Jonas não para de marcar; Super-exibição de Gudino adiou tranquilidade do Benfica mas o avançado brasileiro (que já leva 26 golos) resolveu; Júlio César também disse presente na melhor fase do União; Grimaldo deixou boas indicações na estreia; Rui Vitória poupou Sanches

Benfica 2-0 União (Jonas 5' e 76')

Com o inevitável Jonas a destoar com o desperdício do resto da equipa o Benfica cumpriu antes do Dérbi, ao derrotar o União, por 2-0. Os encarnados até criaram oportunidades para golear mas foram pecando na finalização (mérito de Gudino, que encheu a baliza), e o conjunto insular aproveitou para acreditar tendo tido mesmo duas boas oportunidades para empatar; Valeu às águias nessa fase Júlio César, que com uma excelente intervenção segurou a vantagem. Mas a noite voltou a ser de Jonas, que abriu o activo com um golaço e tranquilizou a equipa com um toque subtil (2 golos que permitem ao brasileiro assumir a liderança dos melhores marcadores da Europa, com 26 golos). Num jogo em que Grimaldo fez a estreia a titular para o campeonato, já Sanches não saiu do banco. No União, Amilton e Shehu estiveram em destaque.

Em relação à partida, como era esperado, o Benfica entrou a dominar e cedo chegou ao golo, com Jonas a aproveitar um mau alívio da defesa madeirense (para o coração da área) após uma bola parada de Pizzi e a finalizar com qualidade, de primeira. Os encarnados continuavam senhores do jogo, com o União (sem sucesso) a tentar sair no contra-ataque e, já depois de um remate perto do poste de Pizzi, começou o festival de Gudiño, com o mexicano a negar por duas vezes o golo a Mitroglou (no segundo lance no um-para-um) e a opor-se com categoria a um remate de Pizzi, após bela jogada. Só depois da meia-hora é que surgiram os primeiros avisos do União, com Júlio César, com uma grande saída (fora da área) a negar o golo a Toni Silva (que seguia isolado) e pouco depois Paulo Monteiro a rematar ao lado na sequência de um canto. As águias sentiram os sustos e voltaram à carga (com os insulares muito recuados no terreno), criando mais duas ocasiões: primeiro Gudiño fez uma defesa complicada a remate de Talisca de fora da área e depois Pizzi, após assistência de Gaitán, a não conseguir cabecear na direção da baliza. Com uma vantagem magra, o Benfica entrou no segundo tempo como terminou o primeiro, mas ia tendo dificuldades em furar a defesa contrária, que estava muito compacta (11 homens atrás da linha da bola). Já depois de Mitroglou falhar um desvio à boca da baliza, Rui Vitória lançou Salvio para o lugar de Talisca (Pizzi derivou para o centro do terreno) e à passagem do minuto 76 surgiu finalmente o golo da tranquilidade. Numa primeira instância, Gudiño defendeu um remate de Mitroglou, mas na sequência do canto Jonas desviou um remate do seu companheiro de ataque e bisou na partida. Pouco depois, o União podia ter reduzido, mas Élio Martins, isolado, atrapalhou-se e nem sequer conseguiu rematar. Até ao final os encarnados entraram em gestão e, à excepção de um remate de Guedes (que entrou bem) para nova defesa do guardião contrário e um disparo de Jonas por cima, não criaram mais chances de golo e o resultado manteve-se inalterado.

Benfica - Em vésperas de dérbi o campeão nacional fez a sua parte ao vencer o União da Madeira com um bis de Jonas que o coloca na liderança da Bota de ouro. O jogo começou de feição aos encarnados, apontando o primeiro golo cedo que por norma é o momento mais difícil contra equipas do cariz dos madeirenses, mas o tento da tranquilidade só chegou nos últimos 15 minutos, fruto de uma excelente exibição de Gudiño e do menor fluxo ofensivo na 2.ª parte. A partida foi quase sempre de sentido único, com o Benfica a procurar encontrar espaços num bloco muito junto e recuado do adversário, algo que foi conseguido com alguma frequência ainda que sem a eficácia devida, já que muitas das oportunidades não foram aproveitadas. A nível individual, destaque para Jonas que continua a ser o factor desequilibrador no ataque encarnado (muitas combinações, criatividade e situações de magia, mas acima de tudo golos), Grimaldo que aproveitou a sua estreia para somar pontos (envolveu-se de forma positiva no ataque, ainda que não tenha sido testado em situações defensivas), Nélson Semedo que voltou à titularidade depois de algum tempo de fora e, de certa forma, para Júlio César que num jogo de tão pouco trabalho mostrou atenção e segurança na única vez que foi chamado a intervir (o que por norma torna esse momento mais difícil, já que o tempo de descontracção é alto). Quem continua em baixo de forma é Samaris - longe do nível da temporada passada - que teima em acumular maus passes e não servir de tampão nas transições sem bola.

União - Imagem já esperada do conjunto de Norton de Matos que esteve demasiado encolhido no seu meio-campo, e a tentar explorar as situações de transição. Os Madeirenses acabaram por estar ligados ao jogo em função da exibição de Gudiño, mas a estratégia do treinador, colocando Tiago Ferreira como referência à frente da defesa para impedir as combinações entre Jonas e Mitroglou, não funcionou e retirou qualidade à equipa na saída após a recuperação da bola. A título individual, os momentos ofensivos da equipa resumem-se às iniciativas de Amilton que esteve claramente acima do nível dos seus companheiros Toni Silva e Danilo Dias. Sendo que Shehu no meio campo foi o único a acrescentar critério. No entanto, o grande destaque vai para Gudino que aproveita esta oportunidade para evoluir o seu jogo num patamar competitivo superior. Após o desfecho desta partida os unionistas ficam apenas 5 pontos acima da linha de água.

Etiquetas: ,