Derbi escaldante não agrada a ninguém; Ramsey e Welbeck brilharam no Arsenal, mas a expulsão de Coquelin deu vida aos Spurs; Kane esteve em grande

Imagem: Daily Mail
Um grande derby, mas ninguém ficou contente e é o Leicester que pode aproveitar. O Tottenham foi superior durante a maior parte do tempo, mas o Arsenal foi mais eficaz e não fosse a expulsão de Coquelin até podia ter saído com a vitória (os gunners estavam a controlar bem). A equipa de Wenger mostrou outra atitude depois da tragédia das últimas jornadas, sobretudo devido às excelentes prestações de Ramsey, sobre a direita, de Welbeck e de El Neny, a novidade que deu maior consistência ao meio campo. Sem esquecer Ospina, o substituto de Petr Cech, que foi um dos homens do jogo. Nos spurs, que apresentaram a qualidade habitual, faltou alguma maturidade na gestão de vantagem, natural numa equipa tão jovem, mas Kane e companhia mostraram novamente o seu poderio. 

Empate 2 entre Tottenham e Arsenal no dérbi londrino, resultado que agrada aos adeptos, que puderam  a assistir a um encontro espectacular, mas que, apesar de se ajustar àquilo que se passou em White Hart Lane, não deixa ninguém satisfeito, já que pode afastar as duas equipas do 1.º lugar. A equipa de Pochettino entrou a todo gás, fazendo jus ao rótulo de "maratonistas da Premier League", mas, apesar das tentativas de Kane, não conseguiu criar nenhuma oportunidade de golo. Com muita projecção dos laterais e um jogo interior muito forte, os spurs iam demonstrando mais uma vez a qualidade que os colocou na corrida pelo título. Lamela viu Ospina negar-lhe o golo, numa jogada que seria o início do show do colombiano. Mas quem marcou foi o Arsenal. Os londrinos do Emirates não tinham feito nada até então, limitando-se a explorar a velocidade de Welbeck nas saídas, mas Ramsey, no primeiro remate à baliza, bateu Lloris de calcanhar. Até final da primeira parte, só deu gunners, que tiveram o seu melhor período no jogo. A segunda metade começou com um controlo eficaz da turma de Wenger, que conseguiu manter o rival longe da sua grande área. Mas, aos 55 minutos, surgiu o lance que mudou a história do jogo. Coquelin, que já tinha amarelo, fez falta sobre Harry Kane e recebeu ordem de expulsão. Os minutos que se seguiram trouxeram um massacre dos spurs. Ospina ainda evitou à primeira, com a tecnologia de golo a ser preciosa para o árbitro Michael Oliver perceber que a bola não tinha entrado na totalidade. À segunda, Alderweireld empatou na sequência de um canto. A reviravolta não tardou e veio de maneira espectacular. Harry Kane, que já se vai habituando a marcar ao rival, fez uma verdadeira obra-prima (remate em arco da lateral da área) para dar vantagem à equipa da casa. Em inferioridade numérica mas a perder, Wenger arriscou e retirou El Neny, que segurava o meio campo, para lançar Giroud. O francês acabou por ser feliz e a equipa chegou ao empate, com Alexis, que não marcava desde a nona jornada, a fugir à defesa do Tottenham e a rematar cruzado para o 2-2. Até final, houve várias tentativas de parte a parte, mas os guarda-redes levaram a melhor.

Individualmente, foi Ospina o maior destaque, fazendo esquecer Petr Cech com várias defesas de grande nível. El Neny foi uma escolha acertada de Wenger, recuperando inúmeras bolas e dando, sem dúvida, maior estabilidade ao meio campo do Arsenal, que teve em Ramsey um jogador incansável, muito agressivo na pressão e com excelente critério ofensivo. Já Özil e Alexis voltaram a acrescentar pouco, valendo ao chileno o golo que deu o empate (e que, evidentemente, não é coisa pouca). Welbeck foi um jogador muito importante no encontro de hoje, permitindo à equipa sair em transições rápidas. Esteve muito bem a procurar espaço nas alas e a esperar pelos apoios. Do lado do Tottenham, que teve os dois laterais sempre a dar profundidade, Wimmer esteve mal no golo de Alexis mas compensou com uma intervenção decisiva já nos descontos. Dier sai com nota positiva à frente da defesa, controlando bem o seu raio de acção, mas Dembelé e Dele Alli (bem anulado pelos médios do Arsenal) não estiveram particularmente brilhantes, embora não tenham estado mal. Eriksen e Lamela estiveram bastante participativos, mas o maior destaque foi mesmo Harry Kane, muito forte a jogar de costas para a baliza, a movimentar-se e, claro, a finalizar.

Etiquetas: , ,