Sporting escorrega; Leões abusam do desperdício e chegam com menos margem ao dérbi; Miguel Silva encheu a baliza; Slimani esteve demasiado tímido e foi substituído quando o Vitória só tinha 10; William foi o melhor do conjunto de Jesus; Semedo falha Benfica

Vitória Guimarães 0-0 Sporting

Campeonato relançado. O Sporting, mesmo com a gestão na Liga Europa, escorregou em Guimarães e tem agora o Benfica a apenas a 1 ponto e o FC Porto a 4, isto numa semana antes do dérbi. Num jogo mais intenso que bem jogado, os leões foram melhores, tiveram oportunidades suficientes para conseguir os 3 pontos, mas a ineficácia a juntar a uma grande prestação de Miguel Silva não permitiu que o marcador se desbloqueasse. William Carvalho voltou às grandes exibições, mas na frente faltou qualidade individual para aproveitar o que foi criado, num jogo em que Slimani (que também desperdiçou na finalização) esteve demasiado tímido mas evitou o amarelo, ao contrário de Rúben Semedo, que assim falha o duelo frente ao Benfica.

Quanto ao encontro, os Vimaranenses entraram melhor, com Licá, bem servido por Ricardo Valente, a obrigar Rui Patrício a uma primeira intervenção para sacudir um remate de pé esquerdo. Mas o Sporting respondeu e foi tomando conta do jogo, tendo mais bola e ganhando vários cantos que foram empurrando o conjunto de Conceição para perto da sua baliza. Aos 18 minutos, na sequência de um canto, a bola sobra para João Mário que coloca em Ruiz, tendo o Costa-Riquenho oferecido o golo a Coates, mas o Uruguaio não foi capaz de bater Miguel Silva. Logo a seguir, nova soberana chance para os Verde e Brancos, com Schelotto a cruzar para Slimani que, tal como Coates, viu Miguel Silva defender o seu remate. O jogo foi tornando-se cada vez mais duro, com muito contacto físico e duelos que não raras vezes eram demasiadamente viris, tornando-se o jogo algo confuso e sem lances junto das balizas. O Sporting, sem sufocar, era quem tinha mais iniciativa, mas voltou a desperdiçar, primeiro com Gelson a testar Miguel Silva e depois, já em cima do intervalo, com o jovem a assistir Slimani que, em excelente posição, não conseguiu desviar na direcção da baliza e o marcador foi a zeros para o descanso. No segundo tempo, os Leões mantiveram a superioridade, tendo Bruno César descoberto bem na direita Gelson mas o jovem perdeu tempo e não conseguiu finalizar. Pouco depois, Jesus lançou Teo (saiu Gelson) e instantes depois da entrada depois da entrada do Colombiano o Sporting voltou a estar certíssimo do golo, com Schelotto a cruzar para Ruiz que, à boca da baliza e com Miguel Silva fora do lance, não consegue direcionar o cabeceamento (a bola vinha muito tensa e ele estava desequilibrado) e a bola sai por cima da barra. Aos 70', Miguel Silva voltou a brilhar, tapando a baliza a Bryan Ruiz quando este estava isolado (excelente passe de João Mário). Três minutos depois, Aquilani bombeia a bola na frente, a qual é perseguida por Slimani que, depois de Paulo Henrique escorregar, fica em boa posição e o árbitro entende que é derrubado por Josué, tendo assim o central visto o segundo amarelo e correspondente vermelho. Em superioridade numérica, os visitantes acentuaram ainda mais o domínio, tendo continuado a desperdiçar ocasiões claras: aos 82', Ruiz encontra William e este, com tudo para marcar, atira para fora, e aos 85', já com Barcos em campo (saiu Slimani), o Avançado encontra espaço para rematar de pé esquerdo mas Miguel Silva voltou a dizer presente, sendo que Schelotto também atirou com perigo, levando tanto desperdício a um empate final a zero golos.

Vitória - Equipa à imagem do treinador: agressividade, intensidade, quezílias e muitas interrupções para quebrar o ritmo da partida. O jogo foi mal jogado em grande parte dos minutos, com vários atletas a entrar no limite da agressividade, mas fica a ideia de que, embora o Sporting tenha tido oportunidades suficientes para ganhar, a estratégia do treinador resultou, já que o jogo entrou numa dimensão que o Vitória gosta. A nível ofensivo a cara da equipa já foi outra, a raramente conseguir ataques organizados, baseando o seu jogo na busca do pontapé à procura de Dourado (que conseguiu ganhar alguns lances a dois centrais fortes pelo ar, para além de algumas faltas em zonas de perigo), algo que não permitiu aos seus alas ter um grande impacto no meio-campo ofensivo. Quem não teve a influência habitual foi Otávio (previsível pela falta de bola que teve), tal como Cafú que assumiu um papel mais de contenção e de vigilância dos movimentos interiores de Ruiz e Gelson. Ainda assim, o mérito do resultado vai, em grande parte, para Miguel Silva que com um punhado de defesas (2 delas são espetaculares no 1.º tempo) mostrou o porquê de ser merecedor da confiança de Sérgio Conceição, muito embora ainda não revele a segurança que se pede entre os postes (dificilmente pára um remate à primeira).

Sporting - Tropeção antes do derbi que permite aos rivais (+1 para o Benfica, +4 para o Porto) encurtar a vantagem numa jornada em que venceram os respectivos adversários. Jorge Jesus fez poupanças durante a semana com vista ao jogo na cidade berço, mas acaba por sair fragilizado dos dois jogos, com a eliminação da Europa e uma não-vitória no jogo que era a "prioridade" para o clube. O treinador lançou Gelson e Bruno César no ataque, apostas que não foram produtivas a criar desequilíbrios (o Português esteve mais em jogo, tendo oferecido um golo que Slimani não aproveitou, mas também falhou muito tecnicamente em vários lances) e Ruiz e Slimani, dois dos pilares da equipa que hoje estiveram infelizes no momento da finalização. O argelino particularmente esteve muito apagado, até algo tímido na abordagem ao jogo; A equipa conseguiu criar oportunidades, conseguiu aparecer com frequência na área contrária, tendo bola em zonas de finalização, mas a ineficiência acabou por atirar o jogo para uma dimensão física e psicológica que o Sporting não soube suportar. Individualmente, destaque para as boas exibições de William Carvalho (hoje com a braçadeira foi o patrão do meio-campo, recuperando imensas bolas, cobrindo bem os espaços, sendo que o seu remate falhado no final da partida poderia ter coroado uma excelente exibição), de Coates, que voltou a grande nível ao centro da defesa, Semedo (quase sempre impecável com bola), e Schelotto, que com o seu jeito, muitas vezes algo trapalhão, foi dos que mais situações de desequilíbrio criou. Os restantes elementos estiveram aquém do que podem produzir e a ausência de Adrien foi notória no comando da equipa.

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