À atenção do FC Porto: Borussia Dortmund

O FC Porto vai pela primeira vez defrontar o Borussia Dortmund num jogo oficial, naquele que também será o 1.º jogo de Iker Casillas na Liga Europa. Os azuis e brancos tem pela frente um adversário recheado de estrelas e que é uma das maiores forças ofensivas da atualidade, já com 94 golos marcados em apenas 35 partidas esta época (média de 2,7 por jogo). A juntar a craques como Reus, Aubameyang ou Mkhitaryan há que ter ainda em conta os 80 mil fiéis adeptos que por norma enchem o Signal Iduna Park.

11 base: Bürki; Piszczek, Sokratis, Hummels, Schmelzer; Weigl, Gündoğan, Castro; Mkhitaryan, Reus e Aubameyang.
Sistema tático: 4-3-3. Tuchel experimentou várias vezes o 4-2-3-1 ao longo da temporada, mas deu-se melhor quando passou a atuar no meio campo com um 1+2, do que com um 2+1. Weigl joga numa linha completamente diferente dos dois médios interiores, que raramente ocupam a mesma linha vertical do jovem médio defensivo, procurando sempre oferecer linhas de passe na diagonal. Os extremos esses, forçam sempre um posicionamento interior para que os laterais possam estar bem projetados e para oferecer um melhor apoio a Aubameyang.


Ponto forte: Velocidade de execução no ataque. É claramente a maior vantagem desta equipa. Os extremos, sempre muito por dentro, para além de serem rápidos, decidem rapidamente e na frente mora um dos jogadores mais rápidos da atualidade. Também por isso o Dortmund é pródigo em criar, facilmente, várias oportunidades durante um encontro, seja por jogo direto para aproveitar as segundas bolas para os extremos, seja por triangulações rápidas e eficazes, como se pode ver no segundo grafismo.



Ponto fraco: Lentidão da defesa. Os laterais, não sendo fracos defensivamente, encontram-se frequentemente fora de posição, o que tanto permite o avolumar de cruzamentos para a área, como agravar o sistema defensivo, arrastando os centrais para zonas que não são deles, descompensando o equílibrio numa zona fulcral. Por sua vez, os centrais são pesados e com tendência a cometer erros individuais.







Imagens onde se pode compreender melhor o posicionamento de Hummels em organização defensiva. Como é um central pesado (cerca de 90 kg) tenta "esconder" essa sua falta de velocidade jogando várias vezes como líbero, numa linha completamente diferente da do seu companheiro de zona central. Já na segunda imagem trata-se mais de um erro coletivo, com a defesa a desposicionar-se com facilidade, algo que não é difícil de se ver num jogo.

Jogador sensação: Pierre-Emerick Aubameyang. Podia-se falar do regresso de Gündoğan à elite do futebol, da boa forma de Reus quando joga ou da tremenda evolução de Mkhitaryan, que é provavelmente o melhor jogador do plantel neste momento. Mas o fator de desequilíbrio chama-se Aubameyang. O gabonês, com a sua velocidade, capacidade finalizadora e envolvência no último terço com os extremos, tem tudo para causar o pânico a uma defensiva azul-e-branca que anda aos remendos. Esperem desmarcações super-sónicas, porque elas vão acontecer.


Treinador: Thomas Tuchel. O técnico alemão manteve o que de bom havia no Dortmund e acrescentou ainda melhorias, tanto ao nível da dieta de jogadores, como ao comprometimento com bola, transformando a equipa numa máquina ofensiva. Reduziu a intensidade de jogo, o que acaba por facilitar o trabalho aos preparadores físicos, e impôs um futebol mais construtivo, mas que quando trabalhado no último terço, tem de ser objetivo. O resultado está à vista, com o histórico alemão a marcar uma enormidade de golos dentro da área e de várias formas.


Modelo de jogo: Campo aberto para aproveitar os movimentos interiores dos extremos. Laterais completamente projetados, alongando o campo e a zona de ação ofensiva do Dortmund. Os extremos colocam-se em posições interiores, mas numa linha diferente dos médios de apoio, de modo a possibilitar a ocorrência de triangulações rápidas.


Aqui a saída de bola. Weigl, geralmente médio defensivo da equipa, baixa para 3.º central, os centrais abrem à largura e os dois médios ocupam linhas diferentes, numa espécie de estrela de 5 cantos.


Marcação homem-a-homem nos cantos. Vantagem na 1.ª bola (onde costumam ser fortes), mas provoca algum excesso de desconcentração na segunda, dado que estão mais atentos ao jogador, do que à alteração da órbita do esférico.

Fábio Teixeira

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