Hattrick de Ronaldo Tavares (Sporting) no clássico frente ao FC Porto; Barcelona volta a sofrer mas é cada vez mais líder

A capacidade física dos leões, com Ronaldo Tavares em destaque (um jogador impressionante na área contrária) faz a diferença neste escalão.

Na partida de abertura da fase de apuramento de campeão de Júniores, o Sporting recebeu e venceu o FC Porto por 3-0, tendo Ronaldo Tavares apontado um hattrick. Os comandados de António Folha até entraram melhor, tendo mais bola e procurando a baliza do Sporting de forma mais organizada, mas foram surpreendidos por um lançamento rápido que viria a culminar no primeiro golo do jogo, finalizado por Ronaldo Tavares na cara de Diogo Costa. Desde então a tendência do jogo foi a mesma com um FC Porto a assumir, de forma consentida, as rédeas do jogo e os leões a explorar os momentos do jogo em que são exímios (transições, esquemas tácticos e jogo directo). As oportunidades iam pertencendo quase todas à equipa da casa, com incidência para Ronaldo Tavares que teve 2 situações na cara do guarda redes adversário, mas que foram exemplarmente travadas pelo ainda juvenil dos Dragões. No 2.º tempo, poucas alterações nos esquemas iniciais, com uma partida na linha dos primeiros 45 minutos, desta vez com o domínio do Porto a materializar-se na criação de oportunidades, ainda que sem efeitos práticos: Bruno Costa atirou à trave numa situação de livre directo, Pedro Silva evitou duas situações claras, mas quem aproveitou foi o Sporting para dilatar a vantagem, de novo por intermédio de Ronaldo Tavares. Até final os treinadores mexeram - Tiago Fernandes fechou a baliza e com a entrada de Amâncio procurou a profundidade, Folha lançou Ezeh e Rui Pires -, mas o resultado voltou a aumentar, com mais um tento de Ronaldo Tavares (incrível a exibição do jovem) a fixar o resultado em 3-0. Notas: Sporting - Demonstração de superioridade e maturidade do conjunto de Tiago Fernandes. Uma geração tremenda fisicamente com vários elementos claramente diferenciados a este nível que conseguem desequilibrar quando o jogo passa por duelos individuais, como são os casos de Ronaldo Tavares ou Bubacar Djaló. A equipa soube explorar aquilo em que é mortífera, como as bolas paradas e as transições, com destaque não só para o avançado, como para Bruno Paz e Pedro Empis. O jovem avançado foi o homem do jogo, apontando um hat-trick e colocando em sentido toda a linha defensiva dos ainda campeões nacionais, o lateral Bruno Paz conseguiu desequilibrar na frente, mostrando a habitual competência defensivamente e, por fim, Pedro Empis, hoje a extremo, foi útil para fechar o flanco, não descurando aquilo em que é melhor, concretizando vários cruzamentos para o seu avançado, um deles dando o 2.º golo. FC Porto - Depois de uma 1.ª fase em recuperação foi travado por um Sporting letal nas transições e organizado sem bola. A equipa de Folha viu-se privada de Rui Pedro (lesionou-se no torneio de La Manga) e sentiu a falta de uma referência na frente, já que Tony Djim e Luís Mata, depois dos desequilíbrios, não conseguiam encontrar um companheiro para finalizar e combinar. Destaque para a utilização de dois juvenis (Diogo Costa e Diogo Queirós), com o guarda-redes a fazer uma exibição de alto nível, dando continuidade à revelação que foi na fase norte, e o defesa central a mostrar uma tranquilidade que faltou ao seu companheiro Jorge Fernandes. A bom nível estiveram também Bruno Costa (o elemento que mais desequilibrou na frente, nem sempre de forma eficaz, já que falhou os timings de soltar a bola) e Fernando Fonseca (foi batido no 2.º golo dos leões, mas ofensivamente esteve muito melhor que o lateral contrário, explorando o jogo interior e procurando combinações com os interiores e alas).

Os 3 pontos foram para o Barça, que assim coloca Real e Atlético a 9 e 10 pontos de distância. Mas os elogios têm de ir para o Las Palmas. Seria menos arriscado jogar com um bloco junto à frente da baliza e procurar um empate, mas não foi isso que a equipa de Quique Sétien fez e até as pernas deixarem (os insulares rebentaram fisicamente por volta dos 65 minutos) colocaram os catalães em sentido. Apesar de estar em zona de despromoção e de ser um conjunto recém-promovido, o Las Palmas não se amedrontou, procurou sempre sair a jogar e manteve a posse de bola com qualidade, retirando o controlo do jogo aos líderes do campeonato. Fazem falta mais clubes, treinadores e jogadores com esta mentalidade. 

O Barcelona venceu o Las Palmas por 2-1 e cumpriu o objectivo de pressionar os rivais de Madrid nesta jornada. A equipa de Luis Enrique, em vésperas de defrontar o Arsenal para a Champions, fez um jogo pouco conseguido e, à semelhança do que aconteceu contra o Levante e o Sporting Gijón, teve muitas dificuldades para sair com os 3 pontos. Frente a um adversário que fez uma excelente partida colectivamente, valeu a qualidade de Luis Suárez, o protagonista do encontro. O uruguaio marcou logo a abrir, consolidando a liderança na tabela de melhores marcadores, e foi decisivo na jogada do segundo golo (finalização de Neymar), embora tenha partido de posição irregular.

O jogo teve uma primeira parte muito movimentada e dois golos madrugadores. Suárez, assistido por Alba, deu vantagem ao Barça e fez acreditar que seria um jogo fácil para os catalães, mas a resposta não tardou e Willian José fez o 1-1 logo de seguida. A partir daqui, houve várias ocasiões de parte a parte, embora os catalães tenham disposto das mais flagrantes. Javi Varas ia evitando o 2-1, mas nada pode fazer quando Suárez arrancou pelo lado direito, sentou um adversário e permitiria a Neymar (já depois de Messi ter desperdiçado) colocar os culés de novo na frente. Até ao intervalo, foi o Las Palmas que esteve por cima, com Momo em bom plano pelo lado esquerdo. 

O início da segunda parte deu a ideia de que o Barça iria controlar com mais facilidade, mas o Las Palmas voltou a acreditar e a criar perigo. Viera e Tana estiveram mais em jogo e juntaram-se a Momo e Willian José, incansável na frente, no ataque à baliza de Bravo. Contudo, a partir dos 65 minutos, altura em que Luis Enrique subiu Mascherano para o meio campo (na ausência de Busquets, foi Sergi Roberto que jogou como pivot defensivo), os catalães finalmente conseguiram ter a posse de bola durante largos períodos e impediram os insulares de chegarem com perigo à área contrária. Com Messi e Neymar menos brilhantes do que é habitual, o melhor em campo foi o médio Roque Mesa , que fez uma exibição incrível no meio campo do Las Palmas- exímio nas coberturas, muito disponível e com grande critério na distribuição - e merecia, por vezes, outro acompanhamento. 

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