Sporting segura liderança; Bolas paradas fizeram a diferença; Schelotto e Ewerton estiveram em destaque; Patrício evitou a recuperação do Boavista; Téo voltou a não justificar a aposta

Sporting 2-0 Boavista (Ewerton 37' e Ruiz 45')

O Sporting cumpriu frente ao Boavista, mantendo assim a liderança isolada na Liga. Os leões, que estiveram longe do brilhantismo, desta vez não foram obrigados a sofrer, como tem sido habitual em Alvalade, mas mesmo assim ainda passaram por alguns sustos, que foram atenuados pelo poste e por duas excelentes defesas de Patrício. Num jogo em que Jesus fez várias alterações, acabaram por ser os lances de bola parada a fazer a diferença, com os leões a juntar aos 2 golos nesse momento vários lances de laboratório que permitiram várias oportunidades. Os laterais Schelotto e Zeegelaar justificaram a aposta de JJ, principalmente o italo-argentino que, mesmo com o seu estilo algo trapalhão, se fartou de dar profundidade e esteve muito em jogo, apesar de ter pecado muito na decisão; também Ewerton no regresso ao 11 demonstrou estar uns furos acima tendo como comparação os últimos jogos; já Téo, com várias perdas de bola, voltou a ser um elemento à parte; No conjunto de Sanchéz, Anderson Carvalho esteve por duas vezes perto do golo, Iriberri também perdoou, mas, apesar da boa entrada nas duas partes, houve sempre mais coração que arte.

No que diz respeito à partida, o Boavista até entrou melhor, personalizado e com os seus jogadores bem adiantados no terreno. Pelo contrário, o Sporting demonstrava dificuldades em assumir o jogo e chegar ao último terço do terreno, fruto também dessa pressão exercida pelos axadrezados. No entanto, foram os leões os primeiros a estarem perto do golo, mas Téo, após cruzamento de Ruiz, rematou ao lado quando se encontrava em óptima posição. A partir desse lance, os homens da casa estabilizaram o seu jogo, tendo mais bola e jogando mais sobre o meio campo adversário. Num lance de bola parada, Ewerton teve oportunidade de marcar (finalizou muito mal), mas o central brasileiro viria mesmo a abrir o activo pouco depois, atacando bem o primeiro poste num canto e antecipando-se a Mika (que fica um pouco mal a fotografia) e a toda a defensiva axadrezada. Já perto do intervalo, o Sporting dispôs de um livre frontal, com Bryan Ruiz a fazer o 2-0, beneficiando de um desvio na barreira que traiu por completo o guarda-redes forasteiro. A segunda parte começou com um ritmo morno e faltoso, mas foi novamente a formação do Bessa a entrar melhor e a estar perto do golo em duas ocasiões: primeiro foi Anderson Carvalho, numa excelente execução, a rematar ao poste (Iriberri falhou a recarga) e depois foi Iriberri, quanto estava isolado, que obrigou Rui Patrício a uma óptima intervenção. Pouco satisfeito com o que estava a ver, Jorge Jesus lançou Carlos Mané para o lugar de Téo (mais uma exibição apagada, mas desta vez com direito a aplausos em vez de assobios), tendo Slimani estado perto de marcar pouco depois, num lance em que não conseguiu finalizar depois de ultrapassar o guardião contrário (ficou sem ângulo). Na resposta, nova chance para os pupilos de Erwin Sánchez, mas a bela iniciativa de Anderson Carvalho foi novamente travada por Rui Patrício. A partir daí, os verde e brancos acalmaram um pouco o encontro e estiveram perto do 3-0 por duas vezes: primeiro foi João Mário a obrigar Mika a uma defesa com a ponta dos dedos e depois numa dupla oportunidade, com Slimani (após jogada ensaiada num livre lateral) a permitir nova defesa ao guarda-redes português, tendo Mané acertado no poste na recarga, quando estava a 1 metro da baliza. No entanto, o resultado não se alterou, tendo o Sporting regressado à liderança isolada no campeonato.

Sporting - Exibição pouco colorida, na linha daquelas apresentadas em Alvalade na segunda volta. Desta vez a sorte do jogo esteve do lado dos líderes do campeonato, e a eficácia nos lances de bola parada, aliada à fragilidade do Boavista e um Patrício aplicado teve como resultado uma vitória sem maiores sobressaltos. A equipa voltou a mostrar um futebol desgarrado, com muita atrapalhação à mistura (os jogadores chegavam a estorvar-se uns aos outros), e com muitos dos seus elementos com claras dificuldades em adaptar-se ao relvado. O processo defensivo chegou e sobrou na primeira parte, mas no segundo tempo uma apatia geral em conjunto com algumas falhas individuais deram ao Boavista oportunidade de importunar Patrício. Os laterais integraram-se muito no ataque, mas raramente finalizaram as jogadas de envolvimento, mostrando grandes dificuldades em ganhar a linha de fundo ou fazer movimentos interiores. Nota ainda para mais uma dupla de centrais testada por Jesus, desta vez Semedo e Ewerton, que pouco tempo teve na quinta para se entrosar. Individualmente, Patrício acabou por ser o elemento mais em foco, com duas defesas frente a adversários isolados. Ruben Semedo voltou a somar pontos, sempre rápido a atacar os lances e com qualidade na saída de bola, enquanto que Ewerton esteve mais solto que no passado recente, adicionando a uma exibição segura um golo de cabeça. Slimani voltou a ter pouca bola (apenas duas situações de concretização), Ruiz e João Mário muito aquém do que podem fazer, e Gelson foi um elemento neutro no ataque. Já Carlos Mané agitou o jogo, e foi mesmo dos que mais rematou, ainda que sem sucesso. Teo Gutierrez voltou a produzir perto de zero.

Boavista - A estratégia passava por fazer correr o tempo e manter o nulo, mas os lances de bola parada deitaram por terra essas pretensões. Com um meio-campo musculado e sem medo do contacto, o Boavista conseguiu manter os leões longe de Mika, mas uma falha de marcação após um canto e um desvio involuntário após livre directo de Ruiz permitiram dois golos que se mostraram demasiado fardo para recuperar. No segundo tempo a equipa conseguiu soltar-se e criar algum perigo, mas a ineficácia acompanhou sempre o ataque axadrezado. Na defesa, à medida que a equipa se tentava esticar, os buracos (fruto de haver menos gente atrás preocupada somente em defender) foram aparecendo, valendo então um atento Mika. Destaque negativo para o modo como o último reduto foi mais que uma vez enganado pelos jogadores contrários em lances de bola parada, mostrando claras dificuldades em lidar com movimentos mais rápidos. A dupla de médios, Gabriel e Idri, limita-se a defender, e num raio de acção curto, e não consegue manter a bola após recuperação, o que ajudou ao reduzido fluxo ofensivo no primeiro tempo. Nota positiva para Mika, que com um par de defesas manteve o resultado em números aceitáveis, e para Anderson Carvalho, que por duas vezes assustou Alvalade, com uma bola no poste e outra defendida por Patrício.

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