Montero só descansou Alvalade perto do fim; Sporting volta a sofrer frente a um dos candidatos a descer; Adrien, João Mário e J. Pereira em bom plano; Académica castigou passividade leonina nas bolas paradas

Sporting 3-2 Académica (Adrien 30', Ruiz 43' e Montero 84'; Rafa Soares 9' e Ewerton 59' p.b.)

Estava complicado, mas Montero (como tinha feito contra o Nacional) resolveu. O Sporting voltou a sofrer frente a um dos candidatos a descer mas ao derrotar a Académica (3-2) conseguiu colocar pressão no Benfica. Montero, já perto do fim, ao contrário de Slimani e Ruiz, que falharam quando estavam isolados, garantiu os 3 pontos num jogo em que os leões estiveram a perder, deram a volta, permitiram o empate e só chegaram ao triunfo depois de estarem a jogar contra 10. Adrien, qual Lampard, marcou um golaço, Mané (criou o 2-1) e Semedo foram apostas de Jesus na equipa titular, João Mário voltou a estar em bom plano, tal como João Pereira; já Slimani e Ruiz foram menos influentes que é habitual, e ainda correram o risco de ficarem ligados pela negativa ao jogo ao desperdiçarem oportunidades claras; A Académica, por sua vez, aproveitou o que criou, castigando a passividade da equipa leonina em 2 lances de bola parada (Patrício ficou mal na fotografia no 2.º).

Em relação ao jogo, o Sporting entrou a dominar o encontro como seria de esperar, mas a Académica marcou contra a corrente do jogo, através de uma jogada de laboratório, onde, num canto, Leandro Silva colocou a bola em Rafa e o lateral emprestado pelo FC Porto não desperdiçou. Depois, tirando uma situação em que Patrício saiu aos pés de Hugo Seco, a Briosa deixou de incomodar. O primeiro a ameaçar foi Bryan Ruiz, mas Trigueira conseguiu manter a baliza inviolável, pelo menos até Adrien decidir aparecer e brilhar. Aproveitando um passe de Mané na ponta esquerda, o médio entrou na área, fintou Fernando Alexandre e colocou a bola dentro da baliza (um golaço). Estava feito o empate. Os leões continuavam por cima e, após Jesus trocar Naldo por Ewerton, Adrien voltou a tentar, disparando por cima. A posse de bola era esmagadoramente favorável ao conjunto de Jorge Jesus, que minutos mais tarde seria expulso. Até que numa perda de bola de Nuno Piloto à entrada da área, Mané driblou dois opositores e possibilitou a Ruiz o segundo golo, que o mesmo não declinou. Na 2ª parte, Gelson substituiu William, mas a equipa caiu de rendimento. Num lance de bola parada, Patricio sai mal da baliza e, na sequência do lance, Ewerton, com a pressão de João Real, fez auto-golo. O árbitro assistente começou por anular o golo, mas o mesmo viria a ser validado, sob protestos intensos da formação da casa. Os fantasmas do jogo com o Tondela voltavam e a equipa leonina revelava-se algo instável emocionalmente e já não possuía igualmente o mesmo fulgor físico. Ainda assim Slimani, após um lançamento rápido de Montero, não conseguiu executar um chapéu da melhor maneira quando estava isolado. Passado uns minutos foi Ruiz a desperdiçar, quando também estava isolado. No entanto, Alvalade, quando a Académica já estava reduzida a 10 devido à expulsão de Aderlan aos 80', ainda voltaria a festejar, graças a um tento de Montero, que, após um centro largo de João Pereira, finalizou com grande frieza e eficácia. Até final, a Académica não subiu as linhas e o líder limitou-se a guardar a bola, conseguindo assim mais uma vitória arrancada a ferros.

Sporting - Tondela (quase) revisitado. Muito volume ofensivo, muitas oportunidades, mas também demasiadas falhas defensivas perante um oponente que pouca qualidade mostrou no ataque, e que raramente incomodou. O primeiro golo voltou a demonstrar uma certa desconcentração (a "culpa" acaba por ser colectiva, e não de um ou outro elemento) já notada em partidas recentes, e o segundo, embora com uma ilegalidade pelo meio, também é consequência de uma bola bombeada após lance de bola parada. A linha defensiva, inédita, com a entrada de directa de Semedo no onze, e ainda sofreu o percalço de perder Naldo pelo caminho, raramente foi testada a sério, limitando-se a ser a primeira linha de construção. O meio-campo, após entrada em falso, voltou a mostrar muita qualidade tanto na pressão como na posse, não permitindo à Académica sequer sair do último terço. Com ambos a laterais bem entrosados no ataque, quer a combinar em progressão, quer a cruzar, assistiram-se a momentos de vendaval atacante, que somente não se traduziram noutros números por ineficácia dos atacantes leoninos. Ainda assim, a pressão exercida acabou por se fazer sentir, e à medida que o tempo avançava, aumentava o desgaste dos academistas, o que criou uma série de espaços que Montero aproveitou. Individualmente, o jogo voltou a pertencer à dupla Adrien-João Mário. O capitão juntou a mais uma grande exibição um golo soberbo (ainda apareceu outras vezes a finalizar), enquanto que João Mário espalhou classe pelo relvado, galgando terreno com a bola controlada e passando quem lhe aparecesse pelo caminho. Os laterais estiveram em bom plano, com João Pereira muito assertivo no ataque, e Zeegelaar a disfarçar a falta de entrosamento com uma disponibilidade física notável. Montero voltou a mostrar que é um jogador de pormenores, pouco se viu, mas quando se viu foi em movimentos de enorme qualidade, um deles finalizado em golo. Ruben Semedo mostrou-se calmo, tem uma saída de bola acima de qualquer um dos colegas, embora arrisque bastante; Ewerton entrou bastante mal, recorrendo demasiado à falta. Slimani esteve ausente (apenas uma finalização, e uma assistência), e Ruiz mostrou-se perdulário e lento de movimentos.

Académica - Pouca Briosa. Uma equipa que, estando a perder perto do apito final, e se recusa a avançar no terreno para pressionar, mostra bem ao que vem. A Académica entrou forte, a trocar a bola, facturou cedo, mas cedo também mostrou que tal audácia era sol de pouca dura. O restante primeiro tempo foi passado em sofrimento, com onze jogadores no último terço, e sem capacidade de sair com a bola para a frente. Na segunda parte ainda conseguiram avançar, através de lances de bola parada, mas após o empate regressou a postura 100% defensiva. Mesmo jogando em pouco terreno, a defesa concedeu muitos espaços nas costas, e houve muita dificuldade em fechar as alas, e na parte final o desgaste foi notório. Pedro Trigueira foi evitando o golo enquanto pôde, enquanto que os centrais, embora secando Slimani, deram muito espaço nas costas que (não) foi aproveitado por Ruiz e Gelson. Rafa estreou-se a marcar, com um belo remate, mas sofreu na defesa; Nuno Piloto perdeu demasiadas bolas, uma delas originando o segundo golo leonino. Leandro foi o único com critério de posse (ganhou faltas, e tempo), enquanto Marinho foi mais lateral que extremo, embora ainda tenha assustado uma vez com a sua velocidade.


Etiquetas: ,