Certezas e dúvidas

O duplo embate da Selecção Nacional serviu para tirar algumas ilações quanto ao que será a campanha em terras gaulesas no próximo Verão. O seleccionador afirmou no final que acabou com mais dúvidas que certezas, mas entre as palavras de circunstância politicamente correctas, não será descabido afirmar que os 23 finais sairão do grupo que actuou frente a Bulgária e Bélgica. É verdade que é precoce colocar alguém definitivamente de fora a esta distância do evento, e há que aferir da real condição física de cada elemento, mas a convocatória parece previsível. Santos nunca escondeu ter uma espécie de plantel idealizado, o que faz sentido, visto que os jogadores estão espalhados por vários clubes e campeonatos. Por mais que se defenda "convocar os melhores na altura", a falta de tempo de trabalho obriga a reduzir o número de opções de maneira a aproveitar mecanismos que venham de convocatórias anteriores. Sendo o jogo com a Bélgica o último teste antes da convocatória final, e juntando Moutinho e Coentrão ao lote, os escolhidos estão, passe a expressão, escolhidos. 

Certezas
Defesas serão oito. Quatro centrais e quatro laterais devem ser convocados por Fernando Santos. Na ausência de Coentrão, Guerreiro e Eliseu fizeram as despesas, enquanto que do outro lado foram Cedric e Vieirinha os utilizados. A ausência de um lateral polivalente (como Cancelo) indica que a aposta passará por quatro laterais puros. Por outro lado, e embora William ou Danilo possam dar uma mãozinha no centro da defesa, centrais também devem viajar quatro, provavelmente Carvalho, Alves, Fonte e Pepe.

Danilo e William vão a França. Indiferente discutir quem é ou está melhor hoje, é 99,9% certo que ambos os jogadores vão integrar os eleitos para o Europeu. Haveria alternativas, como a convocatória de Carriço (que poderia actuar como central ou médio defensivo, abrindo vaga para outra opção atacante), mas Fernando Santos não deve abdicar de dois trincos "puros". Até porque, a opção de os colocar lado a lado pode ser uma realidade, como comprovado frente à Bélgica.

Dois avançados. A falta de um avançado centro de referência assim levava a crer, e juntando a tal facto o momento de Cristiano Ronaldo, único goleador português de excelência, mas sem disponibilidade para tarefas defensivas, é certo que a táctica vai passar por um meio campo a quatro, com dois elementos na frente. Haverá planos alternativos, mas serão usados em circunstâncias especiais. Nani foi sorteado para "sidekick" de CR7, devendo ter lugar cativo na frente de ataque, mesmo não sendo um grande finalizador.

Dúvidas

Quem sai? As contas parecem simples: 24 (que estiveram nesta convocatória) + Moutinho + Coentrão, para 23, sobram 3. Em teoria, Renato Sanches e Guerreiro podem dar lugar aos citados, ficando um elemento por dispensar. Quaresma é uma espécie de talismã (ajudou na qualificação), e mal ou bem, pode decidir um jogo se estiver para aí virado, logo deve seguir viagem. Rafa deixou boas indicações, embora tenha faltado testá-lo como avançado, onde deve render mais que como médio. Éder traz algo de diferente (hora de fazer piadas quanto à sua inabilidade para chutar a bola), sendo o único ponta de lança. O elo mais fraco parece ser Danny, que poucos minutos de jogo teve, e parece cada vez mais perder espaço na selecção, até porque nesta sempre esteve longe do rendimento mostrado na Rússia.

Qual o papel de Tiago?
O madrileno está em processo de recuperação, não havendo total certeza de estar apto para o Europeu. E como o passado recente indica, levar jogadores vindos de mazelas longas pode dar mau resultado. Porém, Fernando Santos aprecia as suas características, e o médio traz uma experiência e postura em campo que não podem ser desvalorizadas num contexto de uma competição deste tipo. Por outro lado, Adrien, João Mário e André Gomes marcaram pontos no encontro frente aos belgas, pelo Tiago, para já, parece fora. A sua experiência pode, por outro lado, ser bem vinda no Rio de Janeiro. E por falar nisso...

E a selecção olímpica?
Renato Sanches e Raphael Guerreiro são elegíveis para os Jogos, mas integraram a equipa principal ao invés da selecção comandada por Rui Jorge. Caso vão a França, dificilmente farão uma dobradinha, mas caso fiquem em terra, podem ser chamados para ir ao Brasil. Ou será que Rui Jorge, na expectativa, já os descartou enquanto opções, pela via das dúvidas?

Visão dos Leitores (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.

Etiquetas: ,