Reviravolta mantém FC Porto na luta; Dragões estiveram a perder por 2-0 mas, mesmo com muito desperdício, conseguiram os 3 pontos; Penalti de Layun deu inicio à recuperação; Suk esteve em destaque na frente, Chidozie desastrado na defesa; Iuri Medeiros e Stefanovic foram as figuras do Moreirense

FC Porto 3-2 Moreirense (Layún 41' g.p. e Suk 73' e Evandro 76'; Iuri Medeiros 10' e Fábio Espinho 28')

De maneira sofrida mas o FC Porto conseguiu derrotar o Moreirense e continua assim na luta pelo título. Os dragões, que até apresentaram um caudal ofensivo invulgar (tantos foram os remates e oportunidades), entraram mal na partida, estiveram mesmo a perder por 2-0 mas três golos na sequência de lances de bola parada, permitiram a reviravolta, sendo que o penalti em cima do intervalo acabou por ter um impacto decisivo no resultado final. Suk, na estreia a titular para a Liga, respondeu com um golo e uma boa exibição (a barra e Stefanovic impediram que somasse mais alguns tentos), Danilo também voltou a encher o campo, mas Corona mais uma vez não acrescentou o necessário (sem surpresa saiu ao intervalo), e Chidozie, no 2.º jogo a titular para a Liga, acumulou erros demasiado infantis na defesa ( o lance do 0-1 é caricato); No Moreirense, além do guardião, Iuri com um golo e uma assistência espectacular, voltou a fazer a diferença.

Quanto ao encontro, as equipas entraram com a postura esperada, com o FC Porto a assumir a bola e o domínio territorial, e o Moreirense a fechar atrás e a tentar explorar situações de contra-ataque. Numa dessas situações, surgiu a primeira oportunidade, com Boateng a rematar perto do poste. No entanto, os visitantes viriam mesmo a chegar ao golo em mais uma transição rápida, com Boateng a isolar-se perante Casillas (Chidozie muito mal no posicionamento), que evitou à primeira, mas não conseguiu evitar o remate de Iuri Medeiros (muito bem servido por Evaldo), que rematou para a baliza sem guarda-redes e fez o seu 7º golo na Liga. O primeiro aviso dos portistas surgiu por Suk, mas o seu cabeceamento foi travado com alguma sorte por Stefanovic (no canto Danilo cabeceou ao lado). Os dragões iam tendo problemas para furar a defesa contrária, com alguma lentidão de processos e também desacerto no capítulo do passe. Quem aproveitou foi a formação de Moreira de Cónegos, que chegou ao 0-2 em mais uma transição rápida (um dos grandes problemas do Porto de Peseiro), com Iuri Medeiros a isolar de forma brilhante (Chidozie ficou mais uma vez mal na fotografia) Fábio Espinho, que não perdoou perante Casillas. A partir daí, os azuis e brancos acentuaram a pressão, com mais velocidade no último terço e empurrando os forasteiros para a sua área. Maxi esteve perto do golo num lance em que Stefanovic se opôs com qualidade e na sequência do canto Suk, com um grande cabeceamento, levou a bola a bater na barra. O Porto viria a reduzir o marcador num lance em que o árbitro entendeu haver falta de André Micael sobre Maxi Pereira, com Layún a não perdoar da marca dos 11 metros. Até ao intervalo, os portistas podiam ter chegado ao empate, mas o guardião contrário evitou o golo por duas vezes (primeiro segurando numa tentativa de Suk e depois com uma bela mancha perante André André). Ao intervalo, Peseiro lançou Evandro para o lugar de Corona (André André passou a jogar mais descaído na ala), mas foi o Moreirense a entrar melhor no 2.º tempo, com Casillas a evitar o golo em duas ocasiões: primeiro numa grande estirada a um remate de Nildo e depois numa defesa complicada após um remate de Iuri Medeiros (claramente o jogador acima da média neste conjunto) de fora da área. Depois desses sustos, os dragões assumiram novamente as despesas do jogo, mas não conseguiam criar ocasiões para marcar (Stefanovic ia anulando todas as investidas contrárias) e os visitantes iam sempre criando perigo no contra-ataque. Com o passar dos minutos e com o Dragão a começar a ficar nervoso, Peseiro arriscou tudo e lançou Marega para o lugar de Chidozie (jogo para esquecer), recuando Danilo para central. No minuto 70, o Porto chegou mesmo ao empate, com o suspeito do costume Layún a marcar o canto e Suk a ver o seu esforço recompensado (mostrou grande disponibilidade) e a estrear-se a marcar pelos azuis e brancos para o campeonato. Esse golo empolgou a formação da casa, que pouco depois chegou ao terceiro através de Evandro, que marcou de cabeça após Herrera salvar de forma acrobática um cruzamento largo. Com o 3-2 os portistas passaram a controlar por completo, com os visitantes a deixarem de conseguir lançar os seus ataques, e o resultado não conheceu alterações até ao apito final.

FC Porto - Exibição de trás para a frente dos dragões, com uma entrada completamente falhada na partida, concedendo inúmeras situações de contragolpe ao adversário fruto de um controlo do espaço deficiente por parte da última linha. As equipas de Peseiro costumam ter dificuldades na transição defensiva e o jogo de hoje (o do Benfica já o havia sido) foi demonstrativo disso mesmo, com várias situações de igualdade numérica no meio-campo Portista a que não ajudou a inocência de Chidozie na abordagem de alguns lances. O jovem, que teve uma estreia positiva na luz, mostrou algumas fragilidades na posição de central, procurando mais a referência individual do que a da baliza (no 1.º golo coloca os apoios de forma errada, abrindo o corredor central para a incursão de Boateng) e errando alguns timings de intercepção (este também no 2.º golo do Moreirense, embora desprotegido). Melhor esteve Suk na sua estreia a titular no campeonato oferecendo sempre algo ao jogo (muita disponibilidade física e movimentos a procurar as costas da defesa), ainda que algo infeliz na finalização. No ataque, Corona voltou a ter uma exibição aquém do esperado que lhe valeu a substituição e Brahimi, ao contrário do clássico, não conseguiu fazer a diferença. Destaque também para Casillas com algumas intervenções decisivas no início do 2.º tempo, assim como Danilo que é fundamental na manobra dos dragões (com bola, sem bola, em esquemas tácticos ofensivos) e continua a mostrar o porquê de ser, até à data, o melhor jogador na sua posição do nosso campeonato.

Moreirense - Entrada arrojada do conjunto de Miguel Leal, com mérito ao aproveitar as fragilidades do adversário, mas pouco consciente da vantagem de 0-2 que tinha em mãos. Com uma vantagem tão larga em casa duma equipa grande a forma como abordou o jogo não foi a mais correcta, já que se expôs ao jogo que o Porto precisava (jogo de vaivém constante, com vários desequilíbrios) ao invés de reduzir a velocidade e aumentar a impaciência de uma equipa que já mostrava alguma intranquilidade. Desde então só voltou a adormecer o jogo nos primeiros minutos da 2.º parte - mais por inércia do Porto, já que depois da entrada de Evandro a equipa perdeu alguma acutilância -, mas a partir da entrada de Marega a partida caminhou para um estado em que parecia inevitável a derrota. A título individual, mais uma exibição de grande nível de Iuri Medeiros que parece gostar de marcar aos rivais da sua equipa mãe (muito forte no passe e no remate, apesar de hoje ter perdido algumas bolas), tal como Stefanovic que foi parando várias tentativas portistas. A bom nível esteve também Boateng (20 anos) que soube aproveitar os vários erros de Chidozie para criar desequilíbrios na área contrária e servir os seus companheiros em algumas ocasiões (o 1.º golo surge depois de uma jogada sua).

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