NFL - Wild Card Weekend - O Factor Casa

Quem vai chegar às finais de conferência e ficar um degrau mais próximo do Superbowl?

E eis que os playoffs da NFL começam com todo o seu esplendor. E aconteceu de tudo! Desde encontros resolvidos na primeira jogada do desafio, a outros decididos na última, a jogos com temperaturas abaixo de zero e outros cuja a temperatura foi bem bem quente… Como curiosidade máxima deste Wild Card Weekend, o facto de todas as equipas que actuavam em casa e perante o seu público, terem sido eliminadas, o que aconteceu pela primeira vez na NFL.

Os jogos:
Houston Texans 0-30 Kansas City Chiefs - Quando uma equipa deixa a outra a zeros no seu próprio campo, está fácil de ver que não há grande história para se contar. Os Texans venceram com justiça a sua divisão mas não foram sequer uma ameaça para os wild cards Chiefs de Andy Reid, que com este resultado categórico somaram a sua 11º vitória consecutiva! A defesa dos Chiefs, alvo dos maiores elogios durante toda a época, esteve simplesmente intratável, e o jogo virou um autêntico pesadelo para os Texans e principalmente para o seu QB Brian Hoyer que fez o seu pior jogo da carreira (ouvir o público texano chamar Weeden para jogo diz bem da performance do “titular” de Houston). Trocando isto por miúdos, a defesa dos Chiefs forçou 5 turnovers por parte dos Texans e só na primeira parte interceptou Brian Hoyer 4 vezes! Como se isto não bastasse, logo na primeira jogada do encontro, Knile Davis fez um return de 106 jardas para pôr os Chiefs logo de início na frente do marcador. A partir daí foi só gerir. Os Texans nas suas posses acabavam por ser anulados pela defesa dos Chiefs, e Alex Smith só teve que ser igual a si próprio, ou seja extremamente conservador (bastou um passezito para TD) para ir fazendo a gestão do encontro. O brasileiro Cairo Santos, um dos melhores kickers esta época, acertou 3 em 3 em field goals e ainda marcou todos os pontos extra, somando só para si 12 pontos. Destaque ainda para as prestações do trio Marcus Peters, Eric Berry e Josh Mauga no anular por completo do ataque dos Texans. Como curiosidade, os Chiefs obtiveram a sua primeira vitória em playoffs desde 1994 e não parecem querer para por aqui…
Cincinatti Bengals 16-18 Pittsburgh Steelers - Eu tinha previsto um jogo de ataque e de alto score, mas o que aconteceu foi de facto um jogo de ataque…ao homem! Muita hostilidade entre estas duas equipas mesmo antes do apito inicial. O episódio passado na fase regular entre estas duas equipas, com a lesão para toda a época de Le’Veon Bell e com muitos hits à mistura (resultou numa série de acusações de parte a parte), levou a que não houvesse qualquer amor em campo…muito pelo contrário. Essa atitude levou a um primeiro quarto completamente a zeros e só não levou a uma primeira parte a zeros também porque Chris Boswell marcaria dois field goals (viria a ser instrumental…) e levava os Steelers na frente para o intervalo. Jogo pouco, porrada era bastante inclusive fora de campo! Depois do intervalo, os ânimos não serenaram mas viu-se mais qualquer coisita. Os Steelers entraram animados e puseram muita pressão em AJ Mc Carron. Essa pressão eventualmente resultou num fumble que William Gay quase que capitalizava. Valeu a flag aos Bengals… Mais tarde Big Ben descobriria Martavis Bryant para o TD da semana. Incrível catch do WR dos Steelers, que só não foi a melhor da semana (muito estilo Odell), porque no dia seguinte Doug Baldwin resolveu fazer algo semelhante. Com isto os Steelers disparavam no marcador, e levavam 15 sem resposta, até ao caos se instalar no 4º. E tudo começou (ou continuou) com uma entrada a matar de Ryan Shazier sobre Giovani Bernard que levou o RB dos Bengals direitinho para fora de campo. A seguir foi a reedição de um duelo já visto durante a época, Vontaze Burfict a acertar em cheio em Big Ben e a leáa-lo direitinho para fora também (enquanto saía ainda levou com uns copos e qualquer coisa que os adeptos dos Bengals conseguissem atirar…lá como cá, o mau perder é igual) deixando as duas equipas a jogar com os QB´s suplentes. Mas eis que os Bengals entram em modo ON, e começam a angariar pontos e a chegar perto. Jeremy Hill e AJ Green marcaram e punham os Bengals pela primeira vez na frente (16-15). No ponto extra, os Bengals decidem não chutar e tentar os dois pontos mas a defesa dos Steelers não deixou. 