23: Saltos em frente

Após uma jornada europeia, o risco de falhar torna-se mais próximo, mas desta vez, os três grandes, apesar de algumas dificuldades, não vacilaram e deram um salto para ficarem mais próximos do objectivo. Em Paços de Ferreira, o Benfica entrava em campo disposto a colocar pressão no líder, sendo que, depois da derrota com o FC Porto, falhar não era opção. Numa partida em que Rui Vitória não teve Gaitán, Carcela deu conta do recado e Jonas voltou a ser decisivo. Já Lindelof continua a somar pontos no eixo defensivo dos encarnados, marcando pela primeira vez com a camisola principal das águias, enquanto que Renato Sanches assume na perfeição o papel de motor da equipa. Do outro lado, apesar da boa réplica na primeira parte, Jorge Simão alinhou com um elenco muito desfalcado, tendo em Diogo Jota e Edson Farías as unidades de maior perigo para o adversário. O menino de 19 anos marcou um golaço, isto numa altura em que se fala cada vez mais no seu ingresso no Benfica, mas tal não seria suficiente para o conjunto da Mata Real reagir à crise de resultados dos últimos jogos. Por outro lado, o FC Porto enfrentava, no Dragão, um Moreirense sem a principal referência de ataque, Rafael Martins. No entanto, Iuri Medeiros e Fábio Espinho tratariam de desmentir aqueles que contavam com uma equipa frágil ofensivamente e tornaram a ameaça de nova derrota bem presente na mente dos adeptos azuis e brancos. Todavia, apesar dos problemas na transição defensiva e de Casillas ter sido novamente crucial, os dragões conseguiriam reagir e somaram a terceira reviravolta na Liga sob o comando de José Peseiro. Suk, titular pela primeira vez no campeonato com a camisola portista, acabou por ser um dos que mais procurou tal desfecho, tendo acrescentado um golo à sua exibição, enquanto que Layún seria novamente decisivo no capítulo do passe (além do penalty convertido). Ainda assim, o homem da vitória acabaria por ser o improvável Evandro. Por fim, o Sporting era o último dos candidatos ao título a entrar em campo, tendo como adversário um Boavista que na primeira volta roubara dois pontos ao leão. Jorge Jesus promoveu uma série de alterações no onze, tendo a maioria delas resultado em cheio. Numa partida marcada pela qualidade nas bolas paradas da turma verde e branca, Ewerton abriria o marcador a meio da primeira parte e, perto do final da mesma, Bryan Ruiz aumentaria a vantagem leonina. Estavam assim espantados os fantasmas de anteriores duelos em Alvalade. No segundo tempo, a turma de Sánchez teve oportunidades para criar instabilidade no resultado, mas não as conseguiu materializar em golo, não evitando nova vitória do líder.

Nos restantes encontros, Sp. Braga e V. Guimarães protagonizaram um brilhante espectáculo no Axa, num derby onde Otávio, que continua a encantar nos relvados portugueses, foi a maior estrela. Já o Arouca subiu ao 5.º lugar, após uma vitória fantástica no Restelo, enquanto que o Rio Ave não teve dificuldades em triunfar em Coimbra, agudizando a crise da Académica. Por fim, o Marítimo, com apenas dez unidades, somou os três pontos em Tondela, num encontro marcado por reviravoltas no marcador, o Estoril, apesar da superioridade, somou apenas um ponto na Madeira diante do União e o V. Setúbal não foi além de um empate no Bonfim diante do Nacional. 

Equipa da Semana: Arouca – Excelente triunfo no Restelo, sobretudo tendo em conta o facto de que o conjunto de Lito Vidigal alinhou quase toda a segunda parte com apenas dez unidades, tendo ficado reduzido a apenas nove perto do final do encontro. Os arouquenses foram novamente mortíferos no contra-ataque, tendo Walter González estado novamente em evidência, sendo que o sonho Europa é cada vez mais uma realidade bem presente na mente de toda a estrutura do clube. 

Equipa Desilusão: Académica – Demasiado pobre. A Académica, após uma boa série de resultados com Gouveia, voltou ao dias cinzentos e continua em zona de despromoção. Na verdade, o Rio Ave não teve qualquer problema em triunfar no terreno dos Estudantes que, com um futebol com tão pouca qualidade, terão dificuldades em manter-se na primeira Liga, não podendo sequer valer-se do factor casa (que não existe). 

Melhor 11 da 23ª jornada da I Liga: Bracalli (Arouca), Schelotto (Sporting), Marcelo (Rio Ave), Ewerton (Sporting), Lucas Lima (Arouca), Danilo Pereira (FC Porto), Mattheus (Estoril), Otávio (V. Guimarães), André Claro (V. Setúbal), Nathan Júnior (Tondela), Suk (FC Porto)

Jogador da Semana: Otávio (V. Guimarães) – O médio ofensivo de 21 anos está a explodir no futebol europeu, estando certamente a ser seguido bem de perto pela estrutura do FC Porto. Em Braga, o brasileiro foi o grande responsável pela reacção dos vimaranenses, acrescentando a sua qualidade técnica, velocidade e criatividade ao ataque do conjunto de Sérgio Conceição. Tratou-se na realidade de um quebra-cabeças constante para a defensiva bracarense, inventando autenticamente os três golos do Vitória no Axa. 

Jogador Desilusão: Corona (FC Porto) – Depois de um impacto brutal nos primeiros jogos realizados em solo português, o mexicano tem vindo a apagar-se progressivamente, tendo cada vez menos protagonismo no conjunto de José Peseiro. Demasiado agarrado à bola, displicente, pouco capaz de dar profundidade (pede sempre a bola no pé) e com muitos erros ao nível de decisão, o pequeno extremo dos dragões saiu, sem grande admiração, ao intervalo do encontro diante do Moreirense, não deixando de ser surpreendente que um elemento com a sua qualidade tenha quebrado tanto do ponto de vista exibicional. 

Jogador a Seguir: Mattheus (Estoril) – Diz-se na gíria popular que quem sai aos seus não degenera. Mattheus, que ficou conhecido pelo célebre festejo de um golo no Mundial de 1994, não é Bebeto, mas trata-se de um médio ofensivo com uma qualidade técnica acima da média e com uma boa visão de jogo. Na Ribeira Brava, foi o mais inconformado e o principal responsável pela boa reacção do Estoril a um golo madrugador do União. Aos 21 anos o brasileiro parece pronto para se afirmar no futebol português, acrescentando a criatividade e o critério no último terço que tem faltado à turma de Fabiano Soares.

Rodrigo Ferreira

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