FC Porto: Os possíveis substitutos de Lopetegui

Pinto da Costa arriscou e deu-se mal. Numa fase em que o FC Porto precisava de quebrar a hegemonia que o Benfica estava a cimentar e o Sporting a ganhar força o líder portista apostou num treinador sem experiência ao mais alto nível e o resultado foi mais uma época sem títulos e uma crise que culminou no despedimento de Lopetegui. Mas só vamos a meio de 2015-16 e ainda nada está perdido, e sendo certo que a história não favorece os azuis e brancos quando despedem treinadores a meio do projecto, a realidade é que o actual plantel, e a classificação, deixam tudo em aberto para o que falta disputar. Neste sentido, a escolha do próximo treinador reveste-se de grande importância, apontando o VM os possíveis sucessores de Lopetegui, com as virtudes e defeitos que os caracterizam:

O desejado:
André Villas-Boas - Pinto da Costa quer, a maioria dos adeptos também, e se há alguém que goza de estatuto no Dragão é o actual treinador do Zenit - deve ser mesmo o único unânime, até pela sua ligação aos portistas. No entanto, com mais meio de ano contrato, e ainda presente na Liga dos Campeões, não parece crível que possa ser opção para o imediato. Por outro lado, caso um dia regresse, há uma certeza: será impossível melhorar o que fez em 2010-11 (mesmo igualar é complicado). Foi uma época de sonho, e essas expectativas podem funcionar contra ele (é raro o treinador que é feliz duas vezes no mesmo sitio). Por outro lado, desta vez não iria contar com Vítor Pereira, e com tudo o que isso implica.

Mais do mesmo:
Luís Castro - Há 2 anos correu mal, numa fase em que o FC Porto também ainda estava em algumas frentes, e apesar da boa época na equipa B (curiosamente há um ano até nesse âmbito estava a ser criticado), não deixa de ser uma aposta de risco.

Regressos:
Mourinho - Jesus no Sporting? Isso é impossível. Com o que se tem passado nos últimos tempos no futebol só há uma certeza: tudo é possível. E sendo certo que um regresso de Mou ao Dragão é pouco provável, não deixa de ser uma das melhores oportunidades disponíveis para o ex-Chelsea. Contra si, o facto de, à semelhança de AVB, ser pouco provável repetir o mesmo o sucesso.
Jesualdo Ferreira - É o treinador menos valorizado na história do FC Porto, mas venceu 3 campeonatos nos 4 anos que orientou os portistas. Além disso tem a virtude de potenciar os jogadores como poucos, que o diga Falcao, que já reconheceu diversas vezes que melhorou em 300% depois de ter sido treinado pelo professor. No entanto, goza de pouco estatuto e isso no futebol actual pesa.
Fonseca - Seria caricato, mas o actual líder do Braga parece ser agora um treinador mais preparado e principalmente com mais dimensão perante os adeptos. Por outro lado, era uma maneira de desfazer as dúvidas em relação ao que o antigo central podia fazer com esta matéria-prima.

Conceptualistas:
Marcelo Bielsa - El Loco é talvez a aposta com as virtudes e defeitos mais vincadas. Assim, tem a seu favor uma competência técnica e táctica invulgar, possuindo grande facilidade em colocar as equipas a jogar segundo as suas ideias de um futebol ofensivo, com pressão muito alta e de saída a jogar desde o guarda-redes. É ainda muito forte a potenciar jogadores, tendo este elenco azul e branco vários elementos com um perfil que costumam agradar ao argentino. No entanto, a sua personalidade vincada costuma levar a alguns conflitos, seja com a direcção (no Marselha criticou publicamente as contratações que eram feitas) seja com os jogadores (em Bilbao chegou a expulsar Llorente de treinos), sendo que a sua obsessão pela perfeição pode levar a algum desgaste no plantel (mas mais no longo prazo).
Sampaoli - Levou o Chile ao seu primeiro título ao mais alto nível e partilha várias características com Bielsa, nomeadamente o gosto pelo futebol ofensivo, sedutor e praticado por jogadores fortes tecnicamente. Contra si tem o facto de nunca ter treinado na Europa.
Laudrup - Um dos melhores jogadores das últimas décadas teve um início auspicioso como treinador, com passagens bem sucedidas pelo Brondy (onde foi campeão), pelo Getafe (levou o modesto clube de Madrid aos quartos da Taça UEFA, tendo eliminado o Benfica e só sido afastado pelo Bayern, sem ter perdido nenhum dos dois jogos), e pelo Swansea (vencendo a Taça da Liga), sempre com um futebol de qualidade. O seu maior handicap seria o facto de nunca ter treinado um clube grande uma liga importante.

Consagrado:
Rafa Benitez - Perdeu crédito na passagem pelo Real Madrid, já antes tinha desvalorizado no Inter, mas não se pode ignorar que já venceu 2 campeonatos ao serviço do Valencia, uma Liga dos Campeões, duas Taças UEFA, e uma Taça de Itália pelo Nápoles.
Juande Ramos - Ganhou imensa cotação ao levar o Sevilha a vencer 2 Taças UEFA de forma consecutiva, às quais juntou uma Supertaça Europeia, uma Supertaça de Espanha e uma Taça do Rei. Conquistou a Taça da Liga Inglesa pelo Tottenham e orientou ainda o Real Madrid, ainda que apenas durante 6 meses, numa fase de transição. Nos últimos anos esteve na Ucrânia e perdeu alguma reputação, mas mantém um currículo de meter respeito.

Complicados devido às cláusulas no contrato:
Marco Silva - Um dos preferidos dos adeptos e um técnico que tem aumentado o estatuto no futebol nacional. 
Leonardo Jardim - Depois de AVB, é talvez a escolha n.º 1 para Pinto da Costa.

Boas opções, mas não estão livres:
Paco Jémez: Um dos treinadores mais singulares do futebol Europeu. Desde 2012 no Rayo, equipa com um dos orçamentos mais baixos das ligas de topo (todos os anos vê os melhores jogadores saírem e serem substituídos por jogadores a custo zero), conseguiu implementar uma filosofia de jogo bem vincada, corajosa, de equipa "grande" (sempre querendo ter a bola e com linhas subidas), o que pode tirar relevância ao facto de nunca ter treinado um clube de renome. Pode ser difícil convencê-lo a aceitar o cargo, já que em Espanha se diz ser o maior candidato a substituir Del Bosque após o Euro.
Berizzo: Outro "Bielsista" (foi seu adjunto no Chile), que tem impressionado ao serviço do Celta, não só pelos excelentes resultados (luta pela Europa com um orçamento bem inferior a equipas como o Sevilha ou o Valência) mas também pelo excelente futebol apresentado pelos Galegos.

Com algum prestígio:
Carlos Queiroz - Pinto da Costa já confessou várias vezes que pretendia trabalhar com o ex-seleccionador e até foi sua testemunha de defesa há uns anos. O problema é que o ex-Man Utd ao nível de clubes foi sempre um flop por onde passou, mesmo tendo tido plantéis galácticos no Sporting e Real.
Nuno Espírito Santo - Não é propriamente brilhante a nível técnico e táctico, mas conhece o clube, tem algum carisma (na célebre época do túnel deu a cara pelo grupo) e poderia ser uma figura aglutinadora entre o Universo Portista.
José Peseiro - Um treinador capaz de colocar as equipas a colocar um futebol ofensivo e de qualidade (foi com ele que Sporting e Sporting de Braga melhor jogaram na última década), mas muito marcado por ser um "pé-frio" e, sobretudo, pelo "trauma" da semana fatídica de Maio de 2005 (sendo que, apesar de ter perdido tudo em poucos dias, foi o único treinador a levar o Sporting a uma final europeia desde 1964,  juntando a isso a luta pelo título até ao fim, algo que os Leões também poucas vezes fizeram nos últimos tempos).

"da Casa":
Sérgio Conceição, Domingos e Jorge Costa - Soluções para o curto prazo até chegar o "desejado". Não são propriamente fortes a nível técnico e táctico mas são da "casa" e podiam impor alguma atitude numa equipa que parece bloqueada, principalmente no caso do ex-central.

Portugueses:
Manuel MachadoMiguel LealPedro Martins ou Jorge Simão - Pinto da Costa já projectou vários treinadores, como Mourinho, Fernando Santos ou Villas-Boas, o momento talvez não seja o ideal para repetir a receita, mas há valores no nosso campeonato com capacidade para "dar o salto".

Se o divórcio for ultrapassado: 
Paulo Bento - O ex-seleccionador nacional tem a fama de ser forte numa 1.ª fase, foi assim no Sporting e ao comando de Portugal, depois por norma acaba por sair sem brilho. Mas o que o FC Porto o que precisa agora é de impacto, e o antigo médio dá isso. 

"Novo Mourinho ou AVB":
Rui Faria - Seria o regresso à formula que levou às épocas de maior sucesso na história recente dos Dragões: um treinador com pouca (neste caso mesmo nenhuma) experiência a dirigir equipas, mas com uma enorme bagagem como adjunto em clubes de topo e com uma forte base académica. Uma aposta de risco, mas sustentada pelo sucesso recente de casos muito semelhantes.


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