1.50m para o fim, posse de bola para os Steelers, e Landry Jones deixou a bola direitinha na mão dos Bengals para uma intercepção que seria quase decisiva…quase, porque no ataque seguinte, fumble de Jeremy Hill (mais uma vez Shazier na jogada) e bola de volta aos Steelers quando Big Ben voltava também para o último drive. A parceria Roethlisberger-Antonio Brown foi ganhando metros, e quando Big Ben não o conseguiu acertar, quem lhe acertou e em cheio foi Vontaze Burfict num golpe na cabeça já sem bola que deixou o WR dos Steelers estatelado. O inferno desceu ao campo, confusão, empurra de um lado e de outro, e já com um treinador dos Steelers em campo, Pacman Jones decide retira-lo à força (embora não devesse estar ali), mais uma penalidade, mais 15 jardas a juntar a outras 15, e sem mais nenhum passe, os Steelers viam-se na posição de ganhar o jogo com mais um field goal que Boswell não desperdiçou. Os Steelers seguem em frente, os Bengals caíram por culpa própria (Andy Dalton também fez a diferença) e os mind games que se seguiram via twitter foram dignos de telenovela.
Washington Redskins 18-35 Green Bay Packers - Bem, não houve história da Cinderela, nem surpresa, mas o jogo poda ter sido bem diferente, e o resultado até é bastante enganador. Os Redskins entraram a todo o gás e a sua defesa obrigou Aaron Rodgers a dar-lhes os primeiros dois pontos. Pouco depois, grande lançamento de Kirk Cousins para De Sean Jackson que passa a endzone mas a bola não…este TD teria feito toda a diferença. Cousins não desarmou e já no segundo período encontra Jordan Reed (que final de época fantástico para este TE) para o primeiro TD da partida. 11 pontos (que poderiam ser mais) de avanço para Washington, com o seu público a vibrar nas bancadas perante a perspectiva de queda dos Packers. Mas Rodgers não quis que o jogo e a época, acabassem assim e voltou ao seu melhor nível (e isso significa destruição de defesas e pontos…muitos pontos). Primeiro Randall Cobb, depois Davante Adams a beneficiarem do génio de Rodgers, e depois o running game com Eddie Lacy em modo imparável e James Starks, todos eles a marcarem pontos perante uns Redskins que assistiam atónitos ao ressurgir da melhor versão dos Packers. A bonita história dos Redskins acabava em casa, e os Packers enviavam um sinal claro que afinal de contas eles ainda cá estão e é preciso ter todo o cuidado.
Minesotta Vikings 9-10 Seattle Seahawks - Estava frio. Muito muito frio em Minneapolis! Quando o jogo começou o termómetro ultrapassava os 20 graus…negativos!!! Como se pode calcular, o esforço passou a ser algo de quase sobre-humano e o jogo acabou por ser nada de especial. As defesas facilmente se sobrepuseram aos ataques, os QB´s arriscaram o menos possível, o que para Teddy Bridgewater, uma versão em menos de Alex Smith até acabou por ser bom, mas Russell Wilson até que tentou grandes lançamentos, mas não dava. Não dava mesmo! Final da primeira parte com um resultado expressivo de… 3-0 para os Vikings! A segunda metade começou com uma catch inacreditável de Doug Baldwin num registo Homem-Plástico a uma mão. E com mais de metade do jogo decorrido o ponto alto tinha sido uma catch pouco depois do meio campo… Sem running game de alguma espécie (nem Lynch nem Rawls), Russell e os Seahawks iam tentando pelo ar, mas a defesa dos Vikings esteve a um nível altíssimo. Já os Vikings, atacavam defendendo, e no final do 3º período o marcador somava 9-0 para os Vikings, após 3 FG convertidos por Blair Walsh (que viria a ser a grande figura da partida…). No 4º período a melhor jogada do encontro surge de uma distração de Russell Wilson que faz um fumble mas acaba por recuperar a bola e com dotes mágicos escapa-se a toda a gente ainda a tempo de fazer o maior lançamento da partida para Tyler Lockett. Na sequência Wilson encontra Baldwin num passe curto para o primeiro e único TD da partida. 9-7 para os Vikings e tudo em aberto. Na posse seguinte, Kam Chancellor desarma Peterson e os Seahawks lá levariam a água ao seu moinho com Hauschka a marcar o seu FG, o suficiente para deixar os Hawks na frente. Faltavam 8 minutos ainda… As defesas continuaram a fazer a sua parte muito bem feita e os Vikings lá acabariam com ajuda (penalização muito duvidosa num lance de Chancellor) a chegar a uma posição muito favorável e jogando com o relógio, para o seu kicker Blair Walsh matar o jogo já bem pertinho dos postes. Mas a 30s do fim Walsh, que até tem sido dos melhores kickers da Liga, falhou aquilo com que ninguém contava, e os Vikings ficaram a arder no meio do frio! Os Seahawks avançam e são como de costume um daqueles ossos muito duros de roer, enquanto os Vikings que até ganharam a sua divisão face aos Packers, mostraram bons argumentos, mas precisam de mais qualquer coisa ofensivamente além de Adrian Peterson.

