Peseiro muito feliz na estreia; FC Porto jogou mal mas auto-golo evitou novo tropeção; Táctica e futebol à Lopetegui; Aboubakar muito apagado, Herrera abusou das más decisões; Marítimo foi melhor na 1.ª parte, teve mais oportunidades, mas com a lesão de Marega deixou de incomodar

FC Porto 1-0 Marítimo (Salín 22' p.b.)

Isto é que é entrar com o pé direito. José Peseiro estreou-se com uma vitória no comando técnico do FC Porto, e para quem é rotulado de pé frio não se pode queixar da falta de sorte. Os azuis e brancos jogaram mal, no 1.º tempo o Marítimo teve claramente mais e melhores oportunidades, mas um auto-golo a juntar à lesão de Marega permitiu garantir os 3 pontos. Ao contrário do que se previa, Peseiro adoptou na mesma um 4-3-3, até com a mesma base que jogava habitualmente na Era Lopetegui, sendo que o futebol ainda conseguiu ser pior (a equipa abusou dos maus passes, más decisões, talvez pela pressa de ter um jogo mais vertical). Já o Marítimo, na estreia de Nelo Vingada, fica a dever a si próprio não ter aproveitado os vários brindes da defensiva portista no 1.º tempo. Os insulares tiveram vários lances para marcar, ainda acertaram na barra, e nem o facto de terem actuado com 3 defesas que não costumam jogar, se fez sentir. No entanto, depois da lesão de Marega já na parte final dos primeiros 45 minutos a equipa revelou pouca capacidade para incomodar na 2.ª parte.

Quanto ao encontro, Marega logo aos 3' podia ter inaugurado o marcador, depois de um mau alivio de Layún, mas atirou por cima quando tinha tempo para preparar melhor o lance. A seguir foi Edgar Costa a rematar por cima, quando também tinha espaço para fazer melhor. Aos 7' o 1.º lance de perigo do Porto, com Brahimi a entrar na área e a rematar para defesa de Salin. Mas o Marítimo estava melhor e Dyego Sousa esteve perto de marcar ao ganhar uma bola na pequena área mas o remate saiu fraco e Casillas defendeu sem dificuldade. No entanto, contra a corrente do jogo, o FC Porto praticamente no 1.º lance de ataque chega ao golo com Salin a introduzir a bola na própria baliza depois de um remate de André André que ainda vai à barra e bate nas costas do guardião francês. Logo a seguir podia ter acontecido o 2-0, mas Corona completamente sozinho, já dentro da área, atirou muito ao lado. O Marítimo não foi abaixo, e praticamente a seguir voltou a ter uma oportunidade clara com Dyego Sousa sozinho na área a cabecear à trave. Até final da 1.ª parte destaque para a saída por lesão de Marega, para os assobios a Herrera, que se fartou de acumular más decisões, e para um amarelo para Maxi por suposta simulação. No 2. tempo o jogo foi mais lento, o FC Porto continuou num registo adormecido mas o Marítimo, talvez pela ausência de Marega, também não conseguiu apresentar a mesma qualidade do 1.º tempo. Aos 69' Peseiro fez entrar Suk no lugar do apagado Aboubakar e o FC Porto acordou, com Corona pouco depois a estar perto do 2-0 num lance em que Salin nega o golo ao mexicano com uma grande defesa. O Marítimo respondeu com um bom remate de Edgar Costa fora da área mas Casillas defendeu sem problema. Mas esses lances foram quase um oásis numa 2.ª parte muito pobre.

FC Porto -  Depois de duas derrotas consecutivas, eis o regresso às vitórias na estreia do comando técnico de José Peseiro (que apostou num onze em tudo idêntico ao do seu antecessor). No entanto, as certezas de que o novo treinador terá muito trabalho a fazer só saem reforçadas. A equipa perdeu demasiadas vezes a bola, não teve uma circulação de bola com qualidade, criou poucas oportunidades e na primeira parte até chega ao golo quando o Marítimo é que estava por cima, com algumas oportunidades claras de golo. Individualmente, Martins Indi e Marcano voltaram a estar longe de dar segurança defensiva à equipa, dando espaço a Dyego Souza para finalizar e sem acrescentar muita precisão com bola, ao passo que Layún voltou a estar na génese de um golo (bom trabalho a servir André André). No meio-campo, Herrera não só se fartou de errar passes como de tomar más decisões, sendo que André André, apesar de ter sido decisivo no lance do golo e de ter tido algumas chegadas ao último terço, também não deu a clarividência necessária. Na frente, Brahimi pouco se viu, Corona dispôs das únicas ocasiões depois do golo, desperdiçando-as, e Aboubakar continuou na sua fase cinzenta, não conseguindo ter bola na frente nem acrescentar qualidade.

Marítimo - Desta vez os Madeirenses não conseguiram derrotar os Dragões, nem sequer criaram as dificuldades de outros encontros, mas ainda assim bastava que tivesse havido maior eficácia na primeira parte para que o desfecho final tivesse sido bem diferente. Faltou, além da já referida eficácia, ter criado mais perigo na segunda parte (houve várias situações de transição mal exploradas), sendo que a baixa por lesão de Marega acabou por ser fundamental, perdendo o conjunto de Nelo Vingada (também em estreia) capacidade de esticar o jogo. Na defesa, Salin foi infeliz no golo mas fez a defesa da noite, enquanto que a dupla de centrais improvisada conseguiu tomar conta do recado, não acusando a falta de rotinas. No ataque, Edgar Costa acabou por ser a unidade mais no segundo tempo, mas esteve sempre muito desacompanhado.

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