Sporting passeia na Choupana e volta a isolar-se a liderança; Slimani foi uma dor de cabeça para a defesa insular; Semedo esteve imperial; João Mário também se destacou; Nacional só incomodou Patrício em cima dos 90

Nacional 0-4 Sporting (Slimani 3' e 86', Adrien 52' g.p. e João Mário 63')

O Sporting, que vai numa série de 13 golos nos últimos 3 jogos fora de Alvalade para a Liga, até com relativa facilidade, cumpriu na Madeira e recuperou a liderança isolada. Os leões perante um Nacional medíocre dominaram o jogo por completo e com uma entrada forte em ambas as partes, castigaram a derrota do Benfica no Clássico para ficarem com 3 pontos de vantagem em relação ao rival lisboeta e 6 para o FC Porto. Slimani, que se fartou de massacrar a defesa insular (apesar de ter estado perdulário na finalização), abriu o activo com uma grande cabeçada e fechou o marcador de penalti; Adrien e João Mário também marcaram, num jogo em que Rúben Semedo ganhou pontos na defesa, com uma grande exibição. No conjunto de Manuel Machado, que continua aflito para fugir à zona de despromoção, Willyan foi o mais inconformado mas a equipa voltou a denotar uma grande mediocridade.

Em relação ao encontro, o Sporting entrou praticamente a vencer e isso facilitou a tarefa aos leões, tendo Slimani inaugurado o marcador com um belo golpe de cabeça, respondendo a um canto de João Mário. Manuel Machado lançou quatro unidades de ataque, mas a bola raramente lá chegou em condições, havendo uma clara precipitação em colocar o esférico na frente. Aos 30 minutos, Bruno César sai por motivos físicos, sendo substituído por Mané. O jovem avançado entrou bem na partida, agitou e perto do intervalo desperdiçou uma oportunidade flagrante, não finalizando da melhor maneira uma excelente jogada protagonizada por Slimani e João Mário. No segundo tempo, Manuel Machado lançou Román, mas o desenrolar dos acontecimentos não se alterou. Aos 51 minutos Rui Correia faz penalty, na sequência de um bom lance individual de Ruiz, e na conversão Adrien aumentou a contagem (por pouco Gottardi não defendeu). O Nacional não conseguia reagir e, após uma infantilidade da defesa, Slimani atirou à barra, tendo João Mário, na recarga, feito o terceiro. A partir daí Jorge Jesus começou a gerir, lançando Aquilani e Schelotto na partida, sendo que o italo-argentino acabou por conseguir uma grande penalidade aos 85 minutos. Slimani não perdoou e fez o 18.º golo na Liga. O resultado não mais se alterou, apesar do Nacional ter criado duas excelentes oportunidades perto do fim. Na marcação de um livre directo, aos 89 minutos Rodrigo Pinho, entrado no segundo tempo, assustou Patrício (naquela que foi a 1.ª e única intervenção do guarda-redes do Sporting no encontro) e, no último lance de relevo, já nos descontos, Willyan, a unidade mais inconformada dos madeirenses, disparou com perigo ao lado do poste esquerdo do guardião da selecção nacional, quando estava em boa posição.

Nacional - Uma versão muito aquém daquela que a equipa mostrava noutros anos em que competia pelo acesso às competições europeias. Já eram conhecidas as deficiências individuais do conjunto de Machado, especialmente na defesa, que com a saída para a China de Zainadine não foram devidamente compensadas. Na partida de hoje surgiu no onze o Argelino Belkaroui ao lado de Rui Correia, com os limitados laterais Aurélio e Sequeira a completar a última linha, algo que foi explorado pelos Leões desde início. Os erros individuais não forçados foram muitos (desde falhas na marcação, a penaltys despropositados) e, quando assim é, não há ataque que valha (ainda para mais quando esses elementos não conseguem intervir no jogo). Ainda assim, destaque positivo para Willyan pelo inconformismo, ao contrário de outros elementos da frente (Salvador Agra foi um zero). Certo é que a luta deste Nacional parece ser outra, em particular a da despromoção (tem a linha de água a poucos pontos).

Sporting - Mais um passeio fora de casa (3.º jogo consecutivo a marcar, pelo menos, 3 golos, fora de Alvalade para a Liga) que, em jornada de clássico, permite ao Sporting recolocar-se na liderança e cavar um fosso de 3 e 6 pontos para Benfica e Porto, respectivamente. Hoje as facilidades foram muitas e a boa entrada em jogo dos leões acabou por ser decisiva para fragilizar uma defesa que desde cedo mostrou insegurança e desconforto. Jorge Jesus apostou numa dupla de centrais composta por Rúben Semedo e Coates e esta não desiludiu. Num jogo em que tem de estar permanentemente na linha do meio-campo, atenta à profundidade e ao espaço, oferecendo qualidade no momento com bola, não só na saída apoiada como após a recuperação, mostrou uma capacidade que nenhuma outra dupla tinha mostrado até agora. O Uruguaio pelo lado direito, na faceta de central de marcação, e o Português atento às coberturas deram um espetáculo de segurança, anulando por completo o ataque do Nacional da Madeira (não tem uma única situação de perigo diante Patrício até ao minuto 90), tendo do ex-Setúbal exibido igualmente uma grande qualidade no momento com bola. Mais à frente, continua em momento não William Carvalho, sem conseguir ter impacto no jogo do Sporting (algum transporte de bola, mas pouco produtivo e sem ter influência ao nível do passe), ao contrário de João Mário que voltou a ser um dos mais criativos. Já Adrien teve infeliz no momento com bola, falhando alguns passes e dribles, mas compensou, como habitual, na pressão e disponibilidade física na recuperação. Melhor teve Slimani - oferece presença e golo, essencialmente pelo ar - que ao bisar continua na luta pelo prémio de melhor marcador, tal como João Pereira que, dentro do seu estilo, fez uma exibição completa (envolveu-se muito pelo corredor, pecando apenas no momento na decisão, demorando muitas vezes a soltar a bola e a discernir o momento entre cruzar e não cruzar). Por fim, destaque para a lesão de Bruno César que viria a ser substituído por Mané ainda no primeiro tempo.

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