Sporting não aguenta a pressão e já tem a companhia do Benfica; Leões demonstraram pouco critério na frente e voltaram a escorregar em casa; William somou mais uma má exibição; Slimani perdeu o duelo com Roderick; Coates e Barcos estrearam-se pelos leões; Oliveira lesionou-se

Sporting 0-0 Rio Ave

Novo líder na Liga. O Sporting não aguentou a pressão e ao escorregar novamente em Alvalade (0-0 frente ao Rio Ave) tem agora a companhia do Benfica na liderança, sendo que os encarnados, por terem melhor diferença de golos (só na última jornada é adoptada a regra final do confronto directo) ficam com o 1.º lugar. Os verde e brancos, que na teoria até tinham um arranque de 2.ª volta favorável com 3 dos 4 primeiros jogos em casa, fruto de duas igualdades em casa, quando nada o fazia prever, dão assim vida aos rivais, e complicam o objectivo. Isto depois de um jogo em que pecaram na finalização e principalmente na decisão, com demasiadas jogadas sem critério. Mérito para o Rio Ave, que depois de ter empatado no Dragão volta a tramar um candidato.

Em relação ao encontro, o Sporting entrou algo apático, um pouco à semelhança do desafio perante o Tondela (vários passes errados), mas a primeira oportunidade até esteve nos pés de Bryan Ruiz, tendo o costa-riquenho desperdiçado um ressalto quando se encontrava isolado. Pouco depois foram Adrien e Teo a desperdiçar, sendo que do outro lado foi Kayembe, na cara de Patrício, a vacilar na hora da finalização. Os leões tentavam assumir o controlo do jogo, mas o Rio Ave criou sempre problemas, fechando os espaços e conseguindo contra-atacar, Até final da primeira parte, João Mário, após driblar um defesa, permitiu nova defesa de Cássio, enquanto que a fechar o primeiro tempo foi Tarantini, médio com muita chegada à área, a ver Patrício negar-lhe o golo. Na etapa complementar, o Sporting voltou a revelar a mesma insegurança no passe e a problematizar no meio-campo ofensivo, sendo que foi Slimani o primeiro a desperdiçar (cabeceamento por cima da barra). Do outro lado, Kayembe voltou a claudicar, após cruzamento de Edimar. Jesus lançava Barcos e Gelson (Semedo também substituiu o lesionado Paulo Oliveira), mas os leões, apesar de intensificarem o seu ataque, raramente desmontaram a defensiva contrária. Os adeptos aguardavam ansiosamente por novo golo na recta final do jogo, mas tal não aconteceu, apesar de terem gritado uma vez (golo anulado por falta de Coates). Até final, Barcos e Slimani tentaram marcar através de alguns cabeceamentos, mas sem qualquer perigo para os vilacondenses.

Sporting - Continuam as dificuldades dos Leões em vencer os jogos em Alvalade contra adversários menores (foram raros os encontros em que o conseguiram de forma convincente) que, desta vez, resultou na perda da liderança isolada do campeonato. Tornam-se óbvias as limitações individuais em furar blocos recuados, a ausência de um abre-latas que desequilibre em situações de igualdade/inferioridade numérica e, hoje, o desperdício de Slimani (Barcos entrou mas não teve impacto) também não ajudou. Para complicar os homens do meio-campo foram incapazes de mudar o ritmo da partida, com William a actuar num nível miserável (perdas de bola, fraqueza nos duelos individuais, incapacidade na recuperação, passes falhados) e Adrien longe do nível de outros jogos. Numa manobra ofensiva já pouco capaz, a não influência dos laterais foi ainda mais notória, com João Pereira e acima de tudo Zeegelaar muito recuados e pouco disponíveis para os cruzamentos e envolvimento com os extremos. Individualmente, Rui Patrício salvou quando a equipa precisava, Coates teve uma prestação razoável na estreia (mostrou alguma qualidade na saída de bola, mas também cometeu um erro grave numa posse e perdeu um lance nas alturas com Tarantini que podia ter resultado no golo do Rio Ave) e Gelson não conseguiu agitar como noutras partidas. Nota ainda para a lesão de Paulo Oliveira, que contudo foi bem substituído por Rúben Semedo.

Rio Ave - A equipa de Pedro Martins cumpriu com as expectativas e aproveitou as debilidades que o Sporting tem apresentado contra equipas menos cotadas em Alvalade. Durante quase toda a partida conseguiu colocar em sentido a última linha do Sporting (depois da entrada de Semedo a transição ofensiva dos Vilacondenses piorou), aproveitando a velocidade e potência dos 3 homens da frente: Kuca, Yazalde e Kayembe. A facilidade com que conseguiram criar oportunidades no primeiro tempo (terminou a primeira parte com pelo menos 2 excelentes acções para finalizar) e a liberdade que os homens mais adiantados tinham, em especial fruto das fracas coberturas que William disponibilizava (e que foram exploradas), podiam ter justificado maior acerto e qualidade na decisão dos avançados, em especial de Kayembe. A título individual, nota de destaque para a excelente exibição de Roderick ao ponto de levar Slimani a dar-se à marcação ao seu companheiro (perdeu quase todos os duelos para o ex-Benfica, tanto pelo ar como na profundidade) e de Cássio que foi decisivo em várias saídas a cruzamentos/bolas paradas. A bom nível estiveram também os laterais do Rio Ave (controlaram muito bem os movimentos interiores dos alas do Sporting) e Tarantini que, apesar do desperdício, teve o mérito de aparecer na área adversária.


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