Pinto da Costa: «Vou recandidatar-me»; «Lopetegui disse-me que Imbula era um Ferrari»; «Negócios como o Adrian com Jorge Mendes nunca mais»

Duas ideias: Sucessão ainda é assunto tabu, mas vai ser tema de debate durante o próximo mandato (e Baía não é bem visto); Lopetegui teve poderes como ninguém teve durante o reinado de PC, e as consequências estão à vista. 

Pinto da Costa, que há muito estava "ausente" (tem andado demasiado calado), confirmou, numa entrevista ao Porto Canal, que se vai recandidatar à presidência dos azuis e brancos. «Queria primeiro inteirar-me sobre o meu estado de saúde. Felizmente completei uma série de exames e deram-me a garantia de estar tranquilo e apto a continuar a minha vida. Por isso, estou disponível para me candidatar a novo mandato», disse.

PC abordou ainda o resto da actualidade portista:
Sucessão: "Não me incomoda que falem em sucessão. Mas não faz sentido, porque qualquer um tem o direito de se candidatar a qualquer lugar no FC Porto. Pessoalmente, não gostava de ter no FC Porto um candidato apoiado pelo Correio da Manhã. Não estou a falar do Vítor Baia. Só não gostava de ver um candidato apoiado pelo CM".

Lopetegui: "Foi uma escolha minha, como são todas. Tinha boas informações dele. Dizer que foi uma aposta ganha não, porque não ganhou nada. Penso que tem qualidades, no futuro vai ser um treinador de sucesso, mas não se integrou no futebol português, daí ter trazido muitos jogadores de fora. Não quis compreender que as coisas não eram exatamente como tinha pensado, insistiu num processo que não levou ao sucesso. Quando se muda de treinador é porque não teve sucesso".

Rescisão: "Ele [Lopetegui] disse-me no final do empate com o Rio Ave que se resolviam as coisas em dois segundos. Depois falou com o senhor Antero Henrique e também lhe disse. Chegou a ir a minha casa no dia a seguir e disse que estava tudo bem e que o advogado depois tratava do resto. Depois o nosso advogado falou com o dele e ele (advogado) ficou de vir ao Porto, mas até hoje nada. E até agora não houve forma de resolver. Pela lei portuguesa enquanto ele não estiver a trabalhar temos de lhe pagar. Ainda hoje falei com o Jorge Mendes e disse-me que não tem conseguido falar com ele. Até este momento nada mais se passou"

Lopetegui passou a ideia que perdeu muitos jogadores: "Ele perdeu muitos jogadores e tinha de perder com as opções que ele fez. Quando se tem jogadores emprestados, como o Oliver, Casemiro, por um ano é assim. Ou não são bons e ficam, ou são bons e vão embora. Perdeu os laterais mas ganhou o Maxi e o Laýun. Teve o Danilo, o Imbula - que veio por vontade dele, que me disse que era um Ferrari. E eu perguntava-lhe porque razão o Ferrari estava na garagem? Teve o que pediu".

Suk: "Foi o último desejo de Lopetegui. Até nas férias de Natal me ligava a saber se já estava contratado. Entretanto, Lopetegui saiu e fiquei com Suk nos braços. Mas o Peseiro deu o aval".

Adrián: "Negócios como o dele nunca mais faço. Pediram-me 11 milhões e eu disse que por esse preço era para esquecer. Então houve a solução de o colocar cá e no fim do ano se pagavam as letras. Se o clube não quisesse, o empresário [Jorge Mendes] arranjaria outro clube para ele e pagaria ele as letras. Como ele não arranjou, tivemos que ser nós. Se fosse hoje não fazia".

Casillas: "O empresário disse-nos que ele queria continuar a jogar ao mais alto nível e que o FC Porto era a primeira opção. E falei com o treinador que disse que sim. O Casillas não sentiu a saída do treinador. Ele está bem e nós estamos contentes com ele. É um jogador à escala global e, claro, não custa o mesmo que um jogador que vem para a B. Primeiro, pelo seu valor. Depois continua a ser o titular da seleção de Espanha. Deu uma possibilidade mundial ao FC Porto. E ele é, e isso é a grande surpresa para mim, como ser humano é simples".

Saídas - "Só o Igor Lichnovsky para o Gijón e talvez o Tello, que deve ir para a Fiorentina. De resto não sai mais ninguém".

Conflito entre Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa - "(Risos) No futebol não faço nada sem falar com o Antero Henrique e o Reinaldo Teles. Quanto ao meu filho, entrou numa sociedade de agenciamento de jogadores. Se houver um jogador que interesse, não é por ele ser meu filho que vou deixar de o contratar. Creio que não há nenhum jogador no nosso plantel que ele seja o empresário ou agente dele. Que me recorde, não tem nenhum salvo um júnior que nós chegamos a contratar".

Arbitragem - "O problema da arbitragem não são os árbitros. É a forma como o Conselho de Arbitragem gere os próprios árbitros. Ainda não foi esclarecido por ninguém, nem a nível da Federação, da Liga ou do Ministério Público, como é que o Marco Ferreira foi nomeado para a final da Taça de Portugal e depois desceu de divisão uma semana depois. Como diz o povo, isto é areia a mais para a minha camioneta".

Futuro - "Temos muitas coisas em mente. Nunca fiz promessas. Há um sonho que tenho que é de fazer um centro de formação para a nossa formação. O nosso futuro passa pela formação. Tenho muito orgulho na nossa formação. E espero nos próximos anos ter mais jogadores da casa na equipa principal. E tenho esperança que isso aconteça em breve. Ainda hoje na reunião da Liga vários presidentes me vierem pedir os nossos jogadores da B para as equipas A deles. E não o fizemos pois entendemos que ali temos jogadores que, em pouco tempo, vão para a equipa A. E passa por eles estarem todos juntos. Temos uma equipa B excelente, com um futebol superior a muitas equipas da I Liga. Por isso é que não emprestamos ninguém, só o Rafa porque a Académica nos pediu muito e para o ano também já vai estar no plantel principal".

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