Benfica já está entre as 8 melhores da Europa (e com mais 6 milhões no bolso); Gaitán garantiu o apuramento depois de um grande remate de Jiménez; Talisca confirmou a vitória nos descontos; Mas foi Éderson quem brilhou; Samaris também esteve bem a central; Fejsa dominou no meio campo

Zenit 1-2 Benfica (Hulk 68'; Gaitán 85' e Talisca 90' +5)

28,5 milhões de euros. O Benfica garantiu a passagem para os quartos-de-final da Champions ao derrotar o Zenit e juntou mais 6 milhões aos 22,5 que já tinha arrecadado nesta edição 2015/16. Um vitória que valoriza a exibição competente das águias que conseguiram gerir bem a partida, nunca permitiram ao conjunto de AVB ganhar um ascendente, e depois do golo de Hulk tiveram capacidade para ir em busca do apuramento. Jiménez foi decisivo neste capítulo ao criar o lance do empate com um grande remate (Gaitán marcou na recarga), mas Éderson na baliza, Samaris na defesa, e a dupla Sanches-Fejsa no meio, vão ficar igualmente ligados à história desta 2.ª mão. Já o campeão russo, depois de ter sido uma nulidade na Luz desta vez teve um pouco mais de iniciativa (também estava obrigado a isso), mas nunca apresentou um volume ofensivo que colocasse dificuldades à remendada defesa encarnada, sendo que o enferrujado Hulk foi um pouco a imagem da equipa com o seu futebol em esforço mas pouco conseguido.

Quanto à partida, o Benfica a conseguiu o primeiro lance de perigo num livre de Jonas, com Lodygin a sacudir para canto. Na resposta, Dzyuba também esteve perto de marcar (Samaris não aguentou o corpo-a-corpo com o gigante russo), mas o seu remate saiu ao lado. Nesta fase os encarnados iam conseguindo uma exibição personalizada, com mais bola, e estiveram perto de inaugurar o marcador através de um remate de Renato Sanches que saiu muito perto do poste, após óptima jogada de envolvimento. O Zenit apostava em explorar o espaço nas costas da defesa benfiquista e num desses lances, com várias bolas ganhas de cabeça, Éderson tirou o golo a Dzyuba com uma saída destemida. Até ao intervalo a formação russa teve algum ascendente, mas sem criar problemas de maior para o último reduto encarnado e o 0-0 manteve-se. Na segunda parte o Zenit passou a ter mais bola e a jogar mais no meio campo contrário, mas sem conseguir criar ocasiões de golo. Em função disso, Villas-Boas lançou Smolnikov e Shatov para os lugares de Anyukov e Kokorin e em duas ocasiões esteve perto de ser imediatamente feliz: primeiro num lance em que Smolnikov finalizou muito mal um cruzamento de Hulk (Éderson agarrou) e depois numa excelente jogada de Shatov, com este a servir Dzyuba para rematar por cima. Logo de seguida, grande oportunidade para as águias, mas Jonas, quando seguia isolado (belo passe de Pizzi, de cabeça), não conseguiu bater Lodygin (o ângulo também não era o melhor). O jogo passou a estar mais partido, Rui Vitória fez a substituição habitual na frente de ataque (Raúl Jiménez por Mitroglou), mas os homens da casa viriam mesmo a chegar à vantagem, num lance em que dá a entender que Zhirkov faz falta sobre Semedo (que poderia ter resolvido o lance de forma simples), ganhando depois a linha de fundo e cruzando para Hulk encostar de cabeça. O Benfica não se atemorizou com o golo sofrido e, pouco depois, Lindelof, na sequência de um canto, cabeceou para grande defesa do guarda-redes russo. Rui Vitória voltou a mexer, lançando Salvio para o lugar de Pizzi, mas seria o Zenit a estar perto de marcar novamente, com Éderson (bela mancha) a anular uma investida individual de Dzyuba (quem diria). No entanto, o momento do jogo viria a dar-se à passagem 85, com o golo do empate. Do nada, Rául Jiménez dispara um míssil do meio da rua, Lodygin ainda fez uma espectacular defesa para a barra, mas na recarga Gaitán a empurrar de cabeça para o fundo das redes. O Zenit voltou a tentar (Hulk rematou por cima), mas seria novamente a formação da Luz a facturar já nos minutos de desconto, com Talisca (acabado de entrar) a aproveitar uma jogada algo confusa e, de pé direito, a fazer o 2-1, no último lance do encontro.

Benfica - Semana, ou semanas, de sonho para Rui Vitória: em apenas 5 dias ascendeu à liderança do campeonato e igualou o melhor feito de Jorge Jesus Champions, atingindo os quartos-de-final. A passagem à fase seguinte é justa e recompensa a equipa que, embora não tenha sido brilhante, abordou melhor os dois jogos, em especial o de hoje com uma postura personalizada, orientada para o ataque na 1.ª parte e que não se refugiou nas ausências no centro da defesa para desculpar uma eventual derrota. O cenário não esteve favorável, os momentos a seguir ao 1-0 foram de aperto, mas a entrada de Jiménez foi chave para o desfecho do jogo, com o Mexicano a desferir um remate pleno de espontaneidade que "deu" a vitória ao Benfica numa fase já de relaxamento da partida (Talisca fez o 1-2). A título individual, destaque total para Fejsa - uma pena que o Sérvio não consiga dar continuidade em função das lesões - com um comportamento perfeito defensivamente, antecipando inúmeros lances, compensando a subida dos laterais, em particular do (hoje) irresponsável Semedo; Ederson que continua a responder à ausência de Júlio César com uma segurança incrível (e em dia de estreia na Champions); Samaris e Lindelof que, numa dupla inédita, responderam sem falha evidentes e, por fim, Renato Sanches que, ao seu estilo habitual, encheu o campo. Quem acabou por dar razão às últimas opções de Rui Vitória foi Nélson Semedo com várias perdas de bola em situações aparentemente fáceis e que, pela amostra, terá dificuldades em reconquistar o seu lugar na lateral direita. No que toca ao que resta da época é de realçar a surpreendente recuperação da equipa que, numa época aparentemente de transição, está na frente do campeonato, no restrito grupo das 8 melhores da Europa e com a possibilidade de conquistar a habitual taça da liga.

Zenit - Mais uma abordagem que deixa a desejar por parte de Villas-Boas, perfazendo uma eliminatória em que passou uma imagem de inferioridade frente ao Benfica, oferecendo a bola aos encarnados e apostando apenas e só na velocidade de Hulk e na força física de Dzyuba. O colectivo dos russos é inofensivo e depende excessivamente da criatividade de Danny - um verdadeiro vagabundo pelo campo que é perigosíssimo quando está de frente para o jogo - e hoje não foi excepção, sendo que grande parte dos lances capitais da equipa foram consequência de passes a rasgar do internacional Português. A aliar a essa incapacidade colectiva a criar no último terço, as debilidades individuais na última linha - mais claras quando Garay e Criscito não jogam - mostraram que não era difícil semear o pânico junto de Lodygin e o guardião foi, tal como Ederson, importante em algumas paradas (Jonas num lance que pedia golo, Lindelof na sequência de uma bola parada e o próprio lance do golo que é travado na 1.ª tentativa). Com esta derrota e com uma prestação abaixo do esperado no campeonato, o treinador Português sairá da Rússia com uma última imagem não muito positiva, hoje ainda mais patente com uma exibição que não se ajusta ao que a equipa precisava.

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