À atenção do Benfica: Zenit

Está de regresso a Liga dos Campeões, a prova de clubes mais fascinante do Mundo. E o Benfica, único representante nacional, tem pela frente um Zenit, que parece quase fabricado em Portugal, o que torna este duelo, que já é quase um clássico, ainda mais aliciante.

11 base: Lodygin; Smolnikov, Garay, Lombaerts, Criscito; Javi García, Witsel; Hulk, Danny, Shatov; Dzyuba.
Sistema tático: 4-2-3-1. É uma variante do 4-3-3, dado que o terceiro médio neste Zenit de AVB baixa muito no terreno, nomeadamente para pegar na bola a partir de trás e ser o principal dinamizador do ataque (como se pode ver na segunda figura). Javi García e Witsel costumam jogar lado a lado, à frente da defesa, com Hulk e Shatov como setas nas alas e Dzyuba na frente a servir como referência, apesar de não se limitar a ser um pinheiro. No entanto, há a dúvida para perceber que impacto podem ter os reforços Kokorin e Maurício nesta equipa, que devido à longa paragem de Inverno na Rússia ainda não tiveram a oportunidade de se estrear de maneira oficial.




Ponto forte: Eficácia. Não há que enrolar, o Zenit é um dos clubes que melhor finaliza na Europa, tendo sido mesmo a formação com melhor taxa de conversão na presente edição da Liga dos Campeões. E para isso muito contribuem Dzyuba (excelente finalizador... principalmente de cabeça) e Hulk, que na hora de rematar teimam em não perdoar.



Ponto fraco: Insegurança de Lodygin nos cruzamentos. O guardião, que tem dupla nacionalidade (grega e russa), mostra qualidade em vários departamentos, nomeadamente na saída de bola, onde mostra acerto em projetar os extremos (bem abertos no momento em que bate o esférico), porém deixa muito a desejar na análise que faz aos cruzamentos. Não raras vezes falha o timing de saída, o que resulta num mau ataque à bola ou numa saída despropositada.




Jogador sensação: Hulk. Sobre o craque do Zenit já quase tudo se sabe e, embora algumas das ferramentas do brasileiro continuem a ser pouco valorizadas (o ex-FC Porto, por exemplo, é excelente a criar oportunidades para os outros), virá dele os maiores problemas para a defensiva do Benfica. O seu poder de finta, potência, a capacidade de tiro fácil e longo, a apetência para bolas paradas ou a maneira como pode servir Dzyuba, prometem provocar muitas dores de cabeça para a defesa de Rui Vitória.




Treinador: André Villas-Boas. O técnico que ganhou quase tudo no FC Porto na sua passagem pela Invicta na Rússia adoptou essencialmente um futebol pragmático. A equipa por norma, principalmente na Champions, dá a iniciativa ao adversário, mas apresenta segurança na circulação, e acima de tudo: joga simples. Tanto que é frequente vermos Danny, Shatov, Hulk e Dzyuba jogarem ao primeiro toque entre triangulações, como mostra o vídeo mais abaixo.



Modelo de jogo: Futebol simples mas pragmático e produtivo. Além das triangulações a poucos toques, o Zenit de AVB conta com interpretes com um excelente poder de decisão. Os centrais sabem e optam por conduzir a bola quando assim o é permitido e a qualidade de passe de Witsel, a juntar ao poder de decisão de Shatov, fazem a diferença. Fora isto, é recorrente vermos os centrais, aquando do momento com bola, apostarem no passe longo vertical, de modo a que Dzyuba ganhe para o espaço morto, entre central (que foi atacar a bola) e o lateral, onde costumam aparecer os extremos, sempre muito objetivos.


Nesta imagem vemos a organização defensiva do Zenit. Bola no flanco direito, Shatov baixa para auxiliar o lateral e o médio desse lado (neste caso Neto) sai ao portador da bola, ficando o outro médio numa zona mais central. Danny e Hulk (no momento na esquerda) fecham as linhas de passe no corredor central, enquanto que Dzyuba recua para anular uma possível primeira fase de construção do médio defensivo.


Aqui um dos momentos de condução de um dos centrais. Desta feita foi Garay, que conduziu até perto do último terço, com a inteligência de Witsel a proporcionar-se (aberto, a dar linha de passe e a libertar o caminho do argentino), facilitando o trabalho ao central que já passou no Benfica.


Por fim, um dos perigos de ter Dzyuba no ataque. Uma bola lançada pelo ar, o avançado russo recua (algo que é propositado, pois a bola podia ser batida até mais longe) e o extremo - Shatov - aproveita a descontração do lateral para ganhar a bola numa zona geralmente mortífera.

Fábio Teixeira

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