25: Grito do Ipiranga

A 10 jornadas do final do campeonato, os quatro primeiros classificados da I Liga encontravam-se na mesma ronda. O Benfica deslocava-se a Alvalade, num derby que se previa intenso e decisivo para ambos os lados. O Sporting tinha o conforto da liderança e dos três triunfos anteriores nesta temporada diante do eterno rival, enquanto que os encarnados entravam em campo com vontade de surpreender e de roubar a liderança aos leões. Na verdade, o conjunto de Rui Vitória não pareceu nada pressionado e entrou melhor na partida, tendo em Jonas e Renato Sanches os grandes impulsionadores do ataque das águias. No entanto, quem voltaria a marcar a Rui Patrício seria Mitroglou, o único jogador do Benfica que ousara fazer golos ao Sporting esta época. A turma de Jorge Jesus tinha agora a missão de dar a volta ao texto, tal como fizera na Taça. Jefferson atirou uma bomba à barra, deixando um aviso para aquilo que seria o segundo tempo. Nos segundos 45 minutos, os verde e brancos exibiram a supremacia que caracterizara estes duelos anteriormente, encostando o Benfica atrás e jogando permanentemente no campo contrário. Todavia, a baliza do topo norte nada quis com os atiradores leoninos, sendo Bryan Ruiz o rosto máximo desse desperdício. Estava assim alcançada a primeira vitória do Benfica sobre o Sporting, quem sabe a mais decisiva, a primeira de Rui Vitória sobre Jorge Jesus. O caminho para o tricampeonato parece agora mais fácil, algo que há uns meses parecia impossível, numa luta que, ainda assim, parece estar para durar mais algumas jornadas (desejamos nós que até à última). Por outro lado, o FC Porto, já conhecendo o resultado dos seus adversários directos, entrava no Axa com o objectivo de encurtar distâncias para o topo. Todavia, apesar da boa réplica dos dragões no primeiro tempo, o golo não surgiu e os pupilos de Paulo Fonseca entraram com tudo no segundo tempo, dispostos a conquistarem os três pontos. Numa falha de Marcano, Hassan inaugurou o marcador. No entanto, os azuis e brancos não se renderam e Maxi Pereira, numa jogada que o caracteriza perfeitamente, refez a igualdade. Esperava-se agora um FC Porto à procura do triunfo, mas Djavan (e Rafa, que antes do empate atirara ao poste) trataram de impedir tal feito e recolocaram os gverreiros na frente. Até final, ainda houve tempo para um brinde de Casillas, naquela que foi a 11ª derrota dos dragões na temporada. 
Nos restantes encontros, a Académica deu um pontapé na crise e saiu da zona de despromoção, vencendo categoricamente um pobre V. Guimarães. Em Setúbal, o Moreirense trouxe os três pontos, tal como faria o Nacional no Bessa e o Arouca, que mantém o 5º lugar, em Tondela. Por outro lado, uma excelente exibição de Diogo Jota não chegaria para derrotar o Marítimo em Paços de Ferreira, enquanto que o Belenenses e o União da Madeira não foram além do nulo. Por fim, o Estoril continua a subir na tabela e, após mais uma excelente exibição de Mattheus e Leo Bonatini, conquistou a vitória nos Arcos.

Equipa da Jornada: Benfica – Poucos acreditariam que o conjunto de Rui Vitória estaria na liderança ao cabo de 25 jornadas, mas a verdade é que os encarnados foram a Alvalade conquistar os três pontos, aproveitando da melhor maneira o único erro defensivo dos leões durante o encontro. A boa entrada na partida acabou por surtir efeitos práticos e, apesar da bola na barra de Jefferson e das oportunidades desperdiçadas por Ruiz, Rui Vitória soube anular os principais municiadores do ataque dos leões, tendo ainda estado brilhante nas substituições. Deste modo, faltando 9 jornadas para o fim e olhando para o calendário das águias, parece difícil não apontar o Benfica como o principal candidato ao título. 

Equipa Desilusão: V. Guimarães – Os minhotos vinham de um empate saboroso diante do Sporting e não perdiam há 9 jornadas (desde 2 de Janeiro, perante o Benfica). No entanto, a exibição dos pupilos de Sérgio Conceição em Coimbra foi manifestamente pobre, sendo agudizada pela expulsão na 2ª parte e por uma Académica em bom nível. Nenhum remate à baliza, grande incapacidade para ter a bola (Saré e Pedro Henrique um desastre neste capítulo) e vários erros defensivos, tendo o flanco esquerdo voltado a ser uma avenida para os atacantes contrários.

Melhor 11 da 25.ª jornada da I Liga: Bracalli (Arouca), Anderson Luís (Estoril), Lindelof (Benfica), Boly (Sp. Braga), Djavan (Sp. Braga), Éber Bessa (Marítimo), Mattheus (Estoril), Marinho (Académica), Rafa (Sp. Braga), Diogo Jota (Paços de Ferreira), Mitroglou (Benfica)

Melhor Jogador: Marinho (Académica) – O veterano dos Estudantes voltou aos grandes jogos, sendo o principal responsável pelo triunfo da Briosa neste fim-de-semana. Já não possui a velocidade de outrora, mas continua a definir muito bem a maioria dos lances e a ser expedito na hora de atirar à baliza contrária. 

Jogador Desilusão: Bryan Ruiz (Sporting) – O costa-riquenho tem confirmado o estatuto de melhor reforço dos leões nesta temporada, mas, ao contrário do que havia feito nos jogos grandes anteriores, teve pouco impacto na manobra ofensiva do conjunto de Jorge Jesus e raramente conseguiu desequilibrar os opositores. Além disso, somou a uma exibição apagada dois desperdícios flagrantes, um deles com a baliza aberta, algo que já tinha acontecido em Guimarães. 

Jogador a Seguir: Rafa Soares (Académica) – Muitos auguram um grande futuro ao lateral emprestado pelo FC Porto e a verdade é que o jovem de 20 anos tem sabido aproveitar as oportunidades na equipa de Coimbra. Defensivamente possui algumas lacunas que ainda terá de corrigir, mas ofensivamente é um elemento que desequilibra pela profundidade que oferece, pela sua capacidade de cruzamento e pela qualidade nas bolas paradas. Nesta jornada esteve em destaque, mas os seus companheiros não souberam responder com eficácia às suas assistências. 

Rodrigo Ferreira

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