Real nem com o Atlético; Merengues derrotados, em casa, pelo rival até o 2.º lugar complicaram; Griezmann aproveitou um brinde dos Blancos; Conjunto de Simeone anulou quase por completo os "galácticos" do Bernabéu

Real Madrid 0-1 Atlético de Madrid (Griezmann 53') 

Já começa a ser habitual. Pela terceira época consecutiva o Atlético de Madrid de Simeone foi ao Bernabéu bater o Real (quarta se consideramos o triunfo na vitória na final da Taça do Rei em 2012/2013) , desta feita por 1-0 graças a um golo de Antoine Griezmann no início do segundo tempo. Os Merengues realizaram uma péssima exibição (enorme dificuldade para criar situações de perigo e uma atitude sem bola que praticamente impede competir a este nível), a qual foi duramente castigada pelo público com vaias e assobios de "Florentino dimision", e estão agora a 4 pontos dos Colchoneros, podendo mesmo ver o Villareal ficar a somente 2 pontos.

Quanto ao encontro, a primeira parte foi algo morna, sem muitas acções de desequilíbrio que levassem perigo junto às balizas. O Real Madrid teve mais a iniciativa, perante um Atlético bem colocado atrás, fechando os espaços, no entanto os Merengues não conseguiam encontrar a baliza de Oblak (a circulação era lenta e previsível, permitindo aos visitantes nunca estarem descompensados. A única situação do conjunto de Zidane deu-se num livre forte de Ronaldo, que Oblak defendeu, tendo na sequência da jogada Benzema atirado para fora. Nos últimos minutos, os Colchoneros deram um passo em frente no terreno, passando a recuperar a bola um pouco mais à frente e a conseguir ter um pouco posse, tendo mesmo tido a melhor chance do desafio no primeiro tempo, quando ao minuto 41 Griezmann disparou de fora da área e Keylor Navas defendeu para canto. Ao intervalo, Zidane surpreendeu ao colocar Borja Mayoral no lugar de Benzema e a segunda parte entrou com os locais por cima, com Ronaldo a receber com tempo e espaço dentro da área e a rematar a centímetros do poste direito de Oblak, mas quem chegou as golos foi o conjunto de Simeone, ao minuto 53: condução de Griezmann, com o Francês a soltar para Felipe Luís que devolve ao número 7 que bate Keylor Navas. O Real sentiu o golo, o público começou a assobiar a equipa, o nervosismo foi-se acumulando da equipa que circulava sem causar problemas à defesa visitante, tendo sido mesmo Navas obrigado a impedir o 2-0, saindo bem aos pés de Saúl para evitar o golo. Os locais responderam com a sua segunda ocasião no desafio, com Ronaldo, completamente solto no coração da área, a desviar um cruzamento da direita directamente para as mãos de Oblak. Até final, os visitantes conseguiram quebrar muito o ritmo do jogo e esteve longe de se assistir a um massacre, tendo o Real rondado o golo apenas num remate enrolado de Mayoral e num disparo de Danilo de pé esquerdo, que saiu desviado, conseguindo o Atlético defender bem a maior parte das investidas Merengues para sair vencedor no grande duelo da capital.

Real Madrid - Mais um capítulo de terror na história recente do Gigante de Madrid. Até há bem pouco tempo o derby da capital era uma mera formalidade, mas desde a chegada de Simenone, e apesar do sucesso obtido na final da Champions, os desaires têm sido frequentes. A equipa, como tem vindo a suceder ao longo dos anos (não é um problema deste ou daquele treinador) é completamente incapaz de recuperar a a bola em zonas subidas, de ser eficaz na pressão, permitindo sempre que os rivais chegam com facilidade até à sua última linha (como sucedeu no lance do golo desta tarde). Em termos de circulação, também há dificuldades crónicas, nomeadamente a dificuldade de fazer mossa contra blocos baixos e compactos, também devido à ausência de um "driblador", que rompa linhas em progressão (nesse sentido as baixas de Marcelo e Bale são bastante prejudiciais). Individualmente, Navas ainda evitou dois golos que avolumassem o resultado, enquanto que na defesa Danilo até foi dos melhores, com uma atitude combativa e abnegada e conseguindo integrar-se bem na frente, estando mesmo perto de fazer o empate perto do fim. Depois, do meio-campo para a frente, Kroos continua uma sombra do que foi (também não é fácil ver que os colegas pressionam com os olhos), James está a fazer uma época horrível (exige-se muito mais a quem custou tanto - o Colombiano está lento, a pecar muito na decisão e mesmo em aspectos onde é muito forte, como o último passe, não lhe estão a sair bem) e Ronaldo esteve quase sempre fora do jogo (muitas recepções falhadas), tendo ainda desperdiçado as duas melhores oportunidade da equipa (no cabeceamento tinha de ter feito mais). Nota ainda para a entrada de Mayoral ao intervalo, com o jovem a apresentar-se com muitas "ganas" mas sem resultado prático.

Atlético de Madrid - O guião do costume, o qual ultimamente tem quase sempre servido para vergar o rival da cidade. Bloco baixo (muitas vezes com os avançados a 30 metros de Oblak), muita concentração a defender, a equipa muito junta, "convidando"o Real a atacar sempre por fora, com muitas ajudas e solidariedade. Se defensivamente o plano foi cumprido, já com bola a equipa fez o suficiente, conseguindo fazer golo numa das 3 oportunidades de que dispôs. Do ponto de vista individual, Oblak teve menos trabalho do que esperava (praticamente só teve de defender dois remates de Cristiano, que até iam pouco colocados), ao passo que a linha defensiva quase não cometeu erros, tendo ainda Felipe lido muito bem a jogada do golo (escapou à tendência de cruzar entre a defesa e o guarda-redes, fazendo bem o passe atrasado para Griezmann). O meio-campo fartou-se de correr e fechar espaços, com Augusto em evidência no plano defensivo. Na frente, Griezmann não desperdiçou no momento crucial, dando a vitória à equipa e conseguindo ainda reter algumas vezes a bola quando o jogo já estava 0-1.


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