24: Ao rubro

Ao fim de 24 jornadas, o campeonato está mais aberto do que nunca. Na ronda que antecedia o maior derby do futebol português, Benfica e Sporting tinham (como sempre) o objectivo de vencer, de modo a chegarem na melhor posição possível ao duelo de gigantes do próximo Sábado. Os encarnados, o único grande com folga a meio da semana, tinham como adversário o União da Madeira, numa partida que, por obra de S. Pedro, acabaria apenas por se realizar um dia depois do previsto. Jonas voltou a ser o homem golo, numa temporada memorável ao momento ao nível da finalização (26 golos na Liga, sendo nesta altura o líder da Bota de Ouro). No jogo que marcou a estreia de Grimaldo na Liga e o regresso de Nélson Semedo ao 11, o brasileiro, em contraste com o desperdício dos colegas, tratou de dar colorido ao domínio das águias, num embate que proporcionou excelentes exibições de ambos os guarda-redes. Por outro lado, o Sporting tinha pela frente um sempre difícil confronto no D. Afonso Henriques, um terreno onde o FC Porto tropeçara e o Benfica vencera com alguma dificuldade. No regresso de Coates, a defensiva leonina voltaria a exibir-se a bom nível, anulando quase por completo o ataque dos vimaranenses. Todavia, o caudal ofensivo produzido não surtira efeitos práticos, tendo a ineficácia e o jovem Miguel Silva impedido o triunfo do líder. Jorge Jesus, que voltaria a mostrar-se algo nervoso e pouco assertivo na hora das substituições, e os seus pupilos viam agora a distância em relação aos rivais diminuir e a vitória diante do eterno rival é praticamente obrigatória. Por fim, o FC Porto cumpriu o seu papel no Restelo (pelo menos ao nível do resultado final, estando agora a quatro pontos da liderança). Os dragões construíram uma vantagem confortável desde muito cedo, beneficiando dos erros da pior defesa da Liga (52 golos sofridos), mas tornaram a demonstrar pouca capacidade para gerir o jogo e tiveram, novamente em Casillas, um elemento decisivo. Já o Belenenses, de Velázquez, continua na toada do futebol positivo, empurrados pelo maestro Carlos Martins e pela inteligência de Bakic, mas estas duas últimas derrotas acabam por tornar o acesso à Europa praticamente impossível. 
Em relação aos restantes desafios, o duelo Arouca x Braga, ou melhor, entre Lito Vidigal e Paulo Fonseca, terminaria sem golos, permitindo ao Rio Ave, que triunfaria no Bessa com apenas dez unidades em campo, ascender à 5.ª posição. Por outro lado, o Tondela ganhou alguma esperança na luta pela manutenção, derrotando o Moreirense no seu reduto e mantendo-se agora a oito pontos da salvação. Já a Académica não aproveitou o deslize do Boavista e as baixas do adversário, sendo derrotada nos Barreiros com um golo de Baba. Por fim, destaque para as goleadas impostas por Nacional e Estoril ao Paços de Ferreira e V. Setúbal, respectivamente, tendo Leo Bonatini feito miséria no embate diante dos sadinos.

Melhor Equipa: Estoril – Exibição em cheio da turma de Fabiano Soares, numa vitória que lhes permite ascender ao 9.º lugar, ficando a a seis pontos de um lugar europeu. Os Canarinhos tem primado esta época pela irregularidade, alternando exibições cinzentas com outras de futebol atractivo, mas o recuo de Bonatini, a velocidade de Gerso e o crescimento de elementos como Anderson Esiti, Mendy e Mattheus tem permitido ao conjunto da Linha ser uma equipa mais forte nas últimas jornadas. Nesta ronda, reduziram a pó um V. Setúbal que não vence há 5 jogos.

Equipa Desilusão: Paços de Ferreira – A formação pacense não vence desde 11 de Janeiro, mas há muito que o futebol da turma de Jorge Simão não agrada. À exepção dos raides de Diogo Jota e de Edson Farías, os Castores têm muita dificuldade em criar perigo, sendo que essa situação acabou por ser agravada nesta jornada com a ausência do melhor marcador da equipa, Bruno Moreira. Por outro lado, Pelé ficou, de forma algo surpreendente, no banco, tornando o meio-campo menos capaz (A lesão de Romeu tornou a equipa menos equilibrada e o jovem Andrezinho também caiu muito de produção em relação aos primeiros meses) e contribuindo para o crescimento de um Nacional que soube explorar as fragilidades defensivas do opositor.

Melhor 11 da 24ª jornada da I Liga: Miguel Silva (V. Guimarães), Baiano (Braga), Coates (Sporting), Rui Correia (Nacional), Babanco (Estoril), William Carvalho (Sporting), Cafú (V. Guimarães), Kayembe (Rio Ave), Brahimi (FC Porto), Jonas (Benfica), Leo Bonatini (Estoril)

Melhor Jogador: Leo Bonatini (Estoril) – O brasileiro não marcava desde o confronto com o Benfica, mas correspondeu da melhor maneira diante do V. Setúbal, apontando um hat-trick (poderia ter sido poker se não tivesse desperdiçado um penalti). O avançado de 21 anos é claramente o melhor jogador da equipa da Linha e leva até ao momento 13 golos no campeonato, acrescentando igualmente a sua qualidade técnica (tem actuado mais recuado do que era habitual) e combinando muito bem com Mattheus e com o poderoso Mendy. 

Jogador Desilusão: Slimani (Sporting) - Menos agressividade e muito menos golos: vem de uma série de 4 jogos sem marcar e nas últimas 7 partidas só marcou em uma. Foi o melhor jogador em Portugal na 1.ª Volta, mas nos últimos tempos, talvez devido ao ruído exterior, tem perdido influência. Em Guimarães, além da inércia no momento da finalização - desperdiçou duas excelentes oportunidades - esteve sempre encolhido e até levou Jesus a substituí-lo.

Jogador a Seguir: Raúl Gudiño (União da Madeira) – O FC Porto deposita muitas esperanças neste mexicano e não é por acaso. Após uma estreia pouco conseguida com o Estoril, o guardião emprestado pelos dragões exibiu-se a um grande nível na casa de um dos candidatos ao título, evitando a goleada do conjunto de Rui Vitória. Aos 19 anos e após 24 jogos no FC Porto B nesta temporada, Gudiño tem aqui a oportunidade de evoluir num escalão superior e de convencer ainda mais as hostes portistas.

Rodrigo Ferreira

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