O novo Príncipe de Turim

A saída de Tévez para o Boca Juniors no mercado de transferências do verão, após, possivelmente, a sua melhor temporada de sempre, deixou o mundo do futebol surpreendido. Não só pela valia individual que ainda representava para a Juventus (foi um dos elementos mais preponderantes para a fantástica época da Vecchia Signora - “dobradinha” e vice-campeã da Liga dos Campeões), mas também pelo valor monetário envolvido (apenas cerca de 6 Milhões de Euros). Porém, a direção bianconeri já tinha entre mãos um substituto à altura dos acontecimentos: Paulo Dybala.

Formado no Instituto, da Argentina, Dybala começou, desde cedo, a revelar qualidades extraordinárias. Aos 18 anos, já era titular no emblema supramencionado, e com registos de fazer inveja a grandes avançados: ao todo, apontou 17 golos na sua época de estreia, no segundo escalão argentino. Porém, o talento do jovem canhoto pedia novos e mais prometedores desafios, embarcando para a Sicília, em 2012, para se juntar ao Palermo, clube que servira de porta de entrada a outros craques sul-americanos (Cavani e Pastore, nomeadamente). Apesar do inegável potencial de “La Joya”, os seus dois primeiros anos no futebol europeu estiveram longe de ser de sonho. No primeiro, viu a sua equipa descer de divisão; no segundo, no escalão secundário italiano, conseguiu a promoção, mas com um pecúlio modesto para um atacante (5 tentos), não obstante os bons pormenores ao longo da temporada. Por isso, a Europa teve de esperar até 2014/15 para ver a derradeira “explosão” do prodígio: 13 golos na Serie A, exibições de grande nível, capacidade de levar a equipa “às costas”, tudo predicados que um avançado que se preze deve possuir. Como tal, o assédio de que foi alvo não deixou ninguém surpreendido, muito menos o rumo escolhido: Turim.

Na Juve, Dybala está a ter um impacto que poucos profetizaram. É certo que vinha com excelentes referências, mas a inexperiência em emblemas de topo e pressão associada a tal facto não auguravam resultados a curto prazo tão efetivos como está, de facto, a obter. Neste momento, Paulo é um dos indiscutíveis de Allegri, somando já 16 golos nos 34 jogos que disputou em todas as competições. Além do mais, é incontestável a influência que exerce no jogo da Vecchia Signora, ao ponto de já ter conseguido fazer “esquecer” Carlos Tévez e de ser, nesta fase, o melhor marcador da Juventus, superando nomes como Álvaro Morata e Mario Mandžukić.

Como vários atacantes albicelestes do mais alto quilate, Dybala não prima pela capacidade física - os seus 176 cm, de resto, não o permitem. Contudo, à imagem de Agüero e do “Apache”, tal caraterística não é dramática. Apesar de estar mais rotinado a jogar na frente de ataque, também pode desempenhar funções de extremo direito, onde causa estragos com o seu formidável pé esquerdo. Pode-se, portanto, afirmar, sem receio, que os 32 M€ (+ 8 por objetivos) dispendidos no pequeno craque foram, não um gasto, mas sim um investimento certeiro.

Contando somente com 22 anos de idade, “la joya” é, nos dias que correm, uma das maiores coqueluches do futebol mundial. Como já referido, encerra em si tudo o que se pede ao avançado moderno sendo que, tendo ainda muito espaço para evoluir, não será de todo descabido colocá-lo, nos próximos anos, como uma das figuras da seleção das “pampas” (e se o ainda não é, tal se deve à feroz concorrência, pois classe não lhe falta) e, porque não, como digno candidato ao top da Bola de Ouro.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): António Hess

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