Jogos da semana: Agora é mesmo a doer!

Sábado:
New England Patriots vs Kansas City Chiefs - Se há equipa on fire neste momento são os Chiefs. Se há equipa que precisava deste descanso como de pão para a boca eram os Patriots. Em teoria o factor casa, Bellichik e Brady seriam suficientes. Na prática, a defesa dos Chiefs neste momento pode anular qualquer ataque, principalmente o delapidado ataque dos Patriots. Spencer Ware e Jeremy Maclin os agitadores do ataque dos Chiefs estão em dúvida, enquanto do lado dos Patriots, Brady, Gronkowski, Amendola, Edelman e Chandler Jones vão todos a jogo mesmo que diminuídos.
Arizona Cardinals vs Green Bay Packers - Os Cardinals já destruíram os Packers esta época. Mas isto são playoffs e vários factores serão levados em linha de conta. Os Cardinals dominam no ataque (1º) são a 5º melhor defesa e o factor casa e experiência de Carson palmer e Larry Fitzgerald serão essenciais. Do outro lado, o running game dos Packers irá necessitar do melhor Lacy e do melhor Starks, mas acima de tudo caso Rodgers esteja num momento como contra os Redskins poderão ser feitos muitos estragos. Do lado dos Cardinals, Tyrann Mathieu está fora para o resto da época, e Chris Johnson só voltará no Superbowl, enquanto os Packers estão quase na máxima força. Domingo:
Carolina Panthers vs Seattle Seahawks - Perspectivo que seja o melhor jogo desta jornada. É com certeza o que está a gerar mais expectativas. Depois do feudo Manning-Brady, surge o feudo mais recente, Cam Newton e Russell Wilson, ou os melhores QB´s da nova geração. A melhor equipa da fase regular já defrontou e venceu os Hawks esta época, embora com grande dificuldade. Os Seahawks deverão fazer entrar em campo toda a gente excepto Thomas Rawls e Jimmy Graham, prevendo-se o regresso embora que altamente limitado de Marshawn Lynch, enquanto os Panthers deverão fazer o mesmo, pondo em campo Ted Ginn Jr, Jonathan Stewart e Kurt Coleman.
Denver Broncos vs Pittsburgh Steelers - E se na passada semana toda a gente que jogou fora ganhou, este fim de semana acredito que se vá passar o exacto inverso. Peyton Manning deverá regressar para comandar as tropas em Denver, e a sua fortíssima defesa deverá limitar e muito o ataque dos Steelers que ficou seriamente depauperado depois da batalha campal de Cincinatti. Antonio Brown e De Angelo Williams não deverão jogar, e mesmo Big Ben vai ter que voltar a jogar com dores, enquanto do lado oposto os Broncos depois do descanso virão na máxima força.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Flávio Trindade

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