Casillas salva o FC Porto; Conjunto de Peseiro voltou a ser feliz em Lisboa mas Belenenses merecia mais; Bakic e Carlos Martins destacaram-se; André André somou mais uma má exibição

Belenenses 1-2 FC Porto (Juanto Ortuño 60'; Brahimi 9' e Tonel 19' p.b.)

O FC Porto antes de Peseiro vinha de uma série de 14 jogos sem vencer no distrito de Lisboa (a última vitória tinha sido em 2012), mas agora no espaço de um mês triunfou no Estoril, no Estádio da Luz... e no Restelo. Uma vitória frente ao Belenenses que permite pressionar os rivais, mas recheada de felicidade, já que os anfitriões tiveram quase sempre mais iniciativa e várias oportunidades para chegar no mínimo ao empate. Valeu aos dragões a eficácia na 1.ª parte, um auto-golo caricato de Tonel e mais uma boa exibição de Casillas, que segurou os 3 pontos no 2.º tempo com duas boas defesas; Na equipa da casa a qualidade de passe e poder de decisão dos médios Bakic e Carlos Martins fizeram a diferença; Já Brahimi, que saiu lesionado, foi a unidade portista em destaque, contrastando com mais uma exibição muito apagada de André André (mais faltas que futebol).

O encontro começou com um ritmo intenso e disputado, mas com o Porto a controlar as operações ea marcar cedo. À passagem do minuto 8 surgiu o primeiro golo dos dragões, com Brahimi, solto de marcação, a aproveitar uma bola perdida na área (Suk disputou o lance) e a não perdoar perante Ventura. A vantagem trouxe tranquilidade aos visitantes, ainda para mais quando esse tem sido um cenário pouco habitual para a turma de Peseiro. Com isto, a formação nortenha conseguiu mesmo chegar ao 0-2, num lance onde Maxi não desistiu (como é seu apanágio), cruzando para o centro da área, onde Tonel cabeceia para a sua própria baliza (desculpou-se com a iluminação do estádio, que o terá deixado encandeado). Só perto da meia hora surgiu o primeiro lance de relevo para o Belenenses, com Carlos Martins a acertar no poste (Casillas nem esboçou reacção) na cobrança de um livre directo (quando talvez se esperasse um cruzamento). Na resposta, Brahimi esteve perto de bisar, mas o seu remate (no coração da área) sofreu oposição de um defesa da casa. A partir daí e até ao intervalo, os anfitriões subiram de produção, adiantando os seus jogadores no terreno e estiveram novamente perto de reduzir, com Juanto (em excelente posição), a rematar perto do poste. Ao intervalo, Velásquez lançou Miguel Rosa para o lugar de Tonel (Rúben Pinto recuou para central), mas foi o Porto o primeiro a criar perigo, com Suk a testar Ventura. No entanto, os locais deram seguimento ao que fizeram na parte final da primeira parte e conseguiram empurrar os forasteiros para a sua área, tendo conseguido reduzir após bela jogada de envolvimento, com Geraldes a cruzar e Juanto a finalizar. Logo no lance seguinte, os portistas quase conseguiram colocar o marcador novamente com dois golos de diferença, mas Herrera não deu o melhor seguimento a um cruzamento de Corona. Peseiro mexeu na equipa, trocando Corona por Marega, mas o momento era claramente do Belenenses, que estava por cima no jogo e valeu ao Porto Casillas em duas ocasiões: primeiro numa defesa difícil a remate de Miguel Rosa e depois a opor-se bem a uma excelente iniciativa de Juanto. Insatisfeito com o que estava a ver, o técnico portista colocou em campo Evandro (saiu André André) e, coincidência ou não, passaram a controlar um pouco melhor a partida. Até ao fim, a formação lisboeta bem tentou, mas não conseguiu criar mais oportunidades de golo, com o resultado a manter-se e os dragões a assegurarem os três pontos.

Belenenses - Um resultado explicado por uma primeira parte repleta de erros, com uma organização defensiva a roçar o miserável, onde os Portistas conseguiam facilmente situações de superioridade numérica na área de Ventura. Depois disso os azuis reorganizaram-se e equilibraram forças, levando o adversário a cometer imensas faltas em locais de perigo (Carlos Martins atira ao poste após uma delas). No 2.º tempo o domínio foi evidente com o conjunto de Velázquez a colocar quase toda a equipa dentro do bloco Portista, com especial destaque para Carlos Martins (o melhor em campo, o mais clarividente e inteligente, a ser decisivo no último passe), Bakic (muito critério) e Geraldes que desequilibrou imenso pela direita (o golo surge depois de uma combinação com Sturgeon). Menos bem estiveram Tonel (outra vez pelas piores razões), Rúben Pinto (um dos principais culpados pela passividade sem bola nos primeiros 45 minutos) e Aguilar que tem relegado André Sousa para o banco. Depois desta derrota - a 2.ª consecutiva dentro de portas -, a equipa cai para o 12.º lugar, sendo certo que o bom futebol praticado, assim como o leque de opções ao dispor do treinador, fazem crer que a caminhada será tranquila.

FC Porto - Na ressaca da eliminação europeia a equipa conseguiu o mais importante, isto é, somar os três pontos e colocar pressão nos rivais que ainda não foram o jogo, mas a exibição voltou a ser intermitente e a incapacidade em gerir a vantagem voltou a ser notória na equipa de Peseiro. O início do jogo não podia ter sido melhor, com dois golos antes dos 20 minutos, e com vários erros defensivos do adversário que pareciam indicar um jogo tranquilo, porém o desenrolar da partida viria a mostrar, desta vez, dificuldades em organização defensiva por parte das equipas de Peseiro, algo que é uma novidade esta temporada já que são raros os momentos em que a equipa é testada no campeonato (são mais notórias as fragilidades em transição defensiva). Os últimos minutos foram a cara de um Porto em contenção e incapaz de controlar o jogo com bola, tendo Casillas vestido a pele de herói ao impedir a igualdade em várias ocasiões. Para além do espanhol foram poucos os destaques positivos dos dragões: Herrera foi a melhor unidade do meio-campo, já que Danilo e André André mostraram incapacidade física para os duelos individuais (mais compreensível no primeiro que actuou a grande nível frente ao Dortmund); Chidozie e Ángel são batidos facilmente, Marcano continua a acumular demasiadas faltas; Brahimi, embora no seu estilo pouco efectivo, é o maior desequilibrador na frente, ao contrário de Corona que prolonga uma má fase; Suk sentou Aboubakar e teve uma actuação agressiva e empenhada, colocando várias vezes velocidade nos seus movimentos e, até final, entraram Varela e Marega, ainda que sem impacto.

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