Benfica vinca veia goleadora e passa fim de semana na Liderança; Mitroglou fez um hattrick, Jonas igualou Higuain na Bota de Ouro, Pizzi bisou (novamente) nas assistências, Júlio César nas grandes defesas, Sanches abriu caminho para o triunfo; Belenenses apresentou um 11 ofensivo mas deu sequência ao estatuto de pior defesa e pecou na finalização (teve 4 boas oportunidades)

Belenenses 0-5 Benfica (Mitroglou 41', 58' e 76' e Jonas 53' e 88')

O Benfica goleou no Restelo e, ainda que à condição, vai passar o fim de semana na liderança da Liga, colocando assim pressão no Sporting. Na jornada antes do clássico frente ao FC Porto, os encarnados (de longe o melhor ataque da Liga, com 59 golos... só nos últimos 4 jogos apontaram 18 tentos), não tiveram problemas em vergar a pior defesa da Liga, e somaram a 11.ª vitória consecutiva em todas as competições. Renato Sanches, com a sua velocidade (qual extremo), força e transporte, abriu caminho para o triunfo com uma grande jogada, Pizzi, tal como em Moreira de Cónegos, bisou nas assistências, Júlio César (duas defesas de alto nível) segurou quando os azuis estiveram melhor, e Jonas (igualou Higuain com os seus 23 golos no topo da Bota de Ouro) fez um bis (o 1.º foi um golaço), mas a noite foi de Mitroglou, que com o hattrick elevou para 15 os golos de águia ao peito; Já o Belenenses foi ousado, Velázquez apostou num 11 recheado de elementos ofensivos, e depois de uma 1.ª parte pouca conseguida teve oportunidades suficientes para pelo menos entrar no jogo (Miguel Rosa atirou um pouco ao lado, com 1-0, Juanto falhou isolado logo a seguir ao 2-0, e tanto Rosa como Martins também podiam ter reduzido), mas a ineficácia juntamente com os erros defensivos foram fatais.

Quanto à partida, logo no 1.º minuto o Benfica dispôs de uma grande oportunidade, mas Gaitán, em excelente posição, rematou lado. Pouco depois, Ventura errou numa reposição, mas Jonas não conseguiu aproveitar o adiantamento do guardião da casa e rematou fraco. O Belenenses tentava jogar no campo todo, mas expondo-se no seu sector mais recuado e com os encarnados a ganharem muitas bolas em zonas adiantadas. No entanto, a formação azul foi conseguindo equilibrar a partida, aproveitando também o desacerto no capítulo do passe por parte dos visitantes. Até que no minuto 41 surge o primeiro golo das águias. Arrancada de Renato Sanches, cruzamento de Pizzi da direita e Mitroglou de cabeça a fazer o golo, embora com muitas culpas para Ventura. Pouco depois Sanches, qual extremo, fez uma grande jogada na lateral, mas ninguém conseguiu responder ao seu cruzamento. O segundo tempo trouxe mais emoção, intensidade e golos. Logo a abrir, Pizzi esteve perto de facturar e logo de seguida foi Miguel Rosa, após um movimento à Nolito, a rematar ao lado. No entanto, quem voltou a marcar foi o Benfica, com Jonas, após de passe de Gaitán, a fazer o 0-2 numa boa execução. Na resposta, os homens da casa podiam ter reduzido, mas Júlio César opôs-se a Juanto com uma grande defesa, quando o espanhol estava isolado. O jogo estava num ritmo frenético e à passagem do minuto 58, os encarnados sentenciaram a partida, com uma jogada entre Renato Sanches e Pizzi, com este último a servir Mitroglou, que só teve de encostar de baliza aberta. De seguida, duas oportunidades para o Belenenses: primeiro foi Miguel Rosa, após corte incompleto de Lindelof, a rematar muito perto do poste, quando estava isolado, depois foi Carlos Martins, que com um livre fortíssimo encontrou mais uma vez um grande Júlio César, que brilhou com uma grande defesa. A partir daí, o ritmo baixou um pouco, mas o Benfica ainda foi a tempo de fazer mais dois golos. Numa perda de bola em zona proibida (a relva não ajudou) por parte da defesa Azul, Gaitán recupera e, com um pormenor delicioso, de calcanhar, deixa Mitroglou na cara de Ventura, com o grego a completar o hat-trick. Pouco depois foi Jonas a bisar, após uma excelente jogada de Carcela.

Belenenses - Velázquez não abdicou das suas ideias, do seu modelo de posse bola e privilégio ao futebol apoiado, colocando vários homens dentro do bloco do Benfica, facilitando em muito a tarefa ao portador da bola. Os médios dos azuis conseguiam circular a bola com qualidade no meio-campo adversário, em especial durante a primeira parte numa fase em que o jogo equilibrou, quebrando apenas após o golo de Mitroglou que surgiu num erro individual de Ventura (Rúben Pinto, adaptado a central, também fica mal na fotografia, uma escolha pouco acertada por parte do Espanhol, já que o ex-Benfica não tem de todo o perfil e experiência para a posição de defesa). A partir daí a equipa mostrou alguma impotência - não ter marcado nos momentos em que criou oportunidades também foi fatal para o desenrolar do jogo -, não conseguindo lidar com a mobilidade e desequilíbrios constantes dos 4 homens da frente do Benfica que, em conjunto com Sanches, resolveram o jogo ao acelerar as combinações com e sem bola face à frágil organização defensiva do Belenenses. Individualmente, Ventura, Rúben Pinto e Aguilar levam nota negativa, não fossem os dois primeiros estar ligados ao primeiro golo do Benfica, ao passo que Aguilar passou completamente despercebido do jogo depois de ter entrada directa no 11. Menos mal esteve Carlos Martins (o maestro da equipa, importante na organização de jogo) que à semelhança de Fábio Nunes (agora numa nova versão a lateral, muito veloz e envolvendo-se frequentemente nas combinações com o seu ala) foi importante na manobra ofensiva da equipa.

Benfica - Continua o rolo compressor dos encarnados que contam já com 80 golos na temporada (uma média superior a 2,4 golos por jogo) e uns impressionantes 18 golos nos últimos 4 jogos. O conjunto de Rui Vitória nem foi dominador a todo o tempo, muito menos impediu o adversário de criar perigo na sua área, mas a criatividade e velocidade no último terço continua a fazer a diferença no nosso campeonato. Jonas, Gaitán e, sobretudo e ultimamente, Pizzi têm desbloqueado grande parte dos jogos, combinando entre si a maioria dos golos, com este último a vestir a pele de assistente de luxo (Mitroglou tem aproveitado muito dos seus cruzamentos. Hoje não foi diferente para o ex-Atlético que voltou a bisar nas assistências e a ser crucial com os seus movimentos interiores, criando superioridade numérica no corredor central que, com o baixar de Jonas, ganha dois elementos que são decisivos a inventar espaços dentro do bloco do adversário. No papel de goleador esteve o Grego que se aproveitou da fragilidade de Rúben Pinto na 1.ª parte e de alguns erros individuais do adversário no 2.º para fazer 3 golos, estendendo a sua conta para pessoal para os 15 golos nesta temporada. Ainda assim, grande destaque da partida tem de ir para Renato Sanches - é absolutamente incrível a força física do jovem no nosso campeonato, que faz estragos no transporte e na recuperação, para além da evidente capacidade técnica que o faz desequilibrador por dentro ou por fora - e Jonas que com os dois golos de hoje reforça a corrida à bota de ouro. Mais atrás, Júlio César voltou a mostrar segurança, salvando a equipa em várias situações, ao passo que Lindelof teve alguns percalços nesta sua estreia a titular para o campeonato.

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