27: Serial Killer

Com o aproximar do final do campeonato, cada ponto assume uma preponderância ainda maior, pelo que os três candidatos ao título sabem que é proibido vacilar. No entanto, os campeões constroem-se com trabalho, com rigor, com eficácia, mas também com alguma dose de sorte. Há factores, para lá do que se passa no campo, pouco explicáveis e que tornam possível um golo em qualquer momento e que possibilitam vitórias quando já ninguém as espera, sendo que, tal felicidade, acaba, por norma, por tocar a todos. No Bessa, o Benfica tinha pela frente um dos desafios mais exigentes até final. Não pela classificação do Boavista, não por aquilo que os axadrezados têm apresentado esta temporada, mas pela tal luta pelo ponto, que é cada vez mais exacerbada, e pelas significativas melhorias que se verificaram desde a chegada de Sánchez. O Boavista passou de uma equipa apenas agressiva e combativa, para um conjunto que continua agressivo e combativo, mas que está cada vez mais equilibrado e que, com Rúben Ribeiro no comando, gere cada vez melhor a posse de bola. Os encarnados acabaram por sentir naturais dificuldades nesta jornada, mas por lá mora um dos melhores marcadores do futebol europeu. Silencioso, o mais metódico dos atiradores e dotado da frieza e da eficácia de um “serial killer”, Jonas tornou a dizer presente e manteve as águias no topo da tabela. No dia anterior, Sporting e FC Porto procuravam reduzir distâncias para o líder, ficando depois à espera de um deslize da turma de Rui Vitória. Os leões recebiam, em Alvalade, o 5º classificado do campeonato, uma equipa que não sofria golos há 526 minutos. O trabalho de Lito Vidigal é sobejamente conhecido e, tendo como exemplo as prestações anteriores dos verde e brancos perante este tipo de opositores, esperavam-se muitas dificuldades para os comandados de Jorge Jesus. Todavia, o Sporting, que apresentava a novidade Bruno César na lateral esquerda, surgiu em campo muito solto, pressionante e ofensivo. Apesar da boa resposta dos visitantes nos primeiros minutos, a avalanche leonina deitou por terra qualquer esperança dos arouquenses, naquela que foi a noite de João Mário, do Kompensan, da luta contra a contrafacção e da redenção de Teo “Guterres” e Bryan Ruiz. No Bonfim, o FC Porto voltou a não apresentar uma grande chama, mas construiu oportunidades suficientes para ter evitado o sofrimento que se assistiu na parte final do encontro. Sérgio Oliveira desbloqueou o resultado à bomba e parece ter conquistado o treinador definitivamente.

Nos restantes encontros, o Sp. Braga não teve grande dificuldade para derrotar o União da Madeira, enquanto que, na luta pela Europa, o Rio Ave acabou por ser o grande beneficiário da ronda, tendo vencido o Marítimo nos Arcos. Em Coimbra, a Académica não soube aproveitar a embalagem obtida nos últimos jogos e foi cilindrada pelo Estoril, enquanto que o Belenenses, o V. Guimarães e o Paços de Ferreira não souberam aproveitar a derrota do Arouca. Os vimaranenses até chegaram a estar em vantagem por duas ocasiões na Choupana, mas voltaram a pagar caro os erros defensivos. Por outro lado, o Paços não foi além de um nulo em casa diante do Moreirense e, por fim, o Belenenses, após ter construído uma vantagem de dois golos em Tondela, permitiu o empate nos descontos. 

Melhor Equipa: Sporting – Ronda mais produtiva da temporada em Alvalade, numa partida que se antevia complicada. Os pupilos de Jorge Jesus voltaram a apresentar a habitual capacidade de pressão, qualidade na circulação de bola e desta vez acrescentaram a eficácia na finalização que faltou em confrontos anteriores. Deste modo, os leões têm sabido reagir da melhor maneira à derrota no derby e mantêm-se na perseguição ao líder. 

Equipa Desilusão: Académica – Após a conquista de quatro pontos nos últimos dois jogos, esperava-se uma exibição diferente dos Estudantes diante do Estoril. No entanto, Mattheus e companhia destruíram facilmente a ambição da Briosa, que, após mais uma pesada derrota, permanece em zona de despromoção. 

Melhor 11 da 27ª Jornada da I Liga: Stefanovic (Moreirense), Anderson Luís (Estoril), Samaris (Benfica), Roderick (Rio Ave), Bruno César (Sporting), Sérgio Oliveira (FC Porto), Mattheus (Estoril), João Mário (Sporting), Josué (Sp. Braga), Teófilo Gutiérrez (Sporting), Soares (Nacional)

Melhor Jogador: João Mário (Sporting) – Excelente exibição do médio leonino. A sua qualidade no transporte de bola, na gestão da posse, visão de jogo e qualidade técnica são notórias, mas, nesta jornada, o 17 do Sporting acrescentou capacidade de remate (e dois golos), dando um colorido diferente e pouco habitual à sua prestação em campo.

Jogador Desilusão: Nélson Semedo (Benfica) – Depois da lesão tem tido dificuldade em voltar à equipa e quando tem jogado não tem estado bem. O fulgor e potência, que fizeram dele uma surpresa nos primeiros meses e que lhe permitiram chegar à Selecção, têm faltado em 2016 e Rui Vitória até foi obrigado a substituí-lo no Bessa, tendo André Almeida melhorado a prestação do lado direito da defensiva encarnada.

Jogador a Seguir: Tahar (Boavista) – Emprestado pelo Steaua, o argelino veio dar algo que a equipa não tinha. Sánchez tinha à sua disposição médios fortes fisicamente e rigorosos no posicionamento, mas faltava alguém mais forte na pressão, mais rápido e com outra qualidade na saída de bola. No Bessa, o centrocampista de 26 anos, que já tinha estado bem diante do Marítimo, destacou-se na vigilância a Renato Sanches, sendo um dos principais responsáveis pela crise de ideias dos encarnados.  

Rodrigo Ferreira

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