Super-Slimani carimba liderança; Sporting superiorizou-se no Clássico e podia ter conseguido um resultado mais expressivo (duas bolas ao poste); FC Porto pouco fez na 2.ª parte depois de ter tido as melhores oportunidades no 1.º tempo; Jesus surpreendeu com Matheus e Naldo, e o central juntamente com Adrien foi dos melhores em campo; Lopetegui a perder tirou Aboubakar (que voltou a desperdiçar) e fez entrar André Silva

Sporting 2-0 FC Porto (Slimani 27' e 85')

O Sporting entrou da melhor maneira em 2016 ao recuperar a liderança no campeonato depois de bater o FC Porto no Clássico. Slimani, que fez a diferença, bisou e deu justiça ao marcador, num jogo em que o conjunto leonino se superiorizou quase a todos os níveis, principalmente na 2.ª parte, onde, além de ter anulado o agora anterior líder, ainda atirou duas bolas ao poste. Jesus, que consegue mais um feito ao bater os 2 rivais na 1.ª volta, surpreendeu ao dar a titularidade a Naldo e ao jovem Matheus, sendo que os 2 brasileiros, principalmente o central, responderam com boas exibições. Adrien Silva, que voltou a encher o campo, João Mário, o elemento mais dos leões no 1.º tempo, e Ruiz na fase final, também foram decisivos, num jogo em que o colectivo voltou a prevalecer em relação ao individual; Já Lopetegui, que somou a 2.ª derrota consecutiva, apresentou o 11 esperado, apesar de no 2.º tempo ter voltado a fazer das suas ao lançar André Silva para o lugar de Aboubakar, quando estava em desvantagem no marcador.

No que diz respeito ao encontro, o Sporting entrou melhor, conquistando alguns cantos. No entanto, os dragões não demoraram a responder e foram mesmo os primeiros a estar perto do golo, num lance onde Corona não conseguiu dar seguimento a uma jogada sua dentro da área. Jogava-se a um ritmo bastante intenso, mas com o equilíbrio a ser nota dominante. No entanto, no minuto 26 surgiu o primeiro golo do Sporting. Livre lateral batido por Jefferson, com o inevitável Slimani a saltar à vontade e a cabecear para o fundo da baliza. Volvidos alguns minutos, um dos grandes momentos da noite. Iker Casillas defende bem um remate de Adrien de fora da área e, na resposta, Aboubakar desperdiça uma grande oportunidade na cara de Rui Patrício, que fez uma bela mancha. Até ao intervalo, os leões tiveram algum ascendente mas, à excepção de um cabeceamento de João Mário ao lado, não conseguiram criar mais ocasiões de golo. No segundo tempo, o FC Porto subiu um pouco no terreno e logo nos primeiros minutos Lopetegui lançou André André para o lugar de Rúben Neves. O encontro continuava muito intenso e disputado, mas o Sporting começou a ganhar ascendente. À passagem do minuto 64, grande oportunidade para os leões. Cruzamento de João Mário, com Slimani a cabecear à barra e Ruiz a obrigar Casillas a uma bela defesa na recarga. A equipa da casa estava por cima nesta altura e Ruiz voltou a estar perto do golo, com um remate por cima quando estava em boa posição, após jogada rápida. No minuto 70, nova grande oportunidade para os comandados de Jorge Jesus, com Adrien a rematar de fora da área e a bola a bater no poste, tendo João Mário rematado por cima na recarga. Lopetegui lançou o miúdo André Silva, o Porto começou a ter mais bola (consentida pelos leões), mas foi Slimani a voltar a fazer a diferença. Excelente passe de Ruiz a isolar o argelino, que não perdoou perante Casillas. Estava feito o resultado, que considerando o que se passou durante os 90 é indiscutível.

Sporting - mais uma vez os leões voltam a superar um rival directo, e ao contrário do que aconteceu tantas vezes frente ao rival do Norte, não vacilaram na hora decisiva. A exibição esteve longe de ser brilhante do ponto de vista estético, mas o Sporting pareceu sempre controlar o jogo, tendo na primeira parte muita bola no meio terreno adversário (ainda que sem criar perigo), e aproveitando o espaço na segunda para, a partir de trás, criar oportunidades suficientes para resolver o jogo mais cedo. A pressão intensa e organizada sobre a zona onde está a bola, e a manutenção de um bloco organizado a defender foram constantes, o que dificultou a fluidez do jogo ofensivo dos portistas. Se no primeiro tempo a vantagem se devia à eficácia, no segundo a diferença de qualidade ofensiva ganhou outros contornos, e não fossem os postes, Casillas e alguma inoperância, o resultado teria sido mais dilatado.

