À atenção do Sporting: Bayer Leverkusen

As competições europeias estão de volta, e as equipas portuguesas tem pela frente desafios aliciantes. O Sporting entra em campo dia 18, enfrentando, em Alvalade, o Bayer Leverkusen da Bundesliga. Já a segunda mão está agendada para dia 25, querendo os Leões alcançar uma vantagem já no primeiro confronto, dado que a Bay Arena teima em ser um reduto difícil para os visitantes (que o diga Guardiola que ainda não venceu lá com o Bayern).

11 base: Leno; Jedvaj, Tah, Töprak, Wendell; Kramer, Kampl, Bellarabi, Çalhanoğlu; Kiessling e Chicharito.
Sistema tático: 4-4-2 clássico. Schmidt ainda começou a época a apostar num 4-2-3-1 com Mehmedi descaído para a esquerda e Çalhanoğlu no meio atrás do avançado, mas o bom entendimento entre Chicharito e Kiessling depressa fez o técnico alemão impor o 4-4-2 de que tanto é apreciador (era a sua tática em Salzburgo). Bellarabi joga bem aberto pela direita, Çalhanoğlu fecha na esquerda, já no meio, na ausência de Bender, têm jogado Kramer e Kampl.




Ponto forte: Capacidade de pressão. Se há equipa que na Europa se pode dizer que é uma autêntica carraça durante todo o jogo, é o Bayer Leverkusen. Os farmacêuticos, depois de um período inicial difícil, assimilaram bem as ideias de um treinador que tem como visão um futebol de pressão alta, começando logo pela saída de bola do adversário.


Nesta imagem vemos Tin Jedvaj (lateral direito) a recuperar uma bola no último terço do campo. Bellarabi (fora da imagem) pressionou no central, Kramer encostou logo no lateral, Kiessling veio compensar e o croata bloqueou logo a saída de bola do Bayern, tendo mesmo conseguido recuperar o esférico.




Nestas duas imagens vemos outra das condicionantes da pressão de Schmidt. Vários homens na zona da bola, tornando quase impossível a tarefa ao adversário de jogar a bola jogável. Também por isso, a equipa alemã é uma das equipas que mais bolas rouba na atualidade.

Ponto fraco: Transição defensiva. Como se costuma dizer, equipa que corre riscos (e uma formação que pressiona tão alto tem que os correr) está sujeita a descompensar-se defensivamente. Os farmacêuticos costumam desequilibrar-se facilmente com alguma facilidade e têm na direita uma lacuna por colmatar. Um extremo mais rápido e forte no 1x1 consegue facilmente bater Hilbert e Jedvaj (este uma adaptação), laterais intempestivos (teimam em ir de primeira) que são batidos com alguma regularidade. Sendo que depois de alcançada esta vantagem, existe espaço na área, dado que os médios demoram a chegar (é nesta altura que se sente a falta do capitão Bender).



Nesta segunda imagem, a bola é jogada em Douglas Costa que ultrapassa o lateral e consegue mais uma oportunidade de cruzamento. Coman aproveita o facto de Müller (fora da imagem) prender a atenção de Wendell e aparece numa zona perto da entrada da área sozinho.

Jogador sensação: Çalhanoğlu. É certo Javier Hernández não para de marcar, mas o mexicano é mais um reflexo do bom coletivo do que um atleta que leva a equipa às costas. Por outro lado, Çalhanoğlu é um jogador que consegue criar jogo para si e para os colegas, sendo muito mais do que bolas paradas. O turco é porventura o melhor executante da atualidade (e quem tem esta qualidade naturalmente tem de a aproveitar), mas reúne várias características que o colocam como um dos melhores jogadores jovens da atualidade. O seu forte pontapé, a facilidade de atuar em várias posições (é médio ofensivo de origem, mas tem jogado na esquerda), a capacidade de passe e cruzamento e até a predisposição defensiva mostram bem o craque que aos 22 anos é.


Em organização ofensiva é recorrente vermos ambos os médios jogarem perto de Çalhanoğlu numa tentativa de arrastar os marcadores diretos também para esta zona, já que o ex-Hamburgo tem a facilidade aprimorada de virar o centro do jogo. Bellarabi, depois de receber a bola, recebe o apoio do lateral, mas o objetivo é claro, colocar a bola na área onde os dois avançados estão sempre presentes.

Treinador: Roger Schmidt. O alemão de 48 anos foi um fracasso como jogador, mas como treinador (e começou em clubes com poucas aspirações) soube chegar perto do topo. Deu-se a conhecer ao Mundo em Salzburgo, onde realizou um trabalho notável, fazendo do Red Bull local uma máquina ofensiva. Nessa equipa potenciou jogadores como Kampl, Sadio Mané, Alan ou Soriano, sendo que foi ele que lançou Naby Keita na equipa principal. Agora, em Leverkusen, ainda não conseguiu oferecer a estabilidade desejada à equipa, mas tem feito um trabalho competente. O ano passado ficou em 4.º no campeonato (com acesso à LC) e na Champions e na Taça foi eliminado ingloriamente nas grandes penalidades, já em fases adiantadas. Este ano falhou o acesso às meias finais da Taça com o Bremen (o facto de ter ficado reduzido a 10 foi determinante) e na Liga dos Campeões caiu para a Liga Europa, apesar de ter sido o único clube a dominar o Barcelona na competição.


Apesar do Bayer ter em Çalhanoğlu um fantástico executante de bolas paradas, é Schmidt um dos obreiros do seu sucesso. Veja-se num Ajax 0-3 Salzburgo, um livre estudado que André Ramalho (agora jogador do B04) acaba por desperdiçar.

Modelo de jogo: Jogar em função das características dos jogadores. O Bayer Leverkusen não tem o futebol mais bonito da Europa, nem tanto tem aquele mais rendilhado, mas é fortíssimo naquilo que faz. Os centrais (muito altos) raramente perdem uma bola pelo ar, sendo que Kiessling é várias vezes usado como referência, seja em pontapés de baliza (Chicharito, oportunista, tenta logo posicionar-se para receber o passe do alemão), seja na saída de bola e a isto ainda se podiam juntar Bender, Papadopoulos ou Boenisch, que quando lançados ainda oferecem mais força nos duelos aéreos. Wendell, pela esquerda, foi uma surpresa agradável, não sendo por isso de estranhar que esse seja o lado em que o Leverkusen mais tempo passe em posse (Çalhanoğlu movimenta-se para o interior, permitindo a subida do brasileiro). O meio campo conta com jogadores agressivos, apesar de Kramer ser mais posicional e Kampl um box-to-box, com capacidade para se multiplicar pelo campo todo. Bellarabi é o irreverente da equipa, cavalgando com bola sempre que pode. Defensivamente tenta ajudar o lateral direito, que é geralmente o ponto mais débil do 11. Sendo que na frente, como Kiessling segura melhor a bola, é Chicharito quem joga mais avançado. O mexicano é o 1.º a pressionar o guarda-redes, preocupando-se mais o alemão em compensar algum médio defensivamente ou fechar num central.



Uma situação de jogo recorrente no nulo frente ao Bayern. A equipa de Guardiola "teimou" em jogar em campo aberto, mesmo em pontapés de baliza, algo que é perigoso frente a este Leverkusen. Neuer teve de bater a bola (visto sem soluções para jogar curto), os centrais do Bayer ganharam sem problemas e a segunda bola ficou na posse da equipa da casa que criou logo uma situação de desequilíbrio, dado que tinha vários jogadores no bloco separados por poucos metros (a jogada acaba com um remate perigoso de Chicharito).


Já aqui vemos outro dos princípios da equipa em organização ofensiva. O médio interior (neste caso Kampl) baixa para oferecer linha de passe, o central roda a bola para o outro e Tah lança a bola em Bellarabi que vai ao encontro da bola pelo interior, jogando de imediato no lateral que faz o movimento oposto e ganha a linha. O objetivo passa mais uma vez por colocar a bola na área, aproveitando um dos melhores cabeceadores da atualidade (Kiessling), ou um dos melhores finalizadores (Chicharito).

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Golo marcado nos primeiros segundos do duelo frente ao Dortmund (2-0 para o Leverkusen), encontro que marcou a estreia de Schmidt pelos farmacêuticos na época passada. Em Salzburgo era recorrente que o pontapé de saída fosse trabalhado para originar uma oportunidade de golo.

Fábio Teixeira

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