à vantagem, após Marcano, com um erro incrível, falhar a abordagem a um cruzamento, deixando Hassan na cara do golo, com o egípcio a não vacilar. Logo de seguida, Peseiro (mesmo da tribuna de imprensa) lançou Corona para o lugar de André André, com Fonseca a responder com a entrada de Alan (saiu Stojljkovic). Pouco depois, os azuis e brancos arriscaram tudo com Marega a substituir Rúben Neves, mas os visitantes sentiram o golo sofrido, com o Braga a estar mais confortável e a poder explorar o contra-ataque. Num desses lances Rafa surge isolado, mas quando tinha tudo para fazer o 2-0, acertou no poste. Quando menos se esperava (os gvuerreiros estavam a controlar bem), o Porto chegou ao empate, com Brahimi a servir Herrera (os jogadores da casa pensavam que o mexicano estava fora-de-jogo), com Boly (grande corte) a anular a primeira tentativa, mas impotente perante o cabeceamento de Maxi na recarga. No entanto, o empate foi sol de pouca dura, com a formação local a chegar novamente à vantagem, numa transição (o verdadeiro calcanhar de Aquiles da turma de Peseiro) da “locomotiva” Djavan, que serviu Rafa ao 2º poste para encostar para o fundo das redes. Até ao fim, Fonseca realizou duas alterações, Martins Indi foi expulso por acumulação de amarelos, mas ainda houve tempo para 3-1, com Casillas, numa saída completamente despropositada (quase até ao meio campo), a deixar a baliza aberta, com Alan a aproveitar e a sentenciar a partida.

Sp. Braga - A equipa de Paulo Fonseca dificilmente chegará Top 3, assim como não deve baixar do seu 4.º posto, mas até final do campeonato pode ter um papel decisivo na luta pelo título: travou o FC Porto e ainda terá que enfrentar os rivais de Lisboa, numa deslocação à luz e recepção ao Sporting. Na partida de hoje mostrou-se demasiado encolhida na primeira parte, talvez por uma entrada forte do adversário que associada ao baixar de linhas da equipa demonstrava um jogo de sentido único, com o Porto a circular com facilidade no seu meio-campo, a conseguir criar desequilíbrios pelo corredor central que não foram devidamente aproveitados por Suk. Apesar desse ascendente, a 2.ª parte mostrou um jogo completamente diferente, com os gverreiros a conseguir superioridade territorial e a empurrar o adversário para a sua área, sempre apoiando o seu jogo ofensivo no envolvimento dos laterais, com Luiz Carlos a assumir o papel de patrão da equipa - impressionante a qualidade do médio a ler o jogo, soltando o esférico nos timings exactos e contribuindo para o equilíbrio de um conjunto que actua com apenas 2 homens no corredor central - e Djavan de assistente de luxo. Para além dos brasileiros, Rafa volta a bater às portas da selecção (mais uma grande actuação, desta vez coroada com um golo), Pedro Santos esteve sempre a 130 à hora, Hassan fez um golo e atirou uma bola ao poste depois de um bom pormenor sobre Casillas e Boly foi a melhor unidade no centro da defesa, aliando alguma qualidade na fase de construção com desarmes que ficam na fotografia por impedirem o último remate dos adversários.

FC Porto - É provavelmente o fim do sonho do título, já que com este desaire fica a 6 pontos da liderança e a 4 do não desejado 2.º lugar. Num jogo marcado pela expulsão de Peseiro - depois de protestos veementes - os dragões saem da pedreira com uma exibição para esquecer e sobretudo piorada depois do técnico ter saído do banco. Após uma entrada agressiva em campo, a equipa abateu-se e limitou-se a jogar o que o Braga deixou, tendo reagido apenas depois de estar em desvantagem (o que é mais uma tendência natural do jogo do que uma afirmação de personalidade da equipa) o que não foi suficiente para mudar o desfecho do jogo, tendo ainda sido surpreendido depois de chegar à igualdade. A título individual, referências às boas exibições de Brahimi e Danilo - os únicos a remar contra a maré, embora de forma diferente -, com o Argelino a ser o responsável pelos poucos desequilíbrios que existiram e o Português, hoje a actuar com funções diferentes, a marcar presença na recuperação e no transporte. A um nível inferior aos seus companheiros, estiveram Maxi (uma autêntica avenida para Djavan que, ainda assim, fez um golo nas suas incursões habituais), Marcano (mais um erro que volta a colocar a nu as debilidades portistas neste sector), Casillas (uma saída incompreensível no final da partida) e André André (continua a um nível muito inferior àquele que mostrou no primeiro terço da época).

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