22: Não há vencedores antecipados

Esta jornada fica claramente marcada pelo Clássico da Luz. O FC Porto regressava a Lisboa sabendo que só a vitória interessava para se manter na corrida pelo campeonato. Na ressaca de uma derrota inesperada diante do Arouca, em pleno Dragão, poucos davam como possível o triunfo azul e branco no terreno do campeão nacional, que vinha embalado por 11 vitórias consecutivas, muitas delas conseguidas com goleadas. Deste modo, o Benfica entrava em campo confiante, sabendo que uma vitória tornaria a diferença de pontos praticamente irrecuperável para os dragões. Os encarnados foram iguais a si próprios, isto é, tiveram um imenso caudal ofensivo e produziram muitas oportunidades e golo. No entanto, apesar de terem começado a vencer, a eficácia não foi a mesma de jornadas anteriores, tendo os avançados esbarrado num super Iker Casillas. Além disso, as águias voltaram a evidenciar debilidades na transição defensiva (tal como o FC Porto) e não foram suficientemente pressionantes sobre o portador da bola adversário. Quem não se importou nada com isso foi, num primeiro momento, Herrera e, mais tarde, Brahimi e Aboubakar, que ajudaram a construir um triunfo suado, mas extremamente importante para as hostes do dragão. Do outro lado, Renato Sanches é cada vez mais o rosto do clube encarnado, tendo efectuado uma assistência primorosa para Mitroglou, mas não chega para todas as encomendas. Já Jonas e Gaitán, voltaram a não ter o peso que se pede a jogadores da sua dimensão. Por fim, uma palavra para os meninos Lindelof e Chidozie, que, lançados às feras num jogo de alta tensão, acabaram por ter alguns problemas defensivos (o nigeriano, ainda assim, acrescentou critério com bola), bem como para o regresso (precipitado) de Salvio. Em suma, o resultado acabou por contrariar as casas de apostas e José Peseiro, em contraste com a tese do “pé frio”, impôs assim a quinta derrota a Rui Vitória em jogos grandes, mantendo a chama do título bem acesa.
Por outro lado, o Sporting entrava na Choupana, terreno onde somara a única derrota na Liga, sabendo que uma vitória traria de novo a liderança isolada. Posto isto, Slimani não perdeu tempo e deu vantagem aos leões logo nos minutos iniciais. O Nacional não ofereceu grande réplica e sem surpresa a turma de Jorge Jesus acabaria por ter uma noite tranquila, terminando as visitas à Madeira em tom de passeio. 
Nos restantes encontros, o Sp. Braga somou os três pontos nos Barreiros, num jogo marcado por uma arbitragem polémica e pela boa exibição de Pedro Santos; o V. Guimarães não foi além de um empate a duas bolas diante do V. Setúbal, sendo que a criatividade de Otávio não foi suficiente para ultrapassar a boa organização ofensiva dos sadinos (que terminaram a partida com apenas nove unidades) e o Belenenses, com Carlos Martins em destaque, triunfou em Moreira de Cónegos, de nada valendo os dois tentos de Rafael Martins, e aproximou-se dos lugares europeus. Já o Arouca recebeu e bateu o União da Madeira por esclarecedores 3-0, enquanto que Boavista e Académica se anularam o Bessa. Por fim, o Estoril agravou a crise do Tondela, que se encontra já a 11 pontos da salvação e, num duelo pela Europa, Paços de Ferreira e Rio Ave obtiveram uma igualdade a uma bola nos Arcos e não aproveitaram o deslize do V. Guimarães.

Equipa da Semana: Belenenses – Num tempo marcado pelo elogio fácil ao treinador português. O espanhol Júlio Velázquez tem sido uma agradável surpresa no comando técnico do Belenenses. Na verdade, o técnico espanhol tem sabido potenciar o que de melhor existe no plantel do Belém, dotando ainda a equipa de uma grande cultura táctica, algo que lhe tem permitido actuar disposta em diferentes sistemas tácticos. Além disso, como no futebol o que conta são os resultados, os Azuis do Restelo têm, exceptuando a goleada sofrida com o Benfica, conseguido uma considerável recuperação na tabela classificativa, algo que lhe permite estar de novo na luta pela Europa. Nesta jornada, os três pontos foram obtidos no terreno do Moreirense, numa partida onde Carlos Martins esteve em evidência, assim como o duo de reforços de Janeiro (Bakić e Aguilar, que se estreou a marcar) e Sturgeon, elemento que tem ganhado outra consistência com este treinador. 

Equipa Desilusão: Nacional – Exibição deprimente da turma de Manuel Machado. Os madeirenses apresentam um plantel manifestamente inferior ao que tinham em anos anteriores (a saída de Zainadine ainda agravou esse cenário negativo), algo que se tem reflectido na classificação e no rendimento exibicional da equipa, mas esperava-se outro tipo de capacidade diante do Sporting. Todavia, os comandados de Jorge Jesus não tiveram qualquer dificuldade em vencer na Choupana, terreno outrora negro para os leões, sendo que os insulares apenas conseguiram incomodar Rui Patrício em cima do minuto 90.

Melhor 11 da 22ª Jornada da I Liga: Casillas (FC Porto), Maxi Pereira (FC Porto), Coates (Sporting), Rúben Semedo (Sporting), Lucas Lima (Arouca), Herrera (FC Porto), Costinha (V. Setúbal), Carlos Martins (Belenenses), Pedro Santos (Sp. Braga), Brahimi (FC Porto), Slimani (Sporting)

Jogador da Semana: Iker Casillas (FC Porto) – Naquela noite, o espanhol voltou aos melhores tempos da sua gloriosa carreira. Entre os postes, Casillas sempre foi um dos melhores do mundo e voltou a prová-lo na Luz. Na verdade, o antigo guarda-redes do Real Madrid defendeu quase tudo o que lhe apareceu pela frente, oferecendo a segurança que faltou em desafios anteriores e que, por norma, resultaram em dissabores para os dragões, sendo o maior responsável pelo triunfo da turma de José Peseiro. 

Jogador Desilusão: Gaitán (Benfica) – Durante a semana falou-se muito do desaparecimento do Jonas em Clássicos, mas desta vez o elemento que passou ao lado do encontro foi o mago argentino. Tendo em conta a sua qualidade (é o melhor jogador da Liga), espera-se sempre muito de Gaitán, mas a verdade é que o 10 das águias ainda não conseguiu desequilibrar em qualquer encontro perante os rivais esta temporada. 

Jogador a Seguir: Chidozie (FC Porto) – Perante a ausência de Marcano e a exclusão de Maicon, José Peseiro resistiu à tentação de recuar Danilo para o eixo defensivo e lançou o menino Chidozie na Luz. O nigeriano de 19 anos chegou ao Dragão como médio defensivo, mas fixou-se a central na equipa B, sendo um elemento que, em posse de bola, oferece outro critério ao conjunto azul e branco. No Clássico, revelou alguns problemas defensivos, fruto da sua tenra idade e da inexperiência em encontros daquele calibre, mas possui, ainda assim, algumas características que poderão ser potenciadas pelo treinador dos dragões. 

Rodrigo Ferreira

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