Slimani - o homem do jogo. O argelino, para lá do desgaste que impõe na defesa contrária, desfez o nulo num grande golpe de cabeça, e voltou a facturar já no segundo tempo, de pé direito. Pelo meio ainda enviou uma bola à trave, e teve tempo para falhar um golo ao pontapear a atmosfera ao invés da bola.

Adrien Silva - exibição quase perfeita, para lá da tradicional capacidade de luta e recuperação, juntou um excelente jogo ofensivo, com passes bem medidos e ainda alguns dos remates mais perigosos do encontro.

Naldo - outra prestação imaculada, o brasileiro esteve irrepreensível no ataque aos adversários que apareciam embalados, contando ainda com uma série de dobras importantes.

Patrício - foi pouco importunado, mas voltou a garantir pontos ao parar um isolado Aboubakar (já antes imitara Neuer numa saída "à líbero").

João Pereira e Jefferson - estiveram menos afoitos no ataque, mas saíram-se bem no processo defensivo.

João Mário - foi excelente no tratamento da bola, quer à esquerda, quer na direita, sendo dele muito do mérito como a equipa conseguia manter a bola perto da área adversária.

Ruiz - fez um jogo apagado, mas o segundo golo mostra o porquê de ser um imprescindível: passe a rasgar a defesa para isolar Slimani, naquela que foi uma das poucas acções positivas no jogo.

William - juntamente com Paulo Oliveira, foi a pior unidade dos leões. O médio esteve em baixo, embora mantendo uma boa posição defensiva e fazendo alguns bons passes, falhou demasiadas vezes no processo de recepção do esférico, o que levou a muitas perdas de bola.

Matheus e Gelson - o brasileiro teve alguns pormenores e o mérito de sacar a falta que originou o 1-0, já Gelson entrou muito bem, contribuindo para a melhoria na qualidade dos contra-ataques dos leões.

FC Porto - mais uma vez o conjunto de Lopetegui cai perante os rivais de Lisboa. Num jogo que, não sendo decisivo, podia ser importante nas contas do título, os portistas mostraram mais uma vez serem uma equipa desgarrada, dependente das acções individuais, e cujos defesas tremem em demasia. E se no primeiro tempo ainda conseguiram criar oportunidades usando passes longos, no segundo nem chegaram perto de facturar, colocando todas as esperanças em Corona ou Brahimi. A circulação de bola foi lenta e previsível, permitindo sempre aos defesas leoninos recolocarem-se e defenderem em bloco (poucas vezes houve acções de 1x1 sem dobras por perto), e os defesas falharam diversas abordagens e abusaram do chuto para a frente, pois muitas vezes eram pressionados devido à sua própria lentidão em soltar a bola. No geral, pouco Porto, uma exibição muito abaixo daquele que era (e é) considerado o melhor plantel nacional.

Danilo - foi o melhor elemento dos dragões, juntando capacidade física no meio-campo a alguns passes de qualidade (é do médio que saem as duas situações em que Aboubakar podia ter feito melhor).

Herrera e Ruben Neves - claudicaram no aspecto do passe, com execuções lentas e mal concretizadas tecnicamente (muita bola fora nas mudanças de flanco).

Maxi - começou bem, ainda deu profundidade ao flanco, mas também sofreu com João Mário e Gelson.

Layun - não teve chances de aplicar a sua capacidade de colocar bolas na área.

Corona e Brahimi - abusaram do individualismo, e nunca com objectividade, mas também foram os únicos a tentar algo na frente.

Aboubakar - foi uma ilha, deserta de ideias, e na única bola de golo que teve, esbarrou num enorme Patrício.

Maicon e Indi - acumularam erros e falhanços, alguns deles inadmissíveis a alto nível, e o brasileiro abusou das charutadas como modo de construção.

André André - nada trouxe de novo.

André Silva - entrou num momento ingrato, mas pelo menos sempre olhou para a baliza, mais do que muitos dos colegas podem dizer